Mea-culpa

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Não posso deixar de ser eu mesmo, afinal, nunca amei o que não me pertencia
E sempre chorei por mim, calado, de dentro pra fora…
De tal modo, confuso e trêmulo que minhas lágrimas eram o teu suor
De tanto correr de mim, de medo, do sereno
E por tanto sofrimento tive medo de mim mesmo

O olhar fraterno do padre ao pastor…
Me impondo regras, rezas que não cobrem o terço de choro
Que cobre meu peito enferrujado de tanta lágrima e dor
O mecanismo da amizade à lira tocada por orpheus
Por tudo isso juro, não senti nada de fora que não fosse realmente meu

Meu quarto, minhas coisas, meus esquadros e compassos…
Era a ponta mais afiada que reclinava e cortava o braço, fundo e rente
Rente pelo rasgar e fundo a não sentir a grafia, cuja rapidez meu dedo redigia

A elegia dos porcos, a reunião de canalhas
Vai até a confraria dos machos e se desdobra pelas dores dos fios desincapados
Pela flor de oliva, pelo junco da peroba, pelo inútil escriba, pela paz, pela horda e o coro da maçonaria que eu, precisava e presentia que toda a paz nos aconteceria
Mas
Agora
Percebo
Era um bem de mim que eu mesmo assim desconhecia…

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~ por Água para Plantas em maio 2, 2013.

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