Qual foi sua boa e primeira memória?

Qual foi sua boa e primeira memória?

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Dia dos Pais…

Em um prático exercício de memória, em um dia que seria “especialmente para mim”, me divaguei, longe de meus problemas pessoais a lembrar de uma letra do cancioneiro gospel onde uma menina diz: Quero trazer a memória aquilo que me traz esperança; em um exercício praticamente sem nenhuma função ou causa, fui tentar trazer a mente aquilo que eu achava que seria a primeira memória.

Creio que a primeira memória de todo ser humano, a primeira em que todos “deveriam” se lembrar, seria uma memória dolorosa, onde os pulmões se esvaziam de um ambiente aquoso para um ambiente onde o ar tomaria primeiro, e em um grito, os pulmões ainda colados, se rasgariam com a primeira lufada de ar, como aquela primeira lufada em que Deus sopra em Adão e lhe da a forma final de ser humano – muitos interpretam que ali, Adão realmente passou a ter espirito ou alma. Como Adão, somos pegos desprevinidos e enchidos com um “ar” que era diferente, respirávamos uma água, um liquido precioso no ventre que nos impedia, pneumáticamente de qualquer arranhão, qualquer evento que pudesse nos comprometer e nos causar algum tipo de dano, a água, esse elemento importante, nos moldava como um pequeno barro no ventre até se formar sólido e esse sólido iria nos comprometer a sair da água, como uma espécie de evolução Darwiniana. A primeira de todas as memórias é dolorosa. Temos os pulmões rasgados pelo ar e pela evolução e urgência de sair de um lugar onde não é mais nosso, pois o “matre corpo” nos expulsa e nos eleva a primeira mudança, mudança que é tão dolorosa, que por um “capricho” natural nos faz esquecer da primeira de todas as coisas; lembrar das dores da PRIMEIRA MUDANÇA.

Mas ainda sim, me peguei por uma hora, sozinho, enquanto minha filha se entretia com um computador a tentar lembrar, mesmo no dia dos pais, a primeira memóra,  e por incrivel, consegui ter certeza e lembrar: Me lembro claramente de um balão. Lembro do cheiro de cigarro e alcool, aroma habitual que sempre tinha e que sempre me recordava de ter, lembro da textura de seu corpo segurando o meu enquanto subia, alçando os céus, o balão amarelo e vermelho, que tentava ao mesmo tempo subir e bater no prédio, como se fosse entrar pela janela do meu apartamento.

Morava no quarto andar de um prédio na periferia do Rio de Janeiro, mas precisamente em Alcântara, São Gonçalo, município que até a execução desse texto ainda me cituo, e na rua de baixo, creio que homens armavam a casamba e o bojo de um enorme balão pião, coisas que algumas gerações não creio que nem chegaram a ver sendo lançado – se tornou uma modalidade muito perigosa  e muito arriscada nos dias de hoje, uma arma de gás no céu que poderia cair a qualquer momento ou entrar, com sua armação feita de vergalhões  e papel de seda, em uma turbina de avião e matar todos a bordo. Mas a primeira boa memória foi a de um lindo balão pião que subiu rente a janela onde estava no colo do meu pai – que mais uns dez anos a frente, iria sumir da minha vida, como o mesmo balão – lembro de ter esticado as minhas mãos pequenas para tentar pegar o balão, minhas mãos eram gordinhas e os dedos mirrados ainda de um  bebê, mas com encantamento e curiosidade, esticava-as para tentar segurar “aquela coisas enorme e inexplicável que subia a alçava os céus para onde eu nem saberia onde iria parar”, mas o balão me causou um encantamento que me colocou e inaugurou a “tábula rasa”, onde os Socráticos diziam que era a mente a ser medida e gravada para gerar o mundo de todos os referênciais as coisas do que seja o ser cognitivo, mas se  nos embrenharmos muito nessa questão, do cogito, entraremos em uma seara existencialista, onde há uma lógica ciclíca onde o sou é o que é o ser, e talvez, como não poderia mais provar, quando não existem as peças do quebra cabeça a se desmembrar e a descobrir, tudo passa a ser  volátil, pois meu pai não está mais presente a dar veracidade e isso só existindo uma testemunha desse balão, eu mesmo, achando que ninguém que o tinha soltado estava realmente preocupado com alguém que tivesse tentando segurar o mundo, como um pequeno Atlas, quando aquela enorme coisa vermelho e amarelo voava, pois as coisas-cores que voavam, entravam na minha cabeça como animais ou se despediam da minha memória porque não tinham uma consistência em questionar o que era, mas aquilo, a coisa vermelho-amarelo que voava, era uma interrogação a minha racionalidade: Não era vivo, não era um animal, mas voava e tinha uma personalidade forte, pois parecia ser indomada, porque outras pessoas debaixo tentavam colocá-lo ereto a alçar o voo corretamente, mas pela força do fogo, fugia as mãos dos homens debaixo dele.

Até hoje minha mente não entendeu como aquilo pode ir até a minha janela, não tinha o formato e nem a estrutura de nenhum balão que eu ví até hoje, pois  era torto, tinha vontade própria e não queria ser “seguro”, em termos individuais ou e realmente segurança, queria alcançar os céus e se permitir ser livre, até hoje, não achei outro balão como aquele e o mesmo assim o fez em minha mente porque desafiiou o conforto e a realidade do meu quarto, do meu colo, do meu apartamento em que, algo maior do que uma janela poderia me alcançar e estrapolar as núvens e ser, maior do que aquele que me dava apoio alí naquele momento. Poderia ser muito pior, era uma sensação de não entender o que via.

O questionamento inaugurou meu pequeno “disco rígido”, e ficou alí até hoje por se tratar de um questionamento que se transformoum em “houve um balão”, ou “ouve alguém que o soltasse em pleno centro do Alcântara” ou “seria o balão uma analogia criada pela minha mente a me iludir de uma outra memória drástica e mais dolorosa do que seria uma memória boa?” Sim, o balão tinha voado da minha mente  e entrava no campo do meu ego, da minha psiquê e me questionava severamente se era táctil ou uma atitude ardilosa do velho “malin geníe” Cartesiano.

O Balão se tornou um problema existêncial, pscicológico, comportamental, indivudual subjetivo… Daí eu lembrei que; De alguma forma ele existiu e existe, a me dar um alívio aquilo que realmente foi bom, porque assim eu direcionei a memória: Tão pouco me importa agora se foi real ou não, era a coisa boa a priore de tudo, uma hora eu me lembrarei que aquele “gigante amarelo e vermelho” desafiou a minha mente se existia ou não, mas era a alegria presente a me segurar que o imaginário poderá, sempre ser a minha mente feliz, não importa o quanto a minha vida, aquele balão, real ou não, alçoou voou em minha vida e descolou a minha mente a questionar o porque do voar, o porque voava, o que fazia não ser um animal e vermelho e amarelo… A fisica me diria mais tarde o que “fazia” aquilo ser um balão, ou o balão ser não um animal, mais uma coisa que realmente voava sem ter personalidade alguma, sem ser vivo, tinha alí vontade própria a conseguiu passar por minhas mãos e ir embora, ser feliz em algum lugar e me trazer, segundos em minhas mãos, algo de extraordinariamente feliz, não tão real, mas extraordináriamente feliz, estava quando ví e lembro, como uma fita a rebobinar eternamente em minha mente do gigante vermelho-amarelo, que  voava e dasafiava a minha lógica de segurança. O Balão não era mais um problema, e sim uma solução, uma boa memória, algo que realmente seria sempre, inquestionávelmente um balão, era algo que seria sempre uma boa memória e nada, nem a razão mais pura ou a lógica mais ácida, como um crente eu creio que em minhas mãos, a poucos centímetros, passou um balão pião e vermelho e creio nisso, com a força de uma esperança que os piores momentos de minha vida, assim como os piores, irão passar com a força de um balão vermelho e amarelo que vai se tornar algo diferente, sempre, a minha vida vai ser diferentemente daquilo tudo que eu possa imaginar ou puder sonhar, porque, a transitoriedade de tudo é sempre muito relativa, assim como podemos criar deuses ou seres de outros lugares…

As boas memórias são como o presente: Não a realmente uma prova de tudo, um ser á prova de tudo; ou estamos sempre às duras penas com as provas, sempre somos testados e coagidos a sempre sermos os mesmos? Ou mudamos? Ou não? A miríade de toda essa diversidade estava dentro de nós o tempo todo ou a vida nos muda? E se TUDO for tão real quanto o BALÃO QUE CREIO?

Bom, acredito que tenha visto, em minha primeira boa memória, um balão pião amarelo e vermelho, passando na janela do meu apartamento a centimetros de minhas pequenas mãos, mas a verdadeira questão é: Qual é sua primeira boa memória? A onde voa a sua mente?

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~ por Água para Plantas em agosto 15, 2012.

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