Pedaços…

 

Por estar em um recesso não programável, estou sem escrever há um bom tempo, então, decidi colocar trechos de um capítulo de um livro que estava escrevendo ou estou… Não relacionem a nada esses trechos, eu gostei dele porque fala do “constante mutante” que somos todos nós…

(…)”Talvez eu nunca mais a tivesse ao meu lado me falando tudo que eu queria e que precisava ouvir naquela situação, mas o que apenas aconteceu foram mudanças.

Em um relacionamento será que nada dura para sempre, ou o sempre não existe? Em uma vida alguma coisa dura para sempre? Sendo assim, o sempre não existe? Acho que em todas as situações há o meio termo entre todas as coisas e fatos que desassociamos por uma simples questão de falta de calma e racionalização – que a maioria das vezes pra mim, consistia em parar, ir até o fundo do posso de meus sentimentos e voltar com as minhas razões à flor da pele. Até hoje eu me pergunto se eu posso adquirir isso com a experiência, com conselhos ou realmente com a sabedoria de ter passado por isso tudo, e de fato eu vejo que em nenhuma dessas três sentenças eu encontraria realmente algum tipo de resposta. Mudança foi a palavra que imperou.

Não há uma experiência equivalente em nenhuma hipótese de todas as situações possíveis. Toda e qualquer experiência diverge em si de vários pontos, observações e vivências, portanto sempre que alguém supostamente tentasse me aconselhar eu me encalacraria dentro de um mero simulacro e diria a mim mesmo o quanto eu não sofri ou realmente deixei de sofrer, e o quanto eu falhei, e me culparia eternamente ou me diria o quanto fui sortudo por não ter tomado esta ou aquela atitude. Aprendi com isso que é inútil me martirizar por atitudes de dificilmente eu não tomaria da forma que eu tomei, pois me conhecendo, não faria diferente se não fosse da forma que reagi e reagiria, portanto sempre foi eu, descontrolado ou não. Pegar pontos de experiência como referência, como desde cedo eu cria, nunca me levaria nada. Aprendi com a vida. Aprendi com a falta de um pai a recorrer a um caminho de meio termo a tudo por falta de uma suposta “consciência macho-imperativa”, a voz grossa, a tradicional cultura do fazer a barba que me diria o que fazer ou não, até que em partes, com isso, me tornei um pouco mais autoconfiante, e acho que aprendi um pouco a lutar por caminhos de raciocínio lógico a tudo.

Quem não confia em pontos de experiência, não acredita, portanto em conselhos, criticas e opiniões, e, por não acreditar em conselhos, descartava qualquer tipo de noção que supostamente me parecesse fruto de alguma explanação sábia. Humanamente falando, não há para mim explanações ou algum tipo de coisa que se chame de sabedoria se não houver uma introspecção sobre o foco de observaçãoem si. Ouseja, se alguém me falar de qualquer tipo de experiência, sendo de causa própria, eu descarto certamente. Ninguém nunca me convenceu em falar que drogas eram ruins porque eram, quando na verdade não é assim. Drogas são boas e legais, mas usá-las é uma coisa que não existe. Não existe um usuário de drogas que seja realmente são. Não existe um usuário coerente de drogas. Elas são maravilhosas, mas com relação a elas, o assunto é puramente simples: Ou você as usa ou não. Ou você consegue realmente lidar com a vida sem elas ou nem tente, e acredite, quando você para, é porque você nem começou. O que existe é uma eterna condição de determinados dias que o verdadeiro usuário tem que passar sem elas, se realmente parou, e se o fez é porque nem começou. Tenho pontos extremos que convergem em lados diferentes correlação as drogas, uma é um ponto que realmente é polêmico: Acredito que ninguém que realmente tenha começado com elas, consegue realmente larga-las; pra mim se largou é porque nem tinha começado realmente dentro de seus limites, e a outra é simples: Não existe nada que seja totalmente viciante a alguém o que existem é uma cultura equivocada sobre as drogas, criando assim os verdadeiros paraísos artificiais. Darwinismo isso diria – Discursava isso tranquilamenteem biroscas. Chamavaa todos e a mim mesmo de fraco correlação a tudo na vida. Não e Sim. Não aceitava que todos somos: Fortes, fracos, indefesos… Todos são um leque de si mesmos. Eu sou uma miríade de coisas infinitas que posso fazer a esse instante e segundo, mas só agora eu me adapto a isso e aceito que posso realmente fazer o que quiser a qualquer momento, mas sempre, sempre eu teria que tomar as escolhas mais certas, aprendi que na rua essas oportunidades sempre rondam a qualquer um. Na rua, diariamente, por tomar escolhas corretas, você escapa de mortes, doenças, viroses e acidentes, e graças as minhas escolhas, eu estou aqui. E também muitas das minhas dores e pesares são graças as minhas erradas escolhas.

Por tanto, hoje pra mim, ser forte ou ser fraco, depende de pontos de vista quando se aprende que tudo na vida é um grande referencial. Acho que ser forte pra mim hoje é conhecer os “meus” referenciais, meus defeitos e qualidades, meus verdadeiros ícones, meus verdadeiros limites e luta-los por eles a cada instante e fiapo de dia que possa se seguir a um porre, uma trip, ou uma viagem de qualquer coisa, pra algum lugar qualquer. Um mendigo pode ser o ser humano mais fantástico pra mim e um burguês o mais medíocre (deixei os referenciais de posse de lado, por exemplo). E não acredito que obrigatoriamente, temos que passar por tudo para saber discernir o que foi de bom ou ruim. O raciocínio lógico pode se encarregar disso, mas quando é que existe algum ponto de lógica, se realmente ninguém se conhece? O homem é um ponto de observação apenas de si mesmo, isto é, de sua condição genuinamente humana, mas se não a reconhecermos? A única condição genuinamente humana que existe e que faz lógica pra mim é que vivemos em silenciosas, e não compartilháveis revoluções. Aceitar as mudanças é começar a ver a vida com um raciocínio lógico. Aceitar as mudanças é ter noção das escolhas diárias e instantâneas no segundo em que elas acontecem, percebendo assim, realmente o que é bom e mau.

Estamos em constante mudança. Não somos puramente matéria. A idéia é uma mudança e um ponto de convergência, a cada idéia que temos ocorre uma mudança, e a cada mudança mudamos nossos pontos de vista – logo referenciais – E se mudamos um referencial, mudamos tudo! Logo a definição é ser indefinido. Por natureza, todos os homens são escalas de valores indefinidos: “Estranhos que se agrupam aos seus comuns.” Minhas piores crises existenciais eram quando eu tentava me agrupar a alguma ordem, experiência ou coisa que já tivesse existido – Como se buscasse alguma lógica justificativa para minhas idéias, meu jeito de ser, pensar ou agir. Aceitar a vida, portanto é se aceitar e aceitar as suas mudanças.

Decisões, indecisões, opiniões, ingressos, regressos… São mudanças que tomamos em milésimos de segundos e mesmo que hajam a rotações invisíveis de serem notadas e de não se registrarem grandes angulações de qualquer aspecto de alteração de compasso, elas existem. Já que o direito de escolha sempre nos foi dado, concluo que não existem grandes mudanças, existem as pequenas com as suas grandes repercussões. Descobri que a razão era um caminho certo que morava entre o sim e o não e nunca fazia lógica aos seus dois vizinhos. E era sempre o meio termo a se tomar.

“Sendo assim, nada dura pra sempre, as coisas sempre estão mudando realmente” – Como um suspiro aliviado me sugere paz esse pensamento que parece ser tão óbvio. Paz e conforto. Certeza de que a dificuldade que eu tive foi de me adaptar as mudanças ou de rejeitá-las e apenas continuar seguindo um outro fluxo, que seria agora ditado, e sempre por mim. “Sou eu o senhor das minhas escolhas, e sei que são as raízes dos meus atos, não posso, portanto ir de contra a mim em nenhuma delas”. E como as coisas que são óbvias outrora para nós, hoje são tão profundas? Acho que isso explica um pouco do que possa ser maturidade, talvez.

A dor do tombo me impedia essas conjecturas que mais tarde, mas muito bem mais tarde, tomei, mas a queda da escadaria, naquele instante, me lembrou de que tenho um corpo e uma missão instantânea naquela hora, ligar para Viviane para conversar com ela. Uma máquina voltou a funcionar, com ela voltou a noção de tempo e espaço. Sabia que tinha caído de uma escadaria e que eram duas e meia da manhã. Não vagava mais por horas em minha mente – Mesmo que o tempo real tenha levado cinco minutos – levantei reto do tombo sendo escorado por dois motoristas de ônibus que estavam no inicio da escadaria. A vergonha embaçou os meus olhos. Minha cabeça e costas doíam. Tudo doía. Era uma dor moída. Dor de perder a razão, o amor e a decência, era desequilibro sombra, ilusão e medo enquanto eu ouvia, bem lá atrás da rua ou no fundo de mim, risos e zombarias, enquanto os dois rapazes engoliam os seus risos e me ajudavam.” (…)

Os opostos podem “até” se atrair, mas é pelas afinidades que somamos aos dias quando decidimos ter o que chamamos de família, ou seja, uma comunhão com um “outro” que será diferente o bastante até conhecê-lo por completo, ou, desistir disso no meio do caminho – Mas, quando há essa desistência, é porque já acabou e você não se deu por conta.

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~ por Água para Plantas em junho 27, 2011.

 
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