A pequena estória de meu estranho desaparecimento… – Conto

Não há nada complicado nisso, eu realmente achei que era estranho, mas aconteceu e há uma explicação de como aconteceu, eu estava no sofá e pude, sim eu pude ver tudo, na hora eu ouvia Astronomy Domine do Pink Floyd e sim, me lembro claramente de tudo – Parecia uma bancada de coletiva, algo do tipo, não via bem. Avistava de longe o pouso dos helicópteros de noticiários e toda uma parafernália de buscas na minha frente, mas ainda, ainda não era o começo de tudo, mas tinha sentido a minha ausência antes, enquanto eu estava em um ônibus lotado… Lembro de uma frase de pica-pau de quando ele acertava do Doutor Rancho-Crute, o mesmo dizia – Sinto informar aos demais pacientes, mas o doutor não está mais aqui.

– Ninguém entende isso, afinal de contas, é um desenho infantil, e muitas coisas não iríamos entender mesmo, são preciosas pistas que poucas pessoas podem ver, é como o pênis no filme de Tayler, ele coloca porque sabe a quem vai realmente machucar, e esse roteirista colocou porque sabia que eu iria entender, foi pra muito poucos, ou só pra mim… – Dizia eu me olhando, de cima pra baixo antes de fechar a porta.

– Como…? – Minha cabeça nauseava por completo. Ressaca.

– O Doutor se despedia da razão, a lógica… Não percebe porque é um diálogo simples, quando ele afirma isso para um pica-pau, um pássaro louco, ele afirma a própria ilógica, ou dislexia, que ele se despedia de um mundo racional, deixando a espera todos que poderiam, em sua sala de recpção, a todos que pudessem necessitar de sua lógica, e é exatamente isso que eu estou fazendo com você agora. Você ultrapassou certos limites comigo, me esqueceu demais, e assim, como você fez com a sua ex-mulher, estou fechando a porta, estou dando as costas a você porque, contrário dela, deveria ser a coisa mais importante de sua vida, deveria eu ser o seu verdadeiro átimo e razão para tudo acontecer, mais não, sempre tinha algo entre a gente… Vou ser melhor sozinho, sem você, o lado canceroso que sempre me deixou pra trás e me enfraqueceu. E com isso conseguiu me separar de você, ou eu ou você demos a pancada de um pica-pau pra isso acontecer, mas creio que um simples par ou impar resolveria essa decisão, não existe um caso de dupla personalidade aqui Doutor, não existe e não faça desse ou disto uma leitura óbvia a sua inteligência que teima em subestimar tudo que lhe cerca, você não sabe absolutamente de nada, porque é um universo particular, que compartilhamos durantes anos, portanto não existe a possibilidade de uma dupla personalidade, Senhor Serra, porque eu estou realmente PARTINDO, indo embora e você deve e vai realmente ficar por ai… Fica nessa, babaca …

Blam!

E assim, me despedi de mim mesmo.

Há dois dias atrás, ou três, me ví colocando um sapato de vinil preto, uma calça jeans que não me era costumeira a uso e abrí a porta. Não vestia uma camiseta porque não tinha mais vergonha do meu corpo, era apenas eu, uma calça jeans e um sapato de vinil preto. Nunca tinha me visto propriamente, nunca tinha esse olhar ou ângulo de abstração fotográfica a me conceber daquela visão, como se minha cabeça se dependurasse sobre uma ressaca no sofá e pudesse, com total pitoresquice que minha alma vaga, ver meu corpo, desprovido de qualquer preocupação com uma cabeça no meio de uma ressaca a olhar-me saindo altivamente de casa. Estava entrando ou saindo de um mundo que não me pertencia, aquela visão do ser saindo era como a de Nietsche a ver Saratrusta descendo radiantemente o monte para proclamar palavras de salvações antológicas? Sim, tinha um pouco disso, mas esse Saratrusta não queria mudar ninguém, apenas desceu o monte e foi embora. Pendia ou pensava a minha cabeça no sofá? Real era o camaleão que via saindo, arrumado e de um jeito andrógeno ia embora de mim, querendo que eu fosse, mas eu estava tão ocupado ou realmente chato a se levar ou ceder ao rumo da rua – mesmo rumo que pode ser a perdição – a ir com ele, que era comigo, que era eu? Mas era eu saindo e realmente me deixando, indo embora pra nunca mais voltar, essa era a minha destemida atitude.

Era uma alma pronta a ir ao baile. A ir a uma festa. Era uma alma pronta a ir passear e devidamente perfumada para tal. Perfumada com perfumes mortuários hindus, suicida era a desbravar uma noite.

Era uma pessoa alegre a sair, saindo apenas, despreocupado de tudo, apenas abrindo a porta e indo embora, me deixando com descaso, apenas saindo sem destino, mas arrumado e de uma beleza linda e estranha pronto a estrear e estar com a vida. Poucas vezes me vira tão vistoso e disposto a cruzar a minha porta e ganhar a rua, depois, umas breves cutucadas a tentar me acordar, e desde três dias atrás eu por completamente, não me achei mais. Ganhei a rua e uma direção estranha, e nunca mais voltei pra casa.

– A ultima vez… Pergunta difícil doutor…

Bom… a última… eu tinha visto cantando num videokê…

Não era mais.

Era uma barba por fazer. Uma reunião que não tinha ido. Uma hora marcada. Um compromisso a ser feito. Um compromisso que tinha esquecido ou que realmente deveria ir, era essas coisas, e por um rompante, um desespero, coisa realmente sem nenhum tipo de explicação ou lógica, um rompante e sinceramente um áspero aceno a ninguém e era agora uma saída. Eu tenho que achar uma saída. Repetia como uma cotia em um canto com medo antes dos três dias atrás, procurando desesperadamente esse nome; saída, que hoje venho me perguntando: “Que rumo este que eu tomei que me deixei por completo, saí, sequer aceno me dei, apenas abri uma porta, a porta de casa, a mesma casa velha que abrigou minhas tias e primas quando novas, essa porta, que nada deixei escrito, porta mesma que nem deixei aviso?”

Abri e depois fechei.

Sinto informar aos demais pacientes, mas o doutor não está mais aqui.

Um gesto prático e completamente automático fora de uma circunstância real que pudesse preocupar qualquer ser humano ou indivíduo: Fechou e abriu uma porta em um dia seu delegado, não disse nada a ninguém, as pessoas viram ele andando na rua, falou normalmente com todos, entrou de costume no ônibus que sempre entrara, e não voltou, disse minha mãe ao delegado. Coisa que até mesmo diria o pai de Kafka ao mesmo, cada um em seu respectivo papel de importância na história. Não achei errado que tenha feito isso – reiterava o depoimento, após uma careta e o catuque de costume que tomei e tomo de minha mãe quando falo coisas reprováveis aos outros.

Lentamente, as pessoas do trabalho passaram a notar a minha ausência, pois não ligava há três dias e essas pessoas se perguntavam onde eu havia estado, trabalhavam demais, a minha ausência se deu quando meu trabalho pesou, quando meu trabalho foi demasiado a perceber que eu realmente não estava ali, mão necessária a prática do mesmo que estranhamente foi dispensada e perguntavam onde havia parado o filho da puta que era, porque deixara um serviço acumulado de dias incompleto. Se perguntavam as pessoas e o chefe, que já rifara meu cargo com alguns chacais de departamento: “Quando uma pessoa pode ser demitida por ausência no trabalho sem justificativa?”, se refiria ao D.P enquanto eu simplesmente não aparecia e sequer ligava a qualquer outro ser humano. Na porta do meu trabalho, um homem falou com um amigo meu, pensei que fosse outra pessoa, mas me surpreendi quando minha boca meche e de longe me observava ao telefone falando coisas que me abominavam, mas com estranho, profundo, interesse e prazer de falar aquelas coisas que não tinham sentido nenhum pra mim. “Será que foi por isso que fui embora”?

A idade de Cristo…

Existem trinta e três recados em sua caixa postal

Primeiro recado;

(…)

Filho, sou eu sua mãe. Estou te ligando por causa da prestação do seu celular, a mãe da sua filha tem vindo na minha casa me perguntando da pensão, eu não sei mais o que falar e Luiza estava querendo ver Vingadores no cinema. Me liga pra gente resolver essas coisas tá bom? Aparece, por favor…

(….)
Próxima mensagem:

Achava estranho, pois eu simplesmente notava que andava estranho, eu simplesmente sumia na rua por horas e notava a minha ausência a cada minuto e segundo quando eu passava do meu horário habitual, me esperava com um desespero total e completo a voltar desse compromisso que pouco sabia quando na veneta eu o tinha: “Isso deve ser uma crise, rapidamente iria passar, pensei. Mas não. Por completo, me arrumei sem mala e sem mochila, simplesmente, como em um desligar ou ligar de um interruptor, eu apenas sai de casa, dependurei o meu chaveiro na minha calça jeans e saí.

Já tinha experimentado tal sensação ou algo do tipo, quando no carnaval, prestes estava a fazer parte de uma agremiação de escola de samba, eu realmente sai da concentração e vaguei estranhamente por ruas, mas isso nem a minha cabeça viu, porque assim como foi na porta, eu tinha me despedido de mim, mas não claramente ou com completa consideração a mim mesmo que me deixara, sequer tinha dado algum aviso ou sinal que me ausentaria de mim por algumas horas…. Não, não tive essa lisura e educação para falar tal coisa ou dizer claramente tão sandice! Mas dessa vez, fui sincero, polido e educado, pois me despedi e avisei que sairia e talvez sequer voltasse e isso realmente não foi contado, não foi contado não a pôr a dizer e sim de se pôr a conta, pois aquela tinha sido a primeira vez que tinha realmente fugido de mim mesmo.

Acordei no dia seguinte com a fantasia completamente rasgada, estava no chão de uma loja ou galpão de ponta de estoque de móveis e pude, sentir o meu corpo, depois de ter me abandonado por horas, depois de ter fugido e sequer ter tido consciência ou noção de onde eu tinha parado, por onde eu tinha começado aquilo tudo e por onde ou como eu tinha parado ali, deitado e completamente desprovido de vaidade ou culpa – Era apenas um corpo cansado querendo realmente descansar a se esconder de um sol que vinha sem culpa também a esquentar o meu corpo, que ainda me via com pena e deitado, largado e desprovido de tudo até de mim mesmo. Mas realmente, dessa vez era diferente, pois tinha me visto elegantemente arrumado e acenara a mim como despedida, e me via por completo a ir embora a ganhar as ruas, e tinha deixado, parte por completo, eu mesmo em casa, para que não houvesse nenhum dano, escândalo ou dúvida de que realmente era eu mesmo a sair pela porta e deixar tudo.

– Há quanto tempo não o vê?

– Três dias…

– Só agora a queixa, porquê?

– Só dei falta de mim há três dias atrás, quando as coisas acumularam, e a pensão venceu sem dar o retorno. Ele paga mensalmente a pensão de sua filha sabe inspetor? – minha voz embarga e de repente tinha a voz da minha mãe…

Estranhamente entrara em uma prédeterminancia a desaparecer por completo quando tomava caminhos e rumos diferentes do trabalho, quando ia a lojas de músicas, conversara com artistas de rua procurando a mola mestra que fazia algo chamado arte a brotar do nada como expressão, essa força, chamada arte, há muito tempo me encantava, e recentemente me via distante a divagar, enquanto cuidava das coisas mais práticas e habituais, como me lavar, escovar os dentes, procurar outros empregos, enquanto me via esvaindo indo e voltando pensando em outras pessoas, e estranhamente, sentado, me vi no dia das mães a cantar estranhamente em um videokê. Eu me via sempre calado, a olhar as coisas lá fora, os sons, os tons de verde, as cores nos anúncios anunciando um tempo que não passava pra mim, um salário que no outro mês não daria pra comprar… Me via desesperado a andar nessas coisas, por de trás de um balcão e de uma vitrine a olhar as coisas a desejá-las querendo ardentemente tê-las. Mas era o limite daquilo tudo, mas meu mundo ficou completamente melhor quando tinha dado o meu anseio, via aos balões esses pensamentos do alto topo de minha cabeça…Acho que de tanto sobejar a tudo, vi que minha saliva poderia me matar e por uma atitude de auto-preservação, decidi ir embora, deveria ser isso…

Me via indo e voltando de pensamento a ação, me apagava e era um outro e me perguntava de como existia no mundo uma falta de sensibilidade, que criava uma invisibilidade de outros seres humanos para com outros seres humanos e fazia os mesmos se esquecerem de uma infinidade de outras possibilidades e pessoas pelo meio do caminho, caminhos que se entrelaçam e envolvem outras pessoas, que não precisam ser feridas com a falta dessa sensibilidade, mas um dia, dizia, vou me vestis com essa capa, que nem a chuva vai conseguir me pegar ou ver, quando saindo eu me distraísse com a rua ou com as pessoas que andam mais distraídas, eu realmente me permitisse me perder e não voltasse mais, quando lembrava dessa frase: “Um dia me perco e não volto pra casa”, eu lembro que várias fases de minha vida, lembro de quando comecei com dez anos a voltar pra casa sozinho, quando voltava a Bangladesh, despovoada por um furacão. Pensamento esse, eu me lembrava com bastantes freqüência.

Eram pensamentos que povoavam a minha cabeça antes dos últimos três dias a desaparecer…

(….)
Próxima mensagem:

Aqui é seu chefe.
Olha, já falei com o D.P e o pessoal aqui ta esperando, sabe o que me deixa mais puto? É a oportunidade que as pessoas estão perdendo na vida e a falta de consciência, a sua mãe já teve aqui uma porrada de vezes me perguntando por você e a gente não sabia o que responder pra ela… Realmente, nem com a sua mãe você tinha um compromisso e uma consideração. O D.P está esperando uma resposta minha pra eu decidir o que eu faço da sua vida, estou segurando essa por causa da sua filha e por causa da sua mãe que já veio aqui não sei quantas vezes chorando e perguntando se você já tinha voltado, toma responsabilidade caralho e apenas (…)

Fim da mensagem.

(….)
Próxima mensagem:

Por muito pouco um tablet e olhava procurando por notícias de mim em uma pequena geringonsa tecnológica de uma menina que tinha conhecido há três dias atrás… Engraçada, menina nula, era um sujeito completamente oculto nessa história, se eu tinha me perdido, se era o real sujeito oculto nisso tudo o que dirá o nome desta garota em minha mente confusa, o que dirá essa tecnologia de hoje e as pessoas de hoje em dia, hein? Hein?

Ela deixou um recado coletivo achando ter correspondido ou dado a resposta da dicotomia sincera do que seria a minha alma, mas seria só se a mesma, fosse descolorida em uma água sanitária barata de tirar bolor e de um destoar atípico dessas pessoas, como uma lata de sardinha rubi, aquela fábrica que fede quando a gente passa por ela no ônibus, quando, no meio de um caos robótico e completamente mecânico, onde a sua alma não se perde, ela se condensa não como matéria hetérea e sim como o leite condensado vencido, lugar que a menina queria colocar a sua alma, o lugar em que ela queria colocar era esse um lugar muito escuro e sujo. Era um lugar desabitado e desavisado que a transloucada assexuada queria te colocar em uma frase coletiva, como o coletivo de todo dia que te faz sentir um agente cancerígeno à voltar para alimentar um linfoma que tem nome de um município medíocre, que abrigam pessoas, como esta ou como era eu, quando eu aqui me dizia ser o “alimento de um gigantesco câncer, que assolava a querer matar o rio com inundações de engarrafamentos, essa era a ação nociva do que era estar “preso” em um coletivo, como no Facebook ou em qualquer ônibus da viação Rio Ita”.

Sinto informar aos demais pacientes, mas o doutor não está mais aqui.

– Do que o senhor está rindo?

– desculpa inspetor… Pouco antes de partir, eu me lembro dele se queixando de como era estranho o quanto tentava se lembrar do nome da menina, ele ficava realmente confuso quando tentava lembrar, ele riu de uma frase frita e coletiva que ela o tinha colocado em um coletivo, sabe, parece um comercial?

No segundo dia, as pessoas, entediadas pessoas, apenas se entreolhavam e faziam fofocas, depois de falar da nudez roubada da menina da Globo ao idiota que não via a pouco tempo, diziam entre eles mesmo, a gente até queria ligar pra casa dele, dizia a moça com um adesivo cristão no ombro de seu pullover, mas a gente tentou, mas a gente esqueceu o nome dele sabe? Tem é muita coisa dele aqui pra fazer e o pessoal anda meio irritado com o serviço que ele deixou pra fazer aqui, e o chefe, já ligou pra ele um tempão e nada dele aparecer… Que coisa né? Como é que uma pessoa, que tem uma filha, pode se prestar a fazer uma coisa desse tipo… Eu fico me perguntando o porquê da pessoa se prestar a esse papel de faltar e não avisar…. Rapaz novo, com filha pra criar…

De novo entrava no setor, atrasado, mas como não vinha mas, era uma massa de coisas só… Meu chefe me chamava.

O olhar da raposa esperando a outra para comer a presa, os desvairios de todos os loucos, enquanto eu me aproximava eu sabia o que ele iria dizer. Sinceramente poderia colocar e escrever na minha mente toda a falaria escrota que iria me cuspir, poderia de ante-mão escrever um livro com todas as faltas e olhares canalhas que ele me desferiu, e como um relacionamento masoquista, eu simplesmente tinha que sorrir, delicadamente sorrir para ele e esquecer que eu estava alí sendo comido, prestes a ser esculachado… Minha mente deveria estar no nepal ou seminua vagando em algum outro lugar, apenas olhando a praia em Paraty e tomando uma cachaça que simplesmente parece ter o gosto de uma água quente caramelada… Deveria ser assim sempre.

– Notícias?

– Nada. Tentei ligar pro meu celular e estava dando caixa

– Bom, eu já não tenho mais o que falar com o D.P, eles estão me pressionando, e realmente vou ter que dar a sua vaga pra outro, tem um tempo limite pra se avisar realmente quando não se vai voltar, ai rapaz você sabe como é que é…

– A velha estória: Primeiro uma intimidação repressora, depois um falso interesse e a real cravada final, a velha premissa: “Sou bom em te manter em seu salário de fome e que deus lhe pague”

– Como é que é? – No final da frase, destoei a voz pra distoar do deboche a pergunta, mas já tinha deixado escapar.

– Não sabe não? – Acho que ele percebeu – Então deixa eu te explicar. Tem um tempo em que o funcionário da empresa deve avisar a mesma até quando vai a sua ausência, se não é justa causa meu amigo…. Há três dias que eu estou ligando pra merda do seu telefone, e estou deixando recado na sua caixa postal, estou te mantendo no emprego porque você tem uma filha e a sua mãe, bom a sua mãe é uma guerreira, ela vem aqui todos os dias perguntar por você, ela aparece aqui todos os dias perguntando pra quando você aparecer ligar pra ela e você ainda não sabe como é que é…

Simplesmente abaixo a cabeça e entro no velho esquema medo, culpa, raiva.

– Estou te mantendo aqui porque eu não sei… Realmente não sei mesmo, mas vou segurar as coisas por um tempo, fica tranqüilo, eu sei que é um momento delicado na sua vida, isso realmente eu sei que é uma coisa que é atípica, mas eu realmente estou sendo muito precionado e… ( daí pra frente, eu tentava lembrar, mas a minha mente parece adiantar e me levar até um monte, onde estou radiantemente andrógeno e com vestes de açafrão a entoar mantras como Rosebud ou Motherlode)

Pensava que poderia haver um código, que se fosse corretamente digitado, iria colocar misteriosamente dinheiro em minha conta, como os cheats nos Sims, realmente eu pensava nisso. DEVERIA haver algum mantra ou algo que do nada simplesmente descesse e me ajudasse – Não poderia conceber o sadismo de deus, me criar a ser uma pessoa entediada e simplesmente, simplesmente feliz, a simplicidade da felicidade é uma coisa entediante. Simplesmente feliz não existe. A felicidade pra mim era um fator de combinação de complexas coisas agora, depois que realmente tinha me deixado, a felicidade era uma soma de não problemas com satisfações diversas e de coisas que eu realmente poderia ou não cuidar. Tive medo muitas vezes até agora, sou um poste chamado medo, e sinto raiva por isso, mas sinceramente a minha mente deveria voltar agora pro meu trabalho, mas penso em como seria bom pra minha mãe eu aumentar a minha barra de satisfação ou mudar a minha postura de “sonhador” pra “empreendedor compulsivo” e de repente a minha aspiração fosse em ganhar dinheiro, como nos sims, e as coisas simplesmente seriam resolvidas e contadas como uma simplicidade mágica.

Mas volto ao trabalho.

Eu ainda procurava por mim no meio disso tudo e via as pessoas: Pessoas que eram criadas de si mesmas e escravas de sí também. Tinham se apaixonado por elas e pela vidinha que achava estar certas de estarem seguindo e se guiavam pela culpa ou pelo medo de não sair de um trilho imaginário que tinham traçado, alguém, quando muito criança, falaram da máxima que a missão de um ser humano se consistia em: “Crescem, reproduzem-se e morrem”, mas uma grama faz isso com completa e total perfeição em sua estrutura linear de crescer. Eles queriam crescer como uma grama ou uma planta, de uma forma linear a dobrar a natureza do que é natural como deixar a vida ser corrompida por um acaso que muitas vezes queria dizer olá, eu sou Deus, ou até mesmo por esses acasos que querem nos transtornar, dizer para esquecer tudo e realmente largar o amargo e viver levemente uma vida doce; não havia nada doce a ser dito, pensado ou falado. A vida sempre foi ditada e regrada aos seres humanos medíocres por três sentimentos: Medo, Culpa e Raiva. Esses três sentimentos ditavam aos mesmos como conduzir as suas vidas, pai, filho e espírito santo incriados a direcionar os mesmos a uma rede medíocre de sentimentos vazios e mesquinhos que não cessam e não param de rotacionar em um ciclo como um produzir, desenvolver, conceber e agir constante e não importa se cresceriam como grama ou se esbarrariam e quebrariam os acasos, como se não fossem importantes ou como pouco fossem em suas vidas, porque mais importante que é planejar uma vida inteira é o acaso que nos acomete a vida, a insone inconstância e inconsistência que temos ao explicar a importância do acaso se esbarra na tentativa de Yung nos explica a importância da Sincronicidade nos nossos dias.

(…)

Próxima Mensagem:

Amor, sou eu…

Já tentei te ligar, tentei falar com você mas eu não estou conseguindo, como eu queria que você entrasse em contato comigo… Me sinto tão sozinha e preciso de você aqui comigo porque sem você eu não posso viver… Preciso de você comigo, sem você eu não consigo viver ou respirar… Me liga, estou desesperada…. te amo…

(…)

Próxima Mensagem:

A culpa os levava ao medo e a Raiva era um engarrafamento que vinha da perimetral até a largura de toda a praça da Bandeira, depois o medo de não fazer a comida pro marido, depois a culpa de ter tido filhos, depois a raiva de ter ouvido em silencio do marido, depois o medo de perder o emprego… Uma estrutura reticenciosa que levava aos montes, a roldana da mediocridade, a engrenagem de uma samsara que nos colocava e não nos santifica, nos pobres zumbis sociais, pessoas que andavam e comungavam dessa trindade, dessa divindade que era recarregar o medo e o celular antes de ir pro trabalho.

Mas essas pessoas medíocres o feriam, o que mais o deixava irritado era como a sua alma ainda se exprimia e deixava a perceber a essas pessoas, esses zumbis forjados por esse arco trino que feria minha alma a flexadas, inúteis flexadas, que me tiravam da órbita do que seria a minha alma, se tivesse ela um eixo, astro rei ou frase de efeito a ser traduzida em um programa barato de rede-social. A resposta era, porque tudo que vem do hétereo, e não do que vem da internet. Amontoados as pilhas os vemos a voltar como carne já morta dependurada de um frigorífico, mas o mesmo, devidamente ar condicionada, é chamada pela carne de coletivo ou condução pública. Eu, tu eles medíocres. Todas as pessoas a entrar no reto em um caso que era uma roldana cíclica a nos fuder o pão nosso de cada dia, que deveríamos sempre agradecer, mim gado, tu gado, ele gado…

A massa, como uma lagarta brilhante, era vista de um outro corpo com uma brilhantina que incomodava o seu pescoço. Era um clown deitado em uma loja de ponta de estoques fechada. O clown via essa lagarta se desenhando por um braço que era um corpo, uma artéria de um outro corpo, a se estender como uma linha, uma bela poesia do que era as luzes dos carros, os cenários dos corpos, todo abrigo de toda uma falsa irmandade emanava daquele descaso. Daquele corpo morto, daquela mulher sagaciosa que tinha enganado o clown, a se dizer colombina, a escapar da comédia Del Arte para um prostíbulo na vila mimosa se dizendo santa, e o clown, acredita, mas isso é uma outra história.
Esfumaçado o vidro do coletivo, me enfurnava pra tentar não sentir o frio e para esquecer, que há dois dias eu estava desaparecido… Há dias que estava sem ligar pra mim. Será que estou passando fome ou frio? Será que eu estava sozinho e já tinha morrido? Me perguntava realmente em desespero. O vento e a chuva balançavam a ponte rio Niterói e ninguém sentia isso. Ninguém sentia mais nada naquele ônibus e eu era uma poça, sentindo e sugando todo o mundo era um sentido pra mim e a cada minuto que passava eu me preocupava mais e mais comigo. Sozinho e no frio, uma estação que eu realmente sempre desejava que tivesse uma festa ou um cortejo qualquer pra sair no frio com meu casaco me sentindo estranhamente diferente, me sentindo importante, no inverno a gente sempre se sente diferente porque a formalidade de um casaco muda e nos faz mais severos com as aparências.

Não podia mais dormir tranquilamente. Da minha cama escutava meus sims me chamando. Diziam o porque de serem criados, me perguntavam, o porque de toda criação, cuidado e esmero, para serem largados e esquecidos? Acabei de ter o meu primeiro beijo com o Ron, gritava Jessie de dentro do meu HD, falando que faltavam apenas três dias de trabalho para ter o Home-Theater que dava satisfação sete e que tinha apenas trabalhado pouco como cobaia militar. Era cobaia do meu chefe mas não ganhava nenhum extra por isso, pensava. Mas todos eles me gritavam, todos precisavam ardentemente de mim, todos me chamavam, mas não estava mais ali, estava em algum lugar. Mudo o canal de televisão e era ela sendo entrevistada. Era Jessie, de mãos dadas com Ron sendo entrevistada na GloboNews em um protesto organizado por eles, diziam que queriam mais autonomia e viver em liberdade, “não nascemos pra sofrer”, dizia o cartaz. Minha mente era muito fértil e eu, como em muitas vezes, apenas gargalhava comigo, sozinho, sem mim, gargalhava tarde na cama percebendo que minha ausência afetava a minha mente – Já imaginava coisas, mas mesmo assim, não conseguia dormir, as vozes vinham do HD me pertubando e me colocavam no inferno que eu não poderia estar quando sai de casa. Eu tinha que voltar de alguma forma, e de alguma forma, deveria haver uma forma de voltar pra casa realmente e tudo voltar a tranqüilidade. Eles parariam de gritar de dentro do HD e alguma coisa realmente voltaria a ter essa paz.

Um dos ódios automáticos que tinha pelo rio era esse culto afrodisíaco ao corpo que todo carioca, digo, TODO , meio que inconscientemente, entrava. Mas eu estava destemido, saía praticamente semi-nú de casa, sem temer as marcas que tinham no meu corpo das tentativas de ser um carioca, as estrias que tinha e que me perseguia como uma rodovia, me alertando de como estava gasto e de como meu corpo estava em disritmia com tudo aquilo que eu estava vivendo. Estranhamente, algo me alertou. Via no rapaz do lado alternâncias de vozes que parecia com a minha… Que estranho! Estava a todo tempo do meu lado e não saberia disso? O rapaz chorava copiosamente e tapava com a mão a boca a altura do fone e disfarçava bem o choro… Estranhamente, eu piscava do lado dele, sim… Minha imagem piscava ali, alternando com a do rapaz… Bom, pelo menos eu tenho uma dica de como me encontrar de novo, pensei…. Vou tentar ouvir o que ele balbucia…

Espera… Ele diz no telefone… Que sentia falta da filha e de casa, como era dentro de casa… Pisquei…. Sim, agora eu sei…. Foi engano, não, realmente não poderia estar ali… Realmente, foi engano… Que bom, foi engano…

Um incomodo silencio ficou dentro da sala. O inspetor inundou minha mãe com perguntas do tipo: Com quem ele andava? Que tipo de música ele gostava? Ou se gostava de arte? Minha mãe se emudeceu completemente. E seu mudismo contagiou a sala e fez com que o tempo parasse de uma forma estranha. Tudo havia congelado, tudo, realmente tudo. O delegado estava realmente paralizado a dez segundos e no tempo estava congelado o olhar angustiante de minha mãe ao ver que pouco conhecia o indivíduo que estava ao lado dela, mas que há três dias tinha partido, e era pra nunca mais voltar mesmo. Não voltou mais, simplesmente foi embora e nunca mais voltou. Mas eu estava ali, e socorrera a minha mãe naquele quiz, realmente, eu iria simplesmente ignorar tudo aquilo, mas depois de partir, realmente tinha que ajudá-la. Se era difícil pra mim, o que dirá ao externo.

Respondi tais perguntas e ela como mãe de um pródigo de emocionara a cada gosto em comum que tínhamos, começou a me perguntar de mim, e realmente se emocionava ao ver que também gostava de Serge Gainsbourg, lembrou das músicas e realmente ficou chateada quando ficou sabendo que fui ver o filme: “poderia ter me chamado”, resmungou.

De repente, a tal delegacia se derrete, o delegado como um picolé se desfaz e éramos estranhamente uma relação de perguntas e respostas, as do tipo que impressionava ao que perguntava as respostas que dava e cativava aquele que perguntava a perguntar mais e mais e assim também aquele que respondia: “como meu filho era inteligente e conseguia fazer isso tudo” olhava, minha mãe, completamente espantada para toda a casa de Jesie que eu construíra, mãe, deita só nesse sofá… Via a cara de satisfação de minha mãe enquanto verificava que sua barra de descanso ia enchendo e que ela tinha, ou se permitido, esbarrar no botão “cuchilada vendo TV”, a Televisão de Plasma que tinha comprado para a sala de reuniões informais da Jessie tinha ficado um espetáculo e dava mais sete em descanso, satisfação e ainda mais quando estávamos conversando, a barra de satisfações ficava lá no alto, já poderia ver uma luz branca e radiante a rodar no polígono da minha mãe, que ficava acima de sua cabeça, via ela realmente satisfeita com aquilo tudo e a cama que eu tinha comprado, fora a nova casa, e tudo mais que tinha comprado pra Jessie deixava ela ainda mais satisfeita, mas não era a minha casa, não era a minha vida, não era um home teather que dava mais sete de descanso, não, não era, era uma delegacia e estávamos prestando um depoimento sobre onde eu supostamente poderia estar e a barra de satisfação volta ao normal, via a minha mãe se arrastando com todas as barras no vermelho, sempre tendo que interar um cheque, agora, tendo que ter ou dar explicações ou notícias de um filho, amado estranho parido, esse era eu, o eu que pagava as contas, o outro, tinha ido embora, e agora, tinha que arcar com tudo que eu tinha feito… Não podia ter saído assim sem avisar, e agora, eu era a conseqüência de tudo que tinha feito por ter ido embora, uma das coisa que sempre me enterraram, ao partir, o quanto ia causar com isso… Não deveria só ir embora e pensar em mim? Essa era a repetição de toda a sessão da tarde naquele dia inteiro… Na minha vida inteira era essa pergunta: “Se eu for o que será dê (…).” Teria que ser minha essa decisão e completamente egoísta, mas deveria ter feito tudo dessa forma? Deveria ter feito e todas essas decisões e problemas deveriam existir se realmente eu tivesse ou fosse embora? Onde estaria? – Me perguntava – Onde estaria, qualquer coisa a sair dessa delegacia ou nessa rede de conclusões e pensamentos que me levavam a um nível de confusão bem maior que eu realmente estava. Minha mãe apenas chorava no telefone, na delegacia ou em qualquer lugar quando o assunto era sobre esse meu estranho desaparecimento, até mesmo quando eu entro nessa rede de pensamentos inacabados eu aqui me afundo e sinceramente não sou eu e não poderia me afundar em mim, ou poderia?

(…)

Próxima Mensagem:

Não sei como te liguei, mas consegui, acho que foi por causa desse aparelho novo que traz satisfação oito…

Queria realmente que você voltasse, pois meu primeiro beijo com o Ron foi há exatos três dias atrás em que você desapareceria… A barra de relacionamentos do Ron está baixa e ele está conversando sozinho, queria realmente, que você voltasse, pois está faltando aquele home-theater que você ficou de comprar com mais um dia do meu…(fim da mensagem)

(…)

Próxima Mensagem:

Tudo realmente me cobrava.

Tudo me cobrava e eu não me perdoava por essa ausência, por esse fator que me distanciava de mim, ligou? Mal acordava e minha mãe me perguntava, um aceno negativo com a cabeça bastava, eu realmente me procurava com uma estranha fome. Era esse fator que era eu na minha vida, esse fator fatigante que não enchia a minha barra de esperança. Não havia mais a fé e no desespero, ao longo desse terceiro dia, entoava Rosebud e Motherlode com uma freqüência maior que eu poderia. Me acostumava com a voz dos sims de dentro do HD e sabia que de algum jeito eu voltaria, teria que voltar, não era mais uma convicção, e sim uma questão de fé a minha volta a tudo fazer sentido, não pra mim, mas para o externo, que pedia, suplicava com uma vontade louca em me ter de volta, que falta era essa que um estranho poderia fazer a pessoas que mal o conheciam? Quem conheciam então? Quem era esse sim ou sin que pegava um ônibus e viajava, e era uma preocupação diária apenas em chegar e em voltar do trabalho,era isso, que ser era essa que era, que não era mais nada além de tudo que o cercava? Que estranho era esse que tinha algo a procurar e a perguntar sempre por si? Que clamava por si? Que pedia sempre coisas pra si mesmo? Que sentia o mal estar de ser sabendo de toda infinitude que o universo tinha a me oferecer era um umbigo cortado, destituído de onde não deveria ter saído, de um ambiente escuro e claustrofóbico que minha alma de merda tenta vagar quando, inutilmente, sinto que estou sendo sufocado pelo pânico?

Terceiro dia. Um maldito dia inteiro, onde são sentido todas as suas dolorosas vinte e quatro horas… Minha mãe me acordava chorando, a mesma pergunta, eu carregava um monte de mortos, muitos, em minha mente, mortes que eu não tinha culpa, mortes que eu nem conhecia, pessoas enclausuradas em um buraco que sequer havia as metido lá… O mesmo ônibus, as mesmas perguntas ao trabalho, uma entonação diferente de fazer as mesmas ameaças, meu chefe não era tão mediocremente previsível assim, mas tudo, tudo, até o esfumaçado vidro gritava, com uma voz de dentes trincados, de tamanha trama que fazia a gengiva sangrar, depois de acumulado sangue, uma grossa gangrena a escorrer pela minha garganta, fazendo eu não gritar mais, não poderia pedir mais socorro, sequer ajuda. Não poderia falar mais nada. A minha ausência era um peso de morte em minha vida. A falta maior quem sentia era eu mesmo, o todo resto era uma corriola de problemas que caiam no velho esquema de medo, culpa e raiva que toda a humanidade estava mediocremente entregue para o resto de suas vidas, criando Deuses e dogmas para se desculpar de tamanha fraqueza. Se houvesse um deus verdadeiro, a quem me ajoelhar e que me daria esse verdadeiro conforto, com certeza, esse eu que ficava se ajoelharia todas as noites a entrar no deus me pague de todos. Viveria a fazer tributos e dispensaria a minha vida a este ser celeste, grande mestre criador que fazia sims e pessoas a serem criadas sem um sentido prático, pessoas que recebiam todos os dias, com suas barras de satisfações a serem preenchidas e muitos sonhos a serem recobrados e realizados, para ganharem pontos e bônus para uma próxima compra.

Minha ausência tomava o meu ar. A minha ausência me tomava a vida. A minha ausência me tirava o sentido de tudo. A minha ausência descoloriu tudo, como aquela maldita transloucada assexuada tinha previsto, no meu perfil no Facebook. Era uma maldição, realmente, tinha me perdido e por tanto sufoco, por tanto engolir o pus de uma grossa gangrena de viver a força com uma boca trincada por não falar e não gritar, eu tinha me separado, me distanciado de tal forma a jogar fora a chave da mesma porta que abrira a anos. A minha ausência era pior do que minha morte, se antes morrese, teria desculpas a me dar por tamanha falta de capacidade.

(…)

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Acho que já deve, na medida de todos os outros acontecimentos, reconhecido que é agora o papel de uma OBRIGAÇÃO, e não um TODO, por isso lhe deixei sem respostas por esses três dias, queria vê-lo sufocar com minha ausência. Queria vê-lo realmente se destruindo com toda a falta de sabor ao descobrir que a sua língua era MINHA, e que só tinha lhe ficado a obrigação e não existe paladar em nada daquilo que fazemos por ela. A obrigação não tem nenhum sentido, pois não é eleita do suposto propósito divino, daquele que reza o livre arbítrio que temos quando somos medida e razão de tudo. Tudo que é feito por OBRIGAÇÃO não é feito por essa forma, que nos deixou A CONTROLE DE TUDO, porque ontem ao olhar uma flor que crescia perto do rio, onde águas salgadas e doces se encontram eu descobri que seria provável e possível que uma pessoa vivesse e sobrevivesse fora de sua natureza, mas a flor, não tinha o mesmo brio e era incrivelmente deformada, enquanto aquelas, que cresciam a margem do rio, eram melhores as que cresciam dentro do rio, por privilegiada decisão delas, elas DECIDIRAM crescer em conformidade com uma filtragem e dosagem correta da água. Somos o que decidimos, e vejo que a sua decisão e viver em uma obrigação. E por isso lhe digo e tiro da cruz esse deus que viu ser crucificado e morto também por uma OBRIGAÇÃO. E lhe trago boas notícias: Sim, O verdadeiro Deus existe, Ele é vivo, apesar de pouco se importar o quanto é inútil a sua pouca barganha para com ele, se reza ou não… O seu Incondicional Amor nos cerca, porque vi essa planta e lembrei de você. Nascemos todos sozinhos e a sua maior obrigação deveria ser com essa anônima força, que chamamos de Deus, a ser melhor, a me ajudar também a lhe servir e servir a ti também, como deveria sempre ser, a não te abandonar nem a ti e nem a Ele, deveria sempre estar ao seu lado, nos piores e melhores momentos.

Deveria ser eu o seu maior amor e contentamento. Deveria ser eu, a sua busca diária por respostas, mas por tanto não ser, acabei vindo pra cá, a descobrir que deveria ter misericórdia de ti e pelo menos um dia, ter te ligado, mas, uma ligação prende muito e desprende muito tempo e dinheiro, então, resolvi apenas lhe comunicar: Não volto mais, se quiser venha atrás de mim, assim como todos os homens, um dia acordam, e assim o fazem. Não estou junto deles e sim com outros, mas espero que realmente venha me procurar e o dia que me encontrar, esse dia sim, será o dia mais lindo de nossas vidas, pois realmente encontramos a Deus e restabelecemos o equilíbrio de tudo.

Vem logo. Estou te esperando Mané.

Fui. Saudades.

(…)

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“Mãe.

Depois de uma crise de insônia e falta de ar resolvi por um fim ao nosso sofrimento, fui encontrar comigo e não sei se vou demorar, mas contrário a mim, lhe darei respostas de como anda essa procura, porque estando ai, estava tanto eu quando você, nos matando com minha ausência. Acho que sei onde posso estar, mesmo assim, vou procurar no lugares certos, e tenho certeza que vou me achar, tenho certeza mesmo.

Me perdoa por tudo, diga a Luiza que a amo demais e que tenho certeza de que vou ainda cumprir, já peguei o nº de conta da mãe dela e todo mês mando alguma coisa pra ela, mas preciso sair e me encontrar.

Te amo também, mas a minha falta está me matando

Beijos

Te ligo mais tarde

Rodrigo

(bilhete encontrado pendurado por um imã na porta da geladeira)

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~ por Água para Plantas em junho 4, 2012.

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