O Barulho do Silêncio

Há seis meses eu entrei em uma depressão profunda…

Após não conseguir resolver ou sequer movimentar a minha vida, eu venho tentando, dia após dia, me reinventar, buscando apoio com pessoas queridas a qual eu tenho um pouco de retaguarda. As piores coisas que uma pessoa pode enfrentar são as fatalidades emocionais, essas são as mais dolorosas, tristes e “cítricas” para se tentar digerir ou absorver dos acontecimentos. Sem nenhum tipo de explicação, me ví cumprindo uma profecia em que “estaria realmente sozinho com minha mãe e com nosso único patrimônio”. Escrevo isso enquanto volto pra casa, depois de um dia de trabalho, uma coisa que é rara aqui na Região dos Lagos. E eu agradeço por isso, mesmo sabendo que a qualquer momento eu possa ser demitido.

E mais raro ainda é o afeto. Alcançar consolo e ombro aqui. Parece que as pessoas se voltam para sí mesmas e com elas as suas casas, as suas festas em um mundo particular e incompartilhável, e nele, estamos eu e minha mãe, sobrevivendo em meio a crise e eu, ao total descaso de pessoas que eram mais do que minha vida, eram todo o sentido que me fez virar o rumo e alterar o curso para uma cidade desértica, ao ponto de ser quase fantasmagórica.

Essa alegoria não é um exagero, onde moro atualmente, em Praia Seca, ela à partir das dez horas da noite fica completamente INCOMUNICÁVEL com qualquer parte da região dos lagos, a distância de quilômetros, e nesses quilômetros, só tinha 1.000 metros quadrados de área sociável, que agora, me repelem pela vergonha da exposição que eu passei, pois tinha assumido um relacionamento com uma pessoa que é bem conhecida no condado. Ela tem dois filhos, o que na verdade, fizeram essa perda se elevar ao cubo. Um mês depois, minha filha decidiu ir embora, deixando todos os seus pertences na minha casa. O quarto ficou configurado como um velório vivo, de alguém que mal me responde ou se comunica comigo.

A perda da pessoa a qual me relacionava havia um motivo – alguém no facebook passou a escrever poesias, cantigas e a encheu de ilusões do oriente, sexo fácil e frio – Mas minha filha, não me deu motivos. Ela simplesmente foi.

Foi e quase nunca fala comigo. Tem acesso ao zap mas não me responde. Desde que foi passar as últimas férias na casa da mãe ela simplesmente se foi… E me deixou um VAZIO ENORME, GIGANTESCO, que hoje tento cobrir com terapia, remédios e a ajuda de poucos amigos que tenho a distância. A hora passa MUITO DEVAGAR aqui. Eu não tenho cabeça pra nada e só em pensar, na pessoa que me trocou e que, no momento da troca, já estava na outra semana desfilando com o seu “poeta guru”, eu apenas sinto raiva. Raiva por ter me entregado. Raiva por ter tentado lutar até o fim para ter o meu maior sonho, o de ter uma família. Raiva, raiva e maior raiva eu tenho de mim mesmo, pois me permiti a isso tudo e não coloquei em balanço o QUANTO ERA desequilibrada e sem qualquer tipo de compromisso emocional com o outro, pois já tinha antes confessado a minha filha o flerte com o “poeta do facebook” e anunciado que tinha planos para largar os filhos com a avó e voltar a ser hippie.

Ser Hippie sem ser Happy é dificil. Mas com doses diárias de THC tudo se torna ameno, fantástico, gozável e incrivelmente bom, enquanto eu fiquei com a vergonha de atravessar uma esquina. Vergonha de falar com as pessoas e vergonha até mesmo de estar presente em qualquer lugar. Qualquer lugar pra mim me expõe aqui. Qualquer lugar pra mim aqui é uma lembrança e eu sei que todo esse lugar mora dentro de mim, que tenho que expurgá-lo de alguma forma, mas venho tentando…

Não tenho conseguido ter êxito. Estou áspero, arredio e completamente cético com relações. Voltei a buscar a Deus para que ele venha me buscar…

Mas o maior BARULHO da minha alma é o silêncio da minha filha, que por conta de uma pessoa inconsequente resolveu ir embora.

Saudades, Amor, Solidão, Raiva, Rejeição, Vergonha… Sentimentos diários e constantes no meio de um lugar em que o silêncio incomoda MUITO.

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~ por Água para Plantas em setembro 4, 2018.

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