Entre duas restingas

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Não há cidade ainda aqui
Mesmo que houvesse
Me sentirira mais sozinho

Sou a figueira
O raro passarinho
A esteira do Yogamandi
O dual tone borboleta
E a conclusão de minha poesia

Sou um velho professor de teatro
A azia do casal homoafetivo
O capacho da mal-amada
E a lenda de um famoso fugitivo

Eu.

Morto na estrada como um cachorro
Eu sou um cachorro também

O silêncio da viuva
O sinfotronic do passarinho
Os azedos e os amargos da chikita
A barulhenta moto de maikynho
E o vazio da Creperia

A inveja do pizzaiolo
A droga do pai do garoto
A embriaguês da moça de quinze
E o alcolismo do velho maroto

Um sonho de Vênus
Umatamorfoseamalgamada
E a viuva desesperada
Com o grito da posse de uma mal querida
E a pedra no sapato da sapa feiticeira

Eu, que dançei com uma mulher no escuro…
Eu, que amei no vento, com carro em chamas
Eu, que amo quem me espera
Agora

Eu, que quase me precipitei do Atalaia
Sou eu este lugar. Essas coisas-pessoas
Somos refugiados. Forasteiros
Prisioneiros. Estacas. Moinhos
Salinas e Salineiros. A resistência de existir
O som, a dor e o porvir
Eu sozinho-dentro-com-tudo-isso
Rodrigo, do quarto distrito.

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~ por Água para Plantas em outubro 28, 2015.

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