O senhor entendeu o que eu disse Doutor Pierrot ?

bomba

 UM SERIAL KILLER MATANDO EVANGÉLICOS :

A grande verdade é que a relação dos evangélicos com todo o resto do país estava muito comprometida e influenciada. E uma grande bomba poderia estourar a qualquer momento no Brasil, por conta mais dessa e de uma bem provável guerra santa. Há décadas que, com bastante pedantismo, falsa propriedade, modéstia e conduta os evangélicos disseram que apenas eles eram filhos de deus e alguma hora esse pato iria ser debitado na conta desses líderes irresponsáveis. Existia duas igrejas claramente no Brasil, a midiática, a gospel e a real igreja, que era formada por pequenas pessoas e frequentadas por poucas pessoas mesmo e dentro delas se realizavam grandes milagres, como uma certa vez, atendi uma paciente em que dizia que várias pessoas de sua igreja ficaram cegas, tinham desaparecido estranhamente, após o “pouso” de um anjo em um culto em bomsucesso – A grande sorte, é que a igreja, era na sua maioria composta por senhores e senhoras de idade, após o surto de cegueira, os que voltavam a ver, depois de um certo tempo desapareciam, exeto Goreth, que era filha da diaconisa que tinha desaparecido. Goreth foi a primeira a recuperar a visão e a única que não desapareceu, ainda bem, pois é muito boa de foda e agora fazia faxina no meu escritório na Prado Júnior, mas isso é um outro caso. O caso agora é que ele estava aqui.

Ele era um grande showman! Eu ria muito na madrugada com os comentários dele para o bando de descrentes que ligavam, uma vez ele recomendou pro maluco que ligou desesperado se matar. Já devia estar de saco cheio. Por incrível que pareça, estava na minha frente um cara que tinha ganhado três Grammies como melhor DVD /  CD religioso. O cara já usava Botox, tinha a sombrancelhas feitas, permanente no cabelo e dois seguranças muito bem vestidos, mas pareciam que tinham acabado de sair de uma noitada na Le Boy, um deles com uma sacola do pão de açucar cheio com algo que parecia couve ou bertalha.

Ele estava em uma carreira muito promissora, recentemente, tinha entrado na política. E seus discursos contra a comunidade LGBT, contra o Candomblé, faziam o mega-conglomerado que o apoiava encher. Numa tarde de sábado fácil, com apelos, ofertas e dizimos, a sua igreja saia com muito dinheiro – uns 15 milhões, dizia, no domingo é o dobro sempre, mais até se não chover no sábado… Botei as cartas na mesa e perguntei logo o que ele queria. Detesto evangélico…

– Não sei se o senhor sabe, mas existe um serial killer matando evangélicos…

(acendi um cigarro e pus os pés na mesa, não sei se o cigarro o incomodou ou se foi os pés na mesa)

– Não… Não sabia.. Há um tempo atrás estavam desaparecendo… Na verdade, doutor…
– Pode me chamar de Apóstolo…

– Não posso, eu conhecí um – o segurança garotão olhou pra mim – E já vou avisar. Detesto evangélico – Falei de uma forma tão grosseira que um perdigoto pulou no olho dele..

– O senhor não vê o “Cidade em Ativa”? Já estámos na segunda semana falando sobre esse serial-killer?! – Falava enquanto tirava o meu perdigoto com o mindinho .

– Na verdade Doutor, o que acontece, é que eu não sou idiota … Não vou ser otário de dar audiência pra merda do canal de igreja que vocês tem, e outra coisa, não leu alí na porta? Detetive Sobrenatural ? Vocês não tem o dito “Dom da Revelação”? Chama o bispo pra achar o louco que tá matando seus fiés… Vocês devem estar ficando duros e por isso estão querendo me contratar? Vai se fuder!
– Bem, Srº ou Drº, como eu posso te chamar?  Acho que viemos para o lugar errado eu tinha uma boa proposta para lhe fazer, eu tinha realmente uma boa oferta. Srº Pierrot, nós não temos revelação, mas temos dinheiro. Rô e Dí, vamos embora – virou-se falando com seus capangas.

Por momentos, como o que de uma revelação,  aí eu creio que possa até mesmo ser Deus, em que vejo que a verdadeira verdura que está na sacola do pão de açucar é aquela que cairia bem no meu bolso… E muito bem… A sacola estava recheada. Aí fui todo ouvidos. O astro-pastor saca o seu smartphone.

O caso era realmente uma coisa a se preocupar pelo requinte de simbolismo e practis dentro de uma lógica esotérica.

Os olhos das vitmas eram arrancados. Símbolos postos em suas testas –  Não, não era o meia meia meia.. Era algo como uma numeração, algo do tipo estranho ou do tipo”tenho que rever meus livros iniciáticos”. Parecia fenício ou até mesmo simbolo dos Gnósticos… Uma coisa a verificar.. Colocavam textos bíblicos em suas mãos ensopapadas de sangue. Isso ele me trouxe por algumas fotos que estavam em seu celular.Mas eram fotos e isso tudo era tudo bem a priore, eu não estava na cena do crime.

– Nossa, virou um viral e eu não recebi isso no meu telefone?

– Não, não virou, não expomos esse caso com totalidade a imprensa.. Temos medo que o resto de nossa igreja tenha medo e não venha em nossos cultos…

– Pelo que eu ví, não são apenas membros da sua igreja pastor…

– Como o senhor sabe? – Me olhou com uma cara de gazelinha surpresa.

– Essa bíblia que essa vitma carrega- Usei os dedos e dei um zoom nas mãos de uma das fotos – na verdade é muito usada na Assembléia de Deus, e não é nem uma bíblia e sim uma Harpa. A tradição da Harpa, que eu saiba, não é presente na sua congregação…

– Interessante… Em uma breve olhada, chegou a essas conclusões.. Ê dessa perspicácia que precisamos…O que queremos do senhor é bem simples. Queremos que o senhor encontre o assassino vivo ou morto ou que, no mínimo, faça pelo menos uma contenção de danos: Que o senhor analise bem o perfil de futuras vitmas e alerte algumas possíveis vitmas. O que sabemos é que ele fez uma sequência territorial no subúrbio do rio –  O anjo de bomsucesso, lembrei.
– Olha, correlação a isso a sua igreja tem mais logística para fazer essa tal contenção de danos…

– Não temos o perfil do assassino. Até essa contenção lo senhor precisa fazer.

 – Tudo bem  mas por isso, pede pro rapaz me trazer uma bolsinha dessas de duas em duas semanas…

– Sr. Pierrot… O senhor está fazendo um serviço pra um servo do senhor…

 – Ô… ô… Aqui não… É isso… Se não, pode ir embora… Estou botando o meu na reta… Demorou pra ter um serial killer no Brasil, agora, quando aparece vc ainda acha que o cara tá de brincadeira?

 Deixou a bolsa e foi embora…

No ônibus, de copacabana até o Dr° Eiras uma mulher berrou a viajem inteira falando sobre o fim dos tempos. Pregava tão alto e chato que esticava a veia do pescoço…Mas ainda bem, escutava algum rock da década de sessenta… Que me lembre… No final, como eu sabia, ele arregou e aceitou o meu preço… Nessa hora somos como advogados… Ele arriou as calças na minha frente e não tinha realmente como retornar. Tinha me falado coisas que a midia deles tentava esconder, mas no final, ele aceitou… 

Falava agora com o Bispo e contei exatamente tudo o que aconteceu a ele  e não, não era “o bispo”, e sim outro de uma igreja psicodélica…

Estava na sala real e disse a coincidência estranha de ser tão alardeado pelo fim do mundo enquanto ia pra lá… Papéis.. Pessoas gritando e pregando o apocalipse… A mulher do banco ao lado lendo “Incidente em Antares”… Tudo me falava sobre o fim…Até mesmo o sonho com uma bomba atômica quase no final da viagem em meio a engarrafamentos… Lembrei de uma profecia de Antônio Conselheiro que dizia que “uma bomba atingiria o Brasil transformando mar em sertão e em sertão em mar”. Sempre dormia profundamente antes de chegar e sempre saltava de três a quatro pontos depois da Dr° Eiras.

– Não existe nenhum tipo de coincidência, senhor Pierrot, tudo está completamente interligado entre uma dimensão e outra e nada ao mesmo tempo, e a isso chamamos de realidade e não temos como chamar isso de este ou ter a propriedade de assim tê-lo, pois nada na dita existência há comprovado…

Essa era mais uma das falas repetidas de Bispo, mas antes tinha ensinado uma lição muito importante:

– Senhor Pierrot, já reparou que que a bandeira do Japão é um mapa realmente todo branco com uma bola vermelha no meio? E eles diziam que é o país do sol nascente? “Era como um grande sol nos castigando”, disse assim um dos sobreviventes da bomba atômica… O senhor me entendeu?

Puxa um pigarro do fundo da garganta, e olha o por do sol na janela da antiga clínica psiquiátrica Dr. Eiras, em algum lugar do Rio de Janeiro. Lamentava ser um lugar completamente fechado, assim dizia que este era o último paciente da tal clínica, pois a mesma tinha sido completamente evacuada e retirada de sua verdadeira função. Um grande projeto da OMS tinha acabado ou dado extinto ao que se dizia por antigos como manicômio. Estranhamente, um decreto municipal deu posse de própriedade ao seus pacientes, logo que não tinham sequer moradia, eles agora tinham apenas seus quartos ou salas. Esse era o Bispo. Bispo era tratado como um santo-líder dentro da Dr. Eiras, Era um papa. Um INRI Cristo ou algum tipo de ialorixá que comandava a moradia comunitária, que contava com porteiros, faxineiras, cozinheiras e boas “messalinas banguelas” como dizia ao Pierrot, que na verdade era uma tropa de loucos.Uma ong misteriosa ajudava com dinheiro e com alguns gastos específicos.

Bispo era um homenzarrão negro. Algo bem parecido com o George Clinton do Funkadelic, incluindo todos os seus ardornos. Se auto proclamava grande-rei e tinha sido nos primórdios da internet um viral engraçado – “Ainda me devem direitos de imagem Pierrot”? – Sempre perguntava em uma nova visita e tinha uma contadora louca que anotava sempre o cálculo de quando lhe deviam nas paredes de sua sala real – a sala principal que era adornada com enfeites de brinquedos de doces nas paredes, bonecas mutiladas, santinhos de campanha de politicos e de devoção, contas e terço e clamores do tipo – “Salve Bispo e nosso Senhor”. Bispo, no seu último ato de lucidez, deu a palavra na câmara de vereadores que ajudou a dar o título comunitário aos pacientes. Depois, com a aclamação dos mesmos, jura que nossa senhora o visitou dentro de seu quarto e o disse que seria o condutor do bem e que comandaria de agora em diante o manicômio –  “Sim, ele sabia que era um manicômio”.

Mas ele era maior do que isso…

Bispo era o famoso oráculo de Pierrot. Um grande tarô vivo e Pierrot sa ia que sairia com respostas…Há um tempo atrás, a troco de uma garrafa de cinquenta e um ele contava exatamente qual era a “nova parada” do plano espiritual, mas 50% do que ele dizia era verdade ou como dizia Pierrot, os outro cinquenta ele iria descobrir sincrônicamente. Da última vez que ele tinha falado o porque de todas as oferendas terem voltado do Reveillon, pierrot tinha dado um pequeno barco de madeira a ele, o que realmente tinha voltado. Bispo estranhamente sabia que o barco era usado e reaproveitado deste caso específico…

– O que há realmente de estranho é que sim, há rumores que a Universal encomendou um apocalipse e ele pode acontecer em alguns dias…

Isso saindo da boca do Bispo é como ouvir um médico dizer  você tem AIDS. Poucas vezes ele afirmava coisas e quando assim saia uma afirmação dessas, era pra realmente ter uma certa preocupação em analisar os fatos…

– Santidade, só pode estar brincando…

– Você queria que eu te ajudasse a descobrir qualquer tramóia espiritual não é? Existe uma fórmula…

– Qual é?
– Razão é com o senhor, isso você vai ter que descobrir…O senhor entendeu o que eu disse, Doutor Pierrot?

 – Como?

 – O senhor vai ter que esperar ele matar outra vez…

 

 

 

 

 

 

 

 

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~ por Água para Plantas em setembro 4, 2016.

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