Crisálida de pele assexuada

Passei o dia inteiro com dores no corpo, tediante e alheio apenas a minha filha. Meu humor estava péssimo e ainda tive que ouvir sugestes de um amigo – que pode ser ex – sobre coisas mau esclarecidas de gente que não tem mais nada a fazer a não ser o mal.

Olá?!

Tudo bom?!

Será que ainda tenho leitores depois de quatro meses?

Não sei, blog tem que ter periodicidade, como disse um amigo meu que vive de blogs, se vc acabar com a sua, você pode perder todos os seus leitores em um dia, e realmente, é assim que acontece. Mas eu não andava muito bem, aliás não ando muito bem, de saúde, e uma preguiça enorme somada com poemas que ando escrevendo sem ter vontade de publicar me fazem somar essa “inatitude” da escrita. Gosto de escrever empurrado, amargurado, com pessoas me pressionando a escrever,  ou quando realmente sofro – mas não gosto de ser repetitivo – apenas sigo um fluxo chato e repetitivo chamado vida, mas de repente eu via que comia um sanduíche a ainda engordava. E andava com muitos – e ainda ando – com problemas respiratórios, fui consultar o meu médico – Doutor Henrique, da Policlinica Santa Luzia – Isso mesmo, coisa de ir pra D’OR é coisa de hipocondríaco, não pago plano de saúde e cago pra minha, pago pra minha filha porque tenho medo dela ir antes de mim – bom, tirou sangue,  constatou problema na tireóide – é daquelas em que vc engorda se comer um grão de arroz e aproveitei pra fazer uma dieta, mas eu sou oito ou oitenta… Já sabia antes que tinha algum problema nela – pois passava um dia sem comer e ainda engordava….

Comecei a tratar da minha e a emagrecer, mas voltando ao binarismo exagerado,  eu simplesmente achei que o remédio não estava fazendo efeito e simplesmente comecei realmente a ficar doente com isso. Pesquisei sobre anorexia e sobre analgésicos e esse foi o meu mal – ao mesmo tempo fiquei viciado em analgésicos, primeiro, por causa de dores na coluna, segundo porque descobri que “certos analgésicos” induzem a anorexia – tiram o apetite e a fome de uma forma incrível – realmente isso acontece.

Pesquisei o tema doentiamente na internet em todos os site de medicina que pude encontrar, me comuniquei com médicos e troquei e-mails com eles. Conversei um pouco sobre o que estava acontecendo com meu corpo – que inchava sem parar, às vezes de um dia sem comer nada – e disse que realmente poderia ser um caso de tireóide muito baixa – ou muito alta, até agora não entendi o que faz engordar, se é o excesso ou a falta, mas fui no médico e foi batata – estava com problemas com ela. Malandramente, pedi uma dieta – que não segui, mais tarde vocês saberão porque.

Então, eu deixei de comer um dia, depois comia um dia sim um dia não, até chegar na taxa de comer apenas duas vezes na semana – apenas sábado e domingo para a minha mãe não encher o meu saco – Comecei a tomar analgésicos que induziam a anorexia – analgésicos que não vou dizer por questão de responsabilidade. Só que, eu não sabia, que o excesso de analgésicos, além de causar dependência, a ponto de sentir pequenos espasmos musculares se não tomar, se não for acompanhado com doses pequenas de complexo b podem causar anemia, depois falo dela, puxe esse quadro como o computador de “Minority Report” e se liga em outra coisa agora.

Andei procurando médicos, na maioria deste tempo de mudez escrita. Andei procurando escondido da minha mãe – fiquei com medo do fantasma do câncer no pulmão ter voltado, pois sentia muitas dores nas costas, me pediram mas exames mas o medo não me dá ânimo nenhum de voltar para hospitais, tomar agulhadas, a rotina de fazer todos os tipos de exames e dar negativo – AIDS, tuberculose, e etcs… Eu estou boiando vendo uma onda se formando, ficando cada vez enorme, mas estranho, era na hora em que me sentia mais forte com o mar, sentindo ventos ao meu favor… E é assim que acontece?

(Tem um programinha de Tarot online da UOl que é de grátis, vc clica e sai uma carta, eu cliquei e caiu “La Maison Dieu”)

Poético….

É. A força de um artista vem de seu sofrimento ao lidar com a arte. Se ele se espasma e se entrega, e como ser um idiota. Pra que escrever quando se está bem? Acabo de escutar Renato Russo cantar “Meu egoísmo me deixou cansado” e realmente é isso que acontece… Nos emsimesmamos tanto, que a arte engasga… A vida engole em prol de problemas, em prol de efeitos efêmeros que não fazem diferença. Vida, morte, dor, alegria fazem parte da arte, fazem parte de sua execução e elaboração. Traições, mentiras, pessoas que confiávamos e que não podemos confiar mais vão se embora é assim… A vida é um fluxo. O tempo é um fluxo. O verdadeiro artista não se prende a fôrmas e aos seus problemas: O traduz em vitória ou em derrota, mas o faz de forma sempre egoísta – o seu elo com o “eu” é o que traz a escrita, ou a qualquer linguagem que use para mídia artística – e inteligível a quem é sensível a arte. A arte deve dar acesso e se comunicar com outros.

A minha força vem de toda a contrariedade que a vida me traz. Meu esplendor e resplendor se refaz quando me destruo. Quando como o pão que o diabo amassou e como o Jó da Bíblia, quando eu só tenho um caco de telha pra me coçar e é dessa telha que me desce o Divino – é do estado de “telha” que me fala Deus, que me trato a Ele e que me Retrato de todos os meus erros e acaba que os outros é que devem me portar.

Sabia que o mal não iria descansar. Era muita felicidade. Estabilidade no emprego, uma vida artística começando,  Conheci uma outra família, conheci uma outra vida… O mal não descansa. O verdadeiro mal quer ver a escuridão a sua volta, mas é daí que a força minha sobe, e daí que faço luz e alcanço vôos longos e em outros lugares. E como o algodão doce que o Kiko, em uma cena de “Chaves” tenta tirar do Chaves. O Kiko suja a parte de cima do algodão doce, o Chaves vira do outro lado, o Kiko suja o outro lado e o Chaves acho um cantinho limpo e começa a comer… Às vezes é assim que vivemos – com um fiapo de cabelo, com um resto de história – tentamos nos levantar, colocar nosso nome perto de alguma coisa grande para nos fazermos forte. Entendo um pouco agora o que Cristo quer dizer com “o dar a outra face” para nossos inimigos. Não é em um gesto sádico, é sim um gesto de dar as costas, virar de lado para as coisas ruins que fazem conosco e apenas seguir em frente, mesmo ferido, mesmo colocado de lado com o seu ideal na vala, as coisas assim acontecem.

Conheci minha vida ao acaso quando estava derrotado. Não espero o acaso, faço o acaso acontecer, procuro apenas outros lados do algodão para poder comer,  e até quando não sobrar mais o algodão, quando o mote final acontecer e ele for pisado pelo Kiko, será contada a piada. A arte se fez. A arte finalizou, a piada foi contada e se passou uma cena, se foi um capitulo e se virou uma página, a cama, o abrigo, o que te fazia preso, o que era pra te enclausurar e te texturizar em uma mesma forma se foi…. Virou lixo, virou resto de ti mesmo… Era uma cama…. Era uma outra fase. Era um resto que precisava de transformação, uma coisa pesada que tinha que carregar que não fazia falta, mas era a tua segurança, mas quando era, não era, era apenas uma crisálida que lhe prendia de tudo que a vida tinha a te propor. Do quanto é grande. Do quanto ès potente perante as tuas falhas e como você realmente pode se reinventar, ser você de novo só de de outra forma, de outro jeito, com uma nova luz, uma nova forma. Assim, saio de novo da minha Crisálida – Deixo pra lá algumas coisas, volto pra outras, encontro velhos amigos, reencontro comigo, diferente, mas sendo o mesmo em uma variável diferente de freqüência – ainda temendo o câncer, mas virando noites se preciso, para mostrar meu trabalho, para mostrar a minha vida, que não foi destruída nos momentos em que me dava “artisticamente” vencido.

Ai que ela se revolta! Ai que ela se reveste e cria uma nova linguagem! Quando a arte “gagueja” é porque ela geme de dores de parto: Algo novo está na sua frente, prestes a surgir e você está parado e não esta olhando você mesmo olhar a sua arte.

Volta a Janela de Minority Report – o velho caso: Anemia

Por causa do vício em analgésicos, tive uma anemia quase profunda, fui ao médico e ele me receitou vitaminas, me aplicou via intravenosa diluída em soro, uma parte de vitaminas – com medo de entrar em um quadro mais avançado de icterícia… Enfim, não deixei de trabalhar, apenas administrei meu trabalho e minha vida, mas vinha esmaecido pra casa. Voltar pra casa era um espasmo com espaçados flashes – quando entrava no ônibus eu recostava a cabeça, fechava os olhos e estava em casa – e assim acontecia as coisas… E sentia muito frio, febre e uma gripe me atacou….

Enfim, foi embora a gripe, a anemia e ficou a arte.

(E alguns problemas, mas isso é a parte)

Sobre Assexualidade? Sim, é verdade…. Não tenho mais vontade de fazer nada com ninguém e isso é muito estranho….Filmes pornôs não me excitam, aliás, nada me excita.

Não tenho apetite sexual, mas isso é uma outra história, não quero fazer disso um peso, uma coisa carregada… Mas preciso voltar ao meu psiquiatra…

Força.

Minha Vó - Imagem que me dá exemplo e força para viver

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~ por Água para Plantas em junho 20, 2011.

 
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