Estudo da curva da luz I

Passamos as horas vendo reflexos

A clara e custosa luz do dia nos incomodava a vista

Que escorria pelo blackout, e entrava sorrateira pela cozinha

Breve fora a noite – porque o sol tinha que nascer hoje?

 

Não deveria o brilho lhe dever a majestade?

Que de arroubo tua beleza tomou toda a tarde?

E se vez realeza e cortejo entre astros e pasmo entre as pessoas

Que olhávamos a andar pelo dia, nós éramos um quarto

Um quarto de tudo sem pertencer a nada

Um quarto no escuro tateando até a sala

Não sobrou razão para consumir meu e teu corpo

Sem divisão, como um perfeito andrógeno

Perdidos entre roupas assim passamos o dia

Nada era palpável depois de uma noite de outro dia

De outro dia perfeito, sobrou a harmonia

Harmoniosa tarde, arde quente a outros

Porque a renegamos nus, corpos expostos ao sexo

Tarde desprovida de nexo, canto ou tato

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~ por Água para Plantas em outubro 4, 2011.

 
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