Letras – ou REnovo ou REvolta

image

Originalmente, esse post seria sobre meu questionamento do porquê escrevo tanto… Tenho achado que tenho escrito demais. No momento em que mais passei por um aperto eu não escrevi. Eu apenas tirava fotos.

Quando minha mãe estava internada, não conseguia dizer nada, não conseguia escutar nada e nem chorar… Engraçado que não houve uma cobrança minha por parte das minhas lágrimas e sim por mim… Parecia que aquele não era eu. Parecia que eu tocava em uma churrascaria e ao mesmo tempo me via almoçar inerte em uma primeira fila sem notar nenhuma nota. A única vez em que desabei foi quando escutei “A little Person” do John Brion e minha mãe ainda usava a bolsa do dreno após a operação da mastectomia. Chorei de urrar. Meu choro dentro de casa foi alto ao ponto da minha mãe levantar e chorar comigo. Isso não deveria acontecer, mas não segurei…

Depois de meses, minha mãe cogitava esperanças e no final do ano viemos pra cá (em Praia Seca) e praticamente passamos dois meses isolados. Minha mãe incrivelmente renovou a vontade de viver, mesmo com a saúde debilitada, se permitiu a pular a cerca de algumas normas do INCA.

Levei minha mãe na praia oceânica e ajudei ela a lavar a cabeça com a água do mar… Era como se tomasse um ultimo banho ou o primeiro de sua vida e após isso, voltamos pra casa.

Após esse banho, no dia seguinte ela se levantou e disse que queria voltar ao trabalho, com mais calma. Me emprestou cinquenta reais e falou que iria voltar pra casa e que esse dinheiro era pra eu me manter durante uma semana, pois esperava os materiais para a reforma da casa, que, só no final desse ano vai ser concluida. Mas, horas depois de sua saída, ela me liga no celular dizendo que “o material não viria e que poderia ir a parte da manhã a praia, se assim quisesse”, mas estranhamente houve uma fome de um vazio que hoje, enquanto escrevo esse texto, me vem a resposta de meu preenchimento.

Estava desempregado, recentemente um relacionamento havia me magoado MUITO, tinha acabado de ser dispensado de uma corretora gigantesca em Niterói… E contrário a minha mãe, inexplicavelmente sem esperanças, uma vontade de vida / morte me tomou de arroubo sobre as mesmas proporções e uma nuvem de pânico rondava naquele instante a minha cabeça. Não tinha como ligar ou me comunicar com meus amigos de pânico – norma e conduta adotada em quem tem crises de pânico, adotar amigos do pânico que são amigos que se estebelecem a falar uns com os outros em caso de crise – e, a sensação desse estado em um lugar amplo poderia ser doloroso e até mesmo fatal, e então, algo me moveu a trancar toda a casa e simplesmente sair – contar os níqueis na carteira, fechar a saída de gás, as portas e pedir ao porteiro que “não deixasse ninguém entrar dizendo querer vir aqui em casa “, e, apesar de estar com o carro a minha disposição, fui a pé.

Em pleno Janeiro do ano passado, decidi usar o único dinheiro que tinha e ir mochilando pela região dos lagos. Começei por Arraial, sem subir o pontal do Atalaia. De lá fui aos principais lugares.Arraial de dia, a noitinha pegaria um ônibus a Cabo Frio e assim foi minha peregrinação por toda a região dos lagos e adjacências.

A melhor coisa que inventaram a um mochileiro foi um mc china, para nós, a única certeza de provisão chegando a uma cidade é comer alí, com poucos trocados, não se passa fome em lugar nenhum do rio e vc pode se manter em uma jornada urbana com poucos trocados, pois meu dinheiro estava posto a peregrinar. Gastaria essencialmente para andar e era o que eu fazia. Andava praticamente dezoito horas por dia com apenas um lanche. Carregava garrafas de água na mochila, algumas roupas e quando parava pra comer – ATÉ EM BÚZIOS TEM “MÉQUE CHINA” – era estratégico lanchar vagarosamente, perto de uma tomada a ponto de recarregar meu celular, a qual registrei a viagem no Instagram, são poucas fotos, pois a bateria de um smartphone dura pouco:

image

image

image

image

image

Visitei todos os lugares que já tinha visitado. Andei em Búzios por dias, mesmo no dia da enchente que fez a cidade parar por conta das redes de esgoto que expulsaram os gringos dos hotéis, deixando as maravilhosas praias – como a da tartaruga – praticamente vazias e meu erro foi cair no canto da sereia de Búzios – fiquei dias a mais onde não deveria ficar, e fui recomendado a não dormir em nenhuma das praias, pois alguns caiçaras estavam assaltando turistas que armavam barracas na praia – a sorte, no final da noite, (pois não ví o horário do último ônibus para Cabo Frio ou Arraial) foi contar com a varanda de Seu Antônio, um pescador que me cedeu a varanda e um prato de pirão de peixe – que a fome o temperou como a coisa mais gostosa que tinha comido apesar de detestar pirão.

Seu Antônio era evangélico assembleiano. Falamos sobre a Bíblia e depois do pirão teve um culto em sua casa, que incrivelmente, veio mais pessoas com terno e gravata. Depois de alguns hinos da harpa que eles cantaram, ví um violão tonante escorado no canto. As cordas de naylon estavam velhas, mas afinei – o que me fez contar com a simpatia do irmão mais velho, que estava achando que era algum louco – e tocamos muitos hinos da harpa até que o último foi “Segura na Mão de Deus” – que mais tarde, meu amigo Leandro Freixo, iria sugerir a tocar em um show no beco das garrafas. Quando ele tocou no piano, lembrei desse dia e lembrei de como o filho do seu Antônio aprendeu a tocar comigo, sob a luz de uma lamparina aquela canção. No final do culto, a mulher de Seu Antônio disse que tinha visto um “espirito de morte” rondando por mim. Impôs a mão sobre minha cabeça e orou. Em seguida, fiz a minha cama e prontamente o filho de seu Antônio me cedeu um lençol e dois travesseiros e dormi umas nove ou oito da noite. Dormi tão bem e já tinha anos que não tinha um sono não-químico e acordei com os primeiros raios de sol sob a vista maravilhosa de um dos lugares mais lindos do mundo. A esposa de Seu Antônio queria me dar algum dinheiro, mas no mesmo instante, recusei.

E, por erros de cálculos financeiros, só contava com vinte reais no bolso – que só dava pra ir a Cabo Frio, então, com uma lufada de sorte, consegui colocar crédito especial no celular – morto e sem bateria, só conseguindo recarregar no Mc China – consegui entrar em contato com Clara, minha grande amiga de Cabo Frio e consegui marcar de encontrá-la em um show de graça do Rappa. E essa foi minha sorte, a minha grande sorte.

Encontrei com Clara pela primeira vez e parecia que já tínhamos nos encontrado – era a primeira vez mas assim que nos encontramos dissemos “que saudades” – que é sempre estranho e assim que sempre acontece quando nos reencontramos. Ela gentilmente me abrigou em sua casa, onde tive comida, teto, lavei algumas roupas e no final, ela me deu um abraço e antes cinquenta reais. A mesma quantia que tinha saído de casa. Clara me deu uma lufada de positividade incrivel e foi muito bom estar com ela. Temos uma ligação literária forte e tenho por ela uma gratidão enorme – especialmente por esse dia – e sou grato até hoje pela minha irmã-amiga.

Um impulso me fez querer retomar a minha jornada, mas, algo me dizia que era a hora de voltar. E a Esposa de Seu Antônio estava certa, igualmente a grande um “Espiríto de Sobrevivência” estava ao meu lado o “espirito de morte”, que me sussurrava que minha vida seria igual, que entraria em um psicodrama que me levaria ao cansaço e a desistência de tudo, e, durante a volta por Arraial no primeiro ônibus, esse espirito tinha voltado e me lavado sombriamente a subir todo o pontal do atalaia me fazendo me precipitar sob um precipício.

E ele me diz para pular. Seria simples. Bateria de cabeça no mar e sem dor todos os problemas iriam embora, mas, ao contemplar todo o oceano de uma vista sem fim do mar – a água, a qual dedico o nome desse blog, por uma mensagem enviada por Deus me disse que a vida era maior.

Via os barcos de pesca carregando suas redes cheias. Via no mar movimentos de vida, como a ave procurando o peixe, via de longe saltos que me pareciam de golfinhos ou peixes de grande porte e eu alí era pequeno. A vida era pequena. A minha vida era como “uma pequena rocha” a descrição de Joey de “Brilho eterno de um mente sem Lembrança” para o que seria a areia. Tudo continua e tudo se faz um ciclo.

E, em vez de pular eu desci o precipício e encontrei uma praia deserta, completamente virgem naquela manhã de água cristalina a me revelar que as tribulações de suas ondas haveriam, mas eternamente, contrariamente a minha vida, seria sempre água.

Me permiti tirar toda a roupa e nu a praia me permitiu brincar com ela. Jacarés, caldos, megulhos, ví a formação de cardumes sob a água cristalina e ao sentar na areia, tive um real encontro com A Pessoa que criou tudo aquilo e me disse que A VIDA É SEMPRE MAIOR DO QUE A MORTE.

Jackie, uma grande amiga que estuda Filosofia. Ela me convenceu no final do ano sobre a irracionalidade de um suicídio, pois a única prova concreta da existência seria a morte, sendo, completamente irracional ir pelo seu caminho antecipadamente, pois muita coisa poderia mudar e naquele instante, tinha feito um pacto com Deus que só retomaria depois de uma sórdida perda – procuraria todos os dias a felicidade e ajudar aqueles que também como eu a buscam e me libertei de todos os grilhões psicológicos de tudo que eu achava que me fariam desistir e escolhi viver ao extremo.

Após descer o atalaia, foi como a descida de Zaratrusta. Tinha Paz e eu me bastava. Minha família e toda a minha vida seria mudada e tudo seria diferente, mas, como em uma reformulação da Matrix, fui jogado a um adicto jogo anti-vida e me fez gastar tempo, oportunidade e felicidade.

Mas, hoje, no final desse ano, renovo esses votos. E as ÚNICAS coisas boas que guardo desse ano é o início, a oportunidade que meu trabalho como instrutor me deu em capacitar, encorajar mudança e dizer ao próximo o quanto eles poderiam vencer e melhorar, até que, em um ciclo de água estagnada, água adicta que me fez pausar esses sonhos e projetos. Mas graças aos Mestres da Luz, meus guias e MEU DEUS pude, mesmo que tardiamente, retomar meus sonhos, me libertar e ser feliz de novo. Retomo meus sonhos nesse final de ano e eles vão ser o meu FOCO a partir desse ano. E NADA, DESSA VEZ, VAI FAZER ME DESVIAR DELES E GRAÇAS A DEUS JÁ TENHO MINHA CABEÇA CHEIA DE PLANOS PARA 2015.

Sei que posso voltar a fazer minha peregrinação, a mesma que fiz ano passado. Mas desta vez, estou completamente em paz, vou conhecer pessoas diferentes e ir a lugares diferentes! E uma coisa fica: Nada abala e nenhuma maldade a porta bate áquele que vem em nome do bem:

image

E aí, volto as reflexões sobre minhas palavras…

Oito blogs apenas me seguem – até agora, pode ser que diminua. Meu máximo de visitas/mês foram quatrocentas – isso em um blog de um não  famoso é uma honra, bom, enfim, depois de dez anos – completados nesses anos e quase vinte de nome/domínio, outro dia comentando com uma amiga que escreve há dez anos também – oficialmente – ela me perguntou o óbvio, mas enigmático – Porque de tantas palavra pra gente? Porque a gente precisa dizer algo? Porque precisamos observar, observar e observar e relatar o que passa? Será que isso realmente passa? Pra onde vão essas palavras?

Jogo, em todos os posts, uma garrafa, não em um mar, mas em uma rede, que a cada dia, se torna cada vez melhor e mais interativa, pensei, mas mesmo assim, entendi o que ela quis realmente dizer… Porque essa culpa e vontade mista que a gente tem de dizer e escrever? Porque temos que escrever e traduzir essas coisas e culpas em somas, em súmulas, em partes do que poderia ser o óbvio… Em dores e reflexos de coisas que podem nos desgastar?

Precisamos sempre, em uma luta de afirmar nossa existência e como água me rego de minhas reflexões. Reflexos de ondas. De fome de viver o novo, mas o NOVO está agora sobre meus planos “novamente”. E escrevo a quem esteve em um inferno, o mais conhecido, aquele que mora dentro de nós. A redenção e a condenação vem de dentro e a vida lhe cerca para sorver e dar esperança – não a falsa, como se pregam os budistas – e sim a verdadeira, de se ver tudo positivamente e estabalecer que: Meus sonhos e minha felicidade virão agora em primeiro lugar.

Tomara que vc tenha sido regado com esse otimismo, pois também sou regado. Não sou otimista , mas gosto de repassar as coisas que a vida me ensina e sempre vem me ensinando.

E um bem quando é compartilhado sempre retorna com energias que nos beneficiam a entrar em equilíbrio e força pra vencer a sí. Essa é a nossa função aqui nesse plano – nos vencer constantemente e nos tornarmos melhores a cada dia e sempre.

Para 2015 retomo meus planos de felicidade. Na qual uma pessoa muito especial está inclusa, pois o Universo me uniu a ela com a mesma fome que tinha e tenho: A FOME DE TER UMA FAMÍLIA E SER FELIZ.

E esse post pode ser o último de 2014, e fica, em homenagem as Inhabás, sobre o REnovo que trazem as águas. Pois somos todos plantas aos Seus Pés e precisamos ser regados todos os dias – Água para Plantas.

Paz, saúde, FELICIDADES, PROSPERIDADE a todos os meus leitores.

Que assim seja e se cumpra!

Rodrigo Vieira Serra

“Tudo tem um lugar. A base, o fundamento de tudo, é o mesmo. Quando você olha para o oceano, você vê diferentes tipos de ondas, muitos tamanhos e formas, mas todas as ondas têm a água como seu fundamento e substância. ” – Thich Nhat Hanh – Monge Budista

Anúncios

~ por Água para Plantas em dezembro 9, 2014.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

 
%d blogueiros gostam disto: