X.:.X.:.X.:.V

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Ela é o OURO em meu brasão

Esse é o meu presente que vou me dar de aniversário :

A LIBERDADE DE ME EXPRESSAR.

Sobreviver até aqui foi muito difícil.

Sobrevivemos há três anos a um apocalipse onde minha mãe e eu passamos por uma jornada muito dificil, ainda vivemos a sombra de uma doença que é invisível e pode a qualquer momento nos atacar de uma forma desprevinida. Se foram somas, quantias, prestigios, vergonhas e mais vergonhas até eu perceber quem realmente sou e quem é minha mãe.

Uma pessoa extremamente metódica e esse toc acaba se tornando muitas das vezes conflituosa a convivência, mas foram passados trinta e cinco anos. Ela venceu.

Venceu o orgulho de se desfazer de um diploma de direito e virar sacoleira no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro – e, da clientela, boa parte, serem até de colegas de turma – De conquistar seus sonhos – ter carros do ano, casa e terreno perto da praia – De tentar lutar pra ter uma família – apesar de um psicopata não querer e depois disso, ir vencendo a cada round a luta contra o câncer. Ainda estou de pé. AINDA ESTAMOS DE PÉ E ROLANDO OS DADOS. SOMOS HIENAS.

Em uma outra postagem me perguntava o porquê de tantas palavras. O porquê de deixar esse registro e ainda me pergunto se algum dia fará isso parte da vida de alguém. Acho que não. Mas as a cada dia tenho a resposta de “certas” palavras.

Comecei com este blog por sobrevivência intelectual, por reclusão e por impor rotina escrita a uma vida – a minha – mas minha mente, uma montanha russa que desafia todas a leis de Newton, hoje aponta para o alto.

Estou bem. Mas também bem decepcionado, bem confuso, bem apaixonado e com um bom astral. Meu blog tem uma certa aura pesada.

Certas vezes, começo a escrever e me pego “carpideirando” em um texto ou remoendo o fundo de uma caixa d’água onde sei que vai haver sujeira. Sempre há algo de pior e melhor em nós. Mas, como disse acima, me dei de presente de aniversário um D.E.S.A.B.A.F.O

Não existe uma única razão dessas palavras. É um diálogo comigo, muitas vezes é uma tentativa de sobreviver a hipocrisia, a falsidade e a falta de prestígio que temos passado eu e minha mãe – ao ponto de darem um banquete ao lado de nossa casa, e nós, com uma situação financeira VISIVELMENTE complicada a muitos que nos cercaram, chegar ao ponto de SEQUER um convite para um almoço receber e em seguida, chuvas de fotos de confraternizações em redes sociais de vários eventos em várias situações. E melhor seria, se declaradamente, fossem nossos inimigos, mas reina a praxis hipocrita, a praxis do falso moralismo, a praxis do “desculpa, eu não ví” ou do “eu não sabia” a pessoas que antigamente VIVIAM, PRECISAVAM E SE CONSTITUIRAM DEBAIXO DESTA PLACA DE MADEIRA. Que HOJE, simplesmente EXECRAM a “nossa subexistência”.

A Praxis de se eleger coitado um homem que sempre tratou com alcolismo e brutalidade a família. A praxis de se reunirem em rodas gregas a difamar, degustando a moral de uma mulher que NUNCA SE ESGUEIROU A SOMBRA DE UM HOMEM PARA TER O QUE TEVE.

Hoje, é digno de coitadice, uma pessoa estúpida, que tratava os outros como um bicho quando alcolizado e, ainda, querem me fazer acreditar, que é uma moral caipira, de nem se ter o quinto ano primário que rege essa totalidade desse linchamento moral e do total descaso que sofremos?

Sobre as cabeças magistradas? Sobre a cabeça de pessoas graduadas? O nome do câncer da minha mãe se chama INVEJA, e se eu soubesse que era esse o nome , que era ESSE O MOTIVO, TERIA JÁ ESQUARTEJADO A TODOS QUE PROFERIRAM ESSA MAL A ELA. Mal que ainda sofre as custas da INGRATIDÃO do ciclo a qual ela AINDA ACREDITA e dedicou e comparitlhou até mesmo dos MEUS CUIDADOS COM ELE. Esse dito, pra mim ESCARRADO e DESMASCARADO CICLO FAMILIAR. Pois como bem disse a minha mãe : “Só foi eu ter um câncer e a outra saiu da depressão”.

O foco da inveja não vinha da cunhada e sim do próprio sangue.

Mas que seja ele o coitado MESMO. Que minha mãe NUNCA seja a coitada que chegou – chegamos – a depender de cestas básicas que o INCA dava –  e que minha mãe seja até o fim a GUERREIRA. Mesmo combalida no front.

E, vem o Natal.

Ah, o Natal…

Nos prometeram nos ligar para nos dar os nomes dos “muy amigos ocultos” que foram realmente OCULTOS NESSE ANO. Mas até agora, ninguém ligou, como sempre, ninguém liga.

No passado, nossa vergonha se esgueirou até o ponto de ver minha mãe chorando, atravessando o muro da casa do lado, dizendo que se tivesse só um ovo na gaveta da geladeira tacaria o que estava nas mãos dela no escórnio. E lembro, do coitadinho, na cadeira de rodas, que exporadicamente, enchia o cu de cachaça pra pedir VÁRIAS VEZES NA SEMANA, a uma senhora de oitenta e muitos anos, que recebia benefício de aposentadoria rural, dinheiro para sustentar a sua família. Do coitadinho que já foi denunciado várias vezes a polícia por agressão pelos vizinhos. Do coitadinho que levantou a mão pra minha mãe e ousou a bater nela, ele não sabe o que é a Samsara. Ó coitado, será que nas vezes que ele pegava com força o braço fino da minha vó, berrando com um hálito podre de alcool pedindo dinheiro de que UM DIA ISSO NÃO IRIA VOLTAR CONTRA SÍ??!

Será que eu plantando jaca, eu colho maçã???!

E, depois desses anos, estou apto a me aceitar e a me perdoar pelo que fiz.

Estou apto a pedir perdão e a revogar toda a minha atitude ilicita contra minha vida e a vida de alheios e estou pronto a me permitir dizer aos quatro cantos, mesmo que o céu ou a falsidade me faça sorrir ou sofrer, os meus desgostos com o descaso, com a falsidade, com a falta de compaixão que me atingiam e atingem profundamente, de vários lados dos três ciclos sociais que um homem contemporãneo pode ter : FAMÍLIA, AMIGOS E AMORES. E sendo assim, estou apto a NUNCA abaixar minha cabeça e, a se preciso, morrer de fome a depender – DE NOVO –  de quem nos pisaram e ainda nos tratam com desdém… E que venha o Natal…

Estes três me puseram a ver. Estes três me subestimaram friamente. Estes três ciclos me trairam. Estes três ciclos FINALMENTE não existem mais e o que existe é um EU único, inclassificável e determinado, ao ponto que destruiu estes três para chegar a felicidade; A compartilhá-la quando ela pousar no meu ombro e a viver o que resta e o que me é determinado. Me comprometo a entender, apenas, pois o que for a limite do meu desequilíbrio eu simplesmente pego a minha mochila e saio; Com algumas roupas, livros e meu violão, assim como foi da primeira vez em que me separei.

Sou basto a mim. E o mundo começa de novo como no ano passado, mais sei EXATAMENTE de todos os meus limites e capacidades e vou com eles, como um brasão e um estandarte a minha filosofia, ética, moral, preceito, caráter e convicção do “que” é bom e mau, e de “quem” é bom e mau para nós. E de quem faz parte ou não da minha vida, porque sei que só vai me machucar as coisas e as pessoas que eu assim permitir que façam isso. O Self busca Gueburá (Caballa). Busca a força para retomar o que é nosso e reconciliar em força o que foi dito, escolhido E É DE PROMESSA NOSSA TER. E eu escolhi ser EU. Sem me importar com mais ninguém, exceto duas pessoas que fazem parte desse eu. Dona Jane.

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Mãe guerreira, que mata um câncer dentro de sí e minha filha Luiza – a qual dedico TODO ESSE BLOG – Que teve como minha herança toda a minha inocência, doçura e ingenuidade. Esse foi o meu DNA definitivo. A menina que não quer crescer que um dia eu fui e vejo agora nela, quando ontém fomos em um barco Viking e ela ficou branca de medo. Ela tem medo de tudo. Tinha medo de tudo na idade dela…

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Furou o pneu da bicicleta ontem

Aos meus trinta e cinco, todo amor e palavra de graça dou, a minha filha Luiza. Aos demais essa letra…

Quando cadavérico e em um estado avançado da doença a envergadura ariana desse gigante chamado Cazuza pediu PIEDADE a opinião pública.

“Ao incêndio sob a chuva rala” – aos absurdos que na tentativa de sobreviver tentamos fazer – aos miseráveis que viajam o mundo mas não abrem mão de oferecer um prato de comida sobre o muro ou de um molhe de couve de sua horta, essa letra, que sem ponto e nem vírgula mudo, pois é tudo que eu REALMENTE queria dizer em um blues:

BLUES DA PIEDADE – CAZUZA

Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo, derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com caras de abortadas
Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo
Que não têm
Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas mini-certezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia
Pra quem não sabe amar, fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada

Vamos pedir piedade Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem.

Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar os blues
Com o pastor e o bumbo na praça.
Vamos pedir piedade
Pois há um incêndio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade.

A essas duas, e somente essas, segue todo o meu empenho. Nada mais importa.

E assim, mais uma vez, me “despeço” de mim mesmo, pego minha mochila da trilhas e rumos e vou a um lugar desconhecido, mas me conhecendo COMPLETAMENTE.

Obrigado pela leitura e passagem.

E a mim, e a meu ÚNICO, amor…

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PARABÉNS PRA MIM E PARA NÓS!

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~ por Água para Plantas em dezembro 22, 2014.

Uma resposta to “X.:.X.:.X.:.V”

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