Carta para uma casa

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Quando estive perdido e com vontade de desmundo, me anular de vez e por completo, você me acolheu com maestria e tamanha solidão que durante um mês nos pertencemos. Eu a pintei, reformei o que pude e aos poucos eu fui me reformando com você, mas mesmo assim, ia deixá-la e iria me precipitar no pontal ou como Rimbaud, simplesmente desaparecer.

Mas antes queria ver o que tinha mudado em minha volta e encontrei uma camiseta, uma loja e fui realmente grosseiro. E, de repente, esqueci de você e passei a lembrar da loja. A camiseta do Edward era linda e eu queria tê-la, eu a teria até hoje, mas despretensiosamente, fui conhecendo alguém que estava a beira também.

Conversamos sobre a vida, a minha vida, as minhas expectativa, os meus sonhos, as minhas vontades, os meus desejos e meu sonho maior desde os doze anos – ter uma família – e concordamos com tudo e éramos nós três – Eu, minha casa e ela.

Mas, pelas correntes do meu desespero, algo foi se agregando. Algo foi impulsionando a estarmos apenas nós dois de novo: Eu e minha casa, mas na verdade essa carta não é pra você. Esta carta é pra quem me faz doer o peito. Essa carta é pra quem eu passei e viver, é pra quem eu dediquei o máximo da minha vontade e bom humor, Luxciana.

Escrevo pra minha casa porque te importuno, incomodo e me torno nocivo. Meu ciúme e egoísmo são o preço agora da minha solidão – feri quem não devi, queria te colocar em um peso de papel havaiano, onde só teria a nossa casa, nossos filhos, uma praia e no finalzinho a sua lojinha, mas por unanimidade de votos estou doente; Por unanimidade de pensamentos negativos e coisas que não resolvi na minha vida na cidade eu ainda tive e muito mau humor. Fui negativo e estava sendo muito mau. Julgam que é o meu caráter, mas nunca quis fazer sofrer a ninguém e provei algo que nunca tinha provado, o ciúme. Que é uma das coisas mais amargas.

Meu sentimento é de desespero. Urgência. Vida. Existência. Mas os novos remédios não me deixam sequer chorar, fico estático, como uma peça que age sem interação.

Te quero de volta, rodaria o mundo, faria coisas improváveis e impossíveis pra fazer você feliz e pra não brigar nunca mais com você, mas eu não posso falar isso com você e é por isso que escrevo pra minha casa, que vai ser o único lugar que poderia me ouvir ou me abrigar. Não me imagino viver sem as crianças, sem a vida com os amigos, sem ir a loja, sem ir ao shopping, sem beber com eles, mas por algum motivo eu me desequilibrei e me afundei em um mau humor terrível. E sinceramente, não sei o que fazer. Penso em desistir e infelizmente você não vai ganhar uma parede nova.

Obrigado minha casa, por me ouvir. Fui ruim acho que não sou ruim…
Acho que posso mudar de novo… Mas eu amo demais. Nunca amei alguém tanto assim. Não tenho forças. Mas até mais tarde, onde eu e você estaremos juntos – minha casa.

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~ por Água para Plantas em setembro 22, 2015.

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