Vertigo Cap: 4 Capitulo 4: “O tédio vem da ânsia da espera que é à priore ao fastio.”

Vertigo

Cap: 4

 

Capitulo 4: “O tédio vem da ânsia da espera que é à priore ao fastio.”

 

Os tempos que se seguem a algo que realmente se espera ou sonha são torturantes. A rodana ainda estava a roda e eu como um ramster estava dentro dela, rodando mas não esperando a hora de me libertar de uma sensação terrível que me tomava todas as vezes que voltava, ia ou estava no meio do caminha ao trabalho: Tédio. Uma semana foi uma eternidade, conturbada pela ignorância que quase fez perder o meu trabalho.

Um grande exemplo disso é meu estado atual: Ando em uma produtividade razoável e acho que isso não me deixa “a esperar” muitas coisas, não tenho mais a preocupação que tinha, a qual citei no início do texto, pois não estou a esperar nada, hora não sei se aprendi a esperar ou aprendi que há o momento certo de tudo acontecer e ter quase a certeza de que coisas podem vir a acontecer, bom, pior que esperar é estar inerte como estava, mas soube recentemente quando estava a refletir sobre as coisas que me aconteceram que o tédio é o prelúdio de um estado profundo de ansiedade, que começa com um simples anseio, que nossa mente o transforma em conjecturas de coisas que não aconteceram e isso vira um grande círculo mental que lhe pode trazer sérios riscos psicossomáticos: Como inicialmente, insônia – que hoje é minha grande parceira de produção – Stress, Histeria, Síndromes de oscilações de humor e a culminar com a depressão e depois a coisas mais severas – Como TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) Síndrome do Pânico e outros males mais severos e psicossomáticos.

Um grande exemplo disso está no nosso querido e empoeirado dicionário. Vamos começar etimologicamente a ver isso:

De acordo com o Aurélio:

 

Ân.sia: sf. 1. V. Angústia (1). 2. Desejo ardente; anseio. 3. Esterior, vasca.

An. si. a. do: adj. 1. Que “padece” ânsias. 2. Desejado ardentemente; Almejado

An. si. ar: v.t.d 1. Causar ânsia ou ansiedade a. 2.Desejar com ardor; almeja. T.i 3. Ansiar (2). Ter Ânsias. [Conjug.: 12 [ans][iar]

An. si: e. da. de: sf. Psiq. Estado emocional angustiante acompanhado de alterações somáticas (cardíacas, respiratórias, etc.), e em que se prevêem situações desagradáveis, reais ou não

 

Podemos observar, a esfera daquilo que “se espera”, ou se “tem esperança” a onde pode parar. Se encontrar em qualquer dicionário – no meu pelo menos, a ordem seqüencial das palavras se deu a própria resposta a tudo: Desejamos uma coisa, esse desejo passa a ser uma condicional constante, até que, entramos em Ansiedade: “(…) e em que se prevêem situações desagradáveis, reais ou não”. Isso por apenas desejar, obcecar e tornar cativa a mente a um único propósito, agora, vamos ver o que o nosso amigo Aurélio nos mandou procurar quando nos indicou a ver “Angustia” quando eu fui ver o significado de ânsia.

An.gús.ti:a  sj 1. Grande ansiedade ou aflição; ânsia, agonia. 2.Sofrimento, atribulação.

Nosso amigo, o Aurélio, nos remete agora a um “palíndromo” de significantes e significados, e nos coloca mais três palavras nessa busca, que se formos “a fundo” rondaremos o dicionário inteiro e minha história não vai ser contada nessa capitulo; mas não se esqueçam que ele nos remeteu a mais “quatro” palavras: Sofrimento, Agonia, Aflição e Atribulação. Como o sentido entrou em uma “esfera circular de significados”, vamos nos ater a duas palavras: A inicial que é o tédio e depois a uma outra:

Té.di:o: sm. Aborrecimento, fastio.

Te.di.o.so: (Ô) adj. Que inspira ou causa tédio [PL.: – osos (Ó)] .

De.pres.são: sf. 1 Ato de deprimir (-se). 2. Abaixamento de nível por pressão ou peso. 3. Baixa de Terreno. 4. Abatimento moral ou físico. 5. Econ. Período de declínio ac4entuado na atividade produtiva e no emprego. 6. Psiq. Estado mental caracterizado por tristeza, desespero e desestímulo quanto a qualquer atividade. [PL.: – soes.].

De.pri.mir v.t.d  1. Causar depressão (2,4 e 6) em. 2. Debilitar, enfraquecer. P. 3. Sofrer de depressão (4). [Conjug,: 3 [deprim]ir] & de.pri.men.te adj2g,; de.pri.mi.do adj.

                Desestímulo quanto a qualquer atividade, como cita acima nosso amigo quando se refere a depressão, não seria “Aborrecimento” ou até mesmo “Angústia”? Ou rasguem os seus dicionários ou mudem a forma de pensar, acho, mais econômico, – pois dicionário não é tão barato, mudarmos a forma de pensar, porque tudo começa na esfera do ansiar, do querer e não alcançar: Esse dilema moderno de sermos eternamente felizes. Só somos quando alcançamos alguma coisa, nos ensinam que devemos ter um “sonho” ou uma “meta”, esquecendo que nos ensinarem a sonhar ou a nos ensinar a descobrir quais são as nossas metas. Por isso estamos cansados de ver uma sociedade afastada da realidade, que não a mostra com clareza e em apenas em flashes podemos “sentir” alguma coisa. Não temos a verdadeira noção do que queremos e quando a queremos ela se encontra na esfera do impossível. Tudo é possível, desde que sua mão lhe faça alcançar, desde que lute e queira que aconteça. Se não, todo resto é angustia, é ânsia e depressão é enfraquecer. Definir o quanto é ansiedade e o quanto é depressão é o mais difícil internamente falando.

Sábio Cazuza que disse uma vez: “Prefiro morrer do que morrer de vontade” Mas ai vem uma outra fórmula ou uma outra busca ou uma outra verdade: Mas se nós direcionarmos a “nossa vontade” a coisas que podemos alcançar? E se nós direcionarmos a nossa vontade a coisa que podemos lutar e conquistar? Sábio mesmo foi Boris Plasternak – Autor de Doutor Jivago que disse: “Que a felicidade só existe se for compartilhada”.

Mas era esse “fastio” da roldana que me matava. Ainda mais somada a “ânsia” de muito querer que essa reunião acontecesse, e sem contar a ninguém, guardei como um segredo de força, assim como Sansão não o fez, eu fiz: Guardei aquele projeto e não contei a ninguém que ele pudesse acontecer. Mas os dias se passavam, o trabalho braçal era mais pesado agora – ainda não tinha colocado o substituto de Paulo para o trabalho – ficando a cargo dos peões que vinham buscar o material a me ajudar ou não a carregar ou descarregar os caminhões com entulho ou cimento. Às vezes, era uma pessoa conhecida, um trabalhador, um peão como eu conhecido e que sempre tomava café conosco – eu e o Coronel – no nosso canto cheio de ratos – já mencionei em um outro post que o local da estufa onde colocávamos a nossa marmita pra esquentar era dormitório de ratos durante a noite – com certeza por causa do calor, eles iam pra lá se proteger do frio.

Já tinha impresso “Andar” várias vezes, lido e relido, aumentado o texto, começado apenas com diálogos, ou apenas olhares, eu tinha mudado o formato várias vezes, corrigindo no pequeno banheiro do sobrado onde tinha alugado em Marambaia e ainda não tinha decidido realmente o que iria acontecer ou como seria o texto. Tinha umas dez ou doze versões diferentes de “Andar” com finais diferentes, mas ainda não tinha decidido o inicio ou o término real do conto. Seria um conto curto. Pensava. Mas, a linha contextual era realmente como eu sou – oito ou oitenta – ou tinha quatro páginas ou meia. Tive que ler todas as vertentes daquele mesmo personagem que era um ascensorista, que sempre colocava a mulher que amava a um andar acima dele, assim como eu, que vivi altos e baixos na vida, eu me identifiquei com estória de Elias. Era um ascensorista que via muitas pessoas descerem ou subirem por andares diferentes, mas não importava o quanto eu continuasse, eu vivia em uma circular perpétua de altos e baixos – internos e externos – e não saia do mesmo lugar.

Acordei mais cedo do que de costume e comecei a procurar os papéis de rascunhos de Andar, e por infelicidade, tinha descoberto, que em uma de suas arrumações, a mãe de Ana Luiza pos todos as minhas cópias do conto fora – achando que eram coisas sem valor, mas depois descobri que era um ataque de pura ignorância por “achar que era um acsensorista apaixonado por uma mulher e que a estava traindo” – bom, o significante está todo no conto e o significado é sempre subjetivo, mas em contra-análise com o autor, sempre conseguimos ver o que realmente significa tal escrita, pois como todos sabem todo escritor é egoísta. Mas “Andar” não se tratava disso, o próprio nome é metafórico ao passar de uma vida circular, só que Elias andava em uma repetição vertical, enquanto eu andava em círculos e sinceramente, só havia amor realmente, naquela altura da crise conjugal, eu só tinha amor pela minha filha – a única mulher atualmente que realmente amo. Depois de muita briga e discussão – sem revelar o verdadeiro intuito do que seria o projeto, apenas dizia “que eram coisas que eu escrevia e que sempre escrevi, e que não seria ela e nem ninguém que me impediriam de escrever – Ela tinha uma cópia guardada, a mais compacta, pois tinha e tem preguiça de ler, então acho “a prova mais incriminadora” e a guardou para tentar lê-la várias vezes como alguém que tenta desvendar uma charada. Sou bom com charadas, mas aquilo ali não tinha nada disso. Era a reconstrução e a mistura de minha estória com o de um bom e velho amigo de café. Tomávamos café juntos quase sempre na hora do almoço no Xamego, – um bar perto do TJRJ – mas isso antes de eu ser transferido para o Depósito da Praça da Bandeira, mas um dia estranhamente, Elias não tomava café, tomava conhaque. E me contou uma triste estória que eu a romanciei e o prometi que não a contaria na integra. Ela morrerá comigo, assim como os altos e baixos de uma vida morrem com aqueles que não alcançam esse tal sonho da Era Digita – Essa triste obrigação de ser feliz, de ter uma família, de ter um carro, de ter, de ter e de ter que todos tem que ter. Mas por incrível, o conto não é uma integra das duas estórias, não existem quebra-cabeças ao saber da real estória e do conto que eu criei – é semi-ficional. Mas a porcentagem do que é ou não verdade, vai morrer com um senhor, um velho ascenssorista, boêmio, tocador de bandolin, que vivia na estudantina e conheceu meu tio – Dalmo Niterói, seu nome artístico – E dizia que gostava de ir a serestas com ele. Compôs também muitas das serestas que hoje em dia tem nomes de outras pessoas. Morre comigo e com Elias – ainda vivo – A verdadeira estória de “Andar”, que há mais ou menos uns oito anos atrás, tinha conseguido achá-la dentro de uma caixa de sapatos que tinha esmaltes e outras coisas femininas – Não sei porquê, ele tinha escondido muito bem dobrado a tal ponto de não conhecer que era meu ou que aquilo era realmente um manuscrito meu.

Muito do lirismo que tinha construído para uma página e meia tinham se perdido com a ignorância. A ignorância é capaz de destruir o amor. A ignorância destrói a inocência e suga, como um vampiro, tudo que é bom de uma pessoa, só restando a outra apenas a odiar e a não sentir mais nada a não ser nojo.

Volto com o manuscrito ao trabalho e redigito completamente o que tinha pensado, certo, tinha uma cópia digital salva, mas a construção do meu trabalho – por não ter um computador em casa onde eu posso rever, recontar ou colar – Salve a informática que salva muitos escritores! – Eu fazia essas alterações em várias cópias, de caneta em um mesmo amontoado de originais, então, muitas coisas  melhores que eu pensei, para tornar a história mais bucólica, se foram, ou com vassoura, ou pelo lixo mesmo, fora uma pilha da contos e poesias que se foram, mais um violão de naylon, que simplesmente desapareceram, ou foram queimadas, ou vendidas…Não sei. Mas isso eu vou contar mais tarde. Bom, com o “verdadeiro” original, sim, o primeiro que tinha escrito no banheiro assim que soube da proposta estava nas minhas mãos e o que tinha digitalmente era um punhado de idéias que eu não sabia mais o que fazer. Me restou voltar a beber da fonte.

Liguei para seu Elias, mas dessa vez, marcamos no dia seguinte de nos encontrarmos no Xamego para conversar – Me pediu pra adiantar a conversa, mas eu apenas disse que queria “homenagear” um homem de verdade que tinha conhecido entre andares e outros. Não dei desculpas no trabalho, apenas não fui trabalhar e o galpão literalmente parou. Não justifiquei a minha falta. Apenas faltei e ponto.

Na quinta-feira tomamos o tradicional café pós almoço. Ele ficou meio espantado, mais espantado ainda, porque tornaria pública a sua estória, mas após eu lhe garantir sigilo, ele me autorizou a contá-la desde que de uma outra forma. Mas manteria apenas uma frase que talvez eu nem aprendesse com o mais sábio dos monges. Viver é empírico e ponto.

Ele me recontou mais ricamente e com mais lirismo do que antes. Seus velhos olhos marejaram de novo como na vez do conhaque e assim, eu meio que vampirizei a sua dor. É com desgosto que falo isso, mas completamente me alimentei daquilo que o homem me  passou. No início da andar, eu “recito” a única coisa que “digo” que vem realmente da sabedoria de um dos homens mais boêmios que eu conheci: “Um homem de verdade só ama uma vez.”

E foi assim que na sexta, fiquei até as oito no galpão, reformulando o original e como um trabalho artesanal fui tecendo a pequena colcha que seria Andar. O fiz. Mas antes, deixei uma cópia na casa da minha mãe e fui de mãos vazias para casa. Não poderia esperar que, sorrateiramente, alguém rasgasse o meu sonho ou minha escrita, ninguém nunca mais terá esse direito ou poder na minha vida.

Bom, esse foi um dos rounds da luta para escrever Andar. Sábado, às 13:00hs no Índio Pelado, me encontraria com Ronaldo e com sua Esposa para a reunião do projeto. Estava nervoso e já com a cópia de Andar no bolso. Os dias e horas foram contados nos dedos, mas finalmente, estava em um ônibus para me encontrar com Ronaldo e os outros colaboradores para a dita reunião…

(continua)

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~ por Água para Plantas em setembro 27, 2011.

 
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