O Girar da Roda – Como conheci meus irmãos

Demorei pra caramba pra postar, porque, como esse blog é um registro TOTAL meu, ou seja, de todo, conto, crônica, poesia, vida e etc; não poderia deixar de contar essa história, e como a história é grande, eu demorei por isso!

Boa Leitura

Paz, Luz e Reflexão!

Um dos piores sentimentos que podemos sentir não é o desprezo, eu pelo menos, convivo e muito bem com o desprezo, eu apenas viro uma rua e encontro pessoas diferentes que querem a mesma coisa que eu e tudo de bom acontece: Mudo uma página, conheço pessoas diferentes e quando eu vejo estou em um outro círculo, girando positivamente a roda de minha vida, mas o pior que podemos sentir é o sentimento da ingratidão de outros: A ingratidão não esquece, pois ela é lembrada no momento em que mais precisamos daqueles que ajudamos. A mão não foi estendida e caímos sem apoio em um lugar que não conhecemos ou conhecíamos.

Me prendo agora aos instantes em que escrevo:

Acabo de acordar, foi meio tediante esses dias de licença que tirei para tratar de minha visão do olho esquerdo – dormi com as lentes de contato e de repente o meu olho esquerdo acordou bem vermelho, inchado e a lente grudada na retina – Veredicto da oftalmologista: Arranhei seriamente a córnea, sem pedir me deu um atestado de dois dias – era uma sexta e me deu a segunda e a terça, portanto volto ao trabalho amanhã, sem saber o que me espera, pois há cortes de despesas lá e é um pouco complicado para faltar até mesmo com justificativas, mas mesmo assim, rastejo ao meu trabalho, mas o rastejar foi menor que o tédio que sucedeu essa semana, de tão tediosa, que resolvi fazer sonoterapia – tomava bem cedo alguns remédios pra dormir e dormia por longos períodos – o último foi de treze horas – e pensando que ia acordar bem disposto, o contrário se fazia, acordava extremamente cansado, como se um grupo de homens me desse uma severa e demorada surra.

Não tento mais divagar sobre minha alma, apenas digo o que acontece comigo exatamente quando acontece: Este é o estágio deste dia, e fui acordado por uma ligação que me despertou do sono, mas tinha feito antes uma programação Sherlockiana, me programei a dormir mais cedo que o habitual para que agora ou mais tarde pudesse tecer esse texto, crônica ou relato sobre as coisas fantásticas que me aconteceram nos últimos dias, quinzenas e meses, mas como a única pessoa que devo sinceridade – que é a minha escrita – devo confessar a ela o meu extenso desanimo de descontentamento de viver, que não é mais questionável, pois toda vez que tento realizar o feito, acabo encontrando mais formas e meios de me puxar mais ainda pra baixo meio a escalada a saída do poço. Bom, não desvie sua atenção para essa escrita, pois ela falará de coisas boas, e coisas muito boas que aconteceu comigo e que podem acontecer com você, se brotar o seu desejo de virar a esquina e mudar a sua vida, se quiser realmente viver intensamente a cada passo e andar para cada esquina com jeito e forma de querer mudar, pois isso é a vida, mesmo na profunda estática é desejar mudança e vibra com ela quando ela acontecer. E acaba que o desânimo se acaba, pois lembro que agora tenho mais pessoas que me amam.

A minha vida e o meu circulo girava em torno de duas pessoas: Minha mãe e minha filha. Quando tudo estava bem com as duas, eu não me importava com mais nada, mas quando uma das duas estava muito mal, isso me tirava o sossego e o sono, e minha mãe não estava muito bem há um tempinho, mas depois do “nosso carnaval” isso mudou. Volto agora há meses atrás…

Há um mês, estava muito pior que o inicio deste texto. Me sentia solitário e me dava por vencido pela exclusão sistematicamente escrota que vários membros de uma falsa família fizeram comigo e com minha mãe, que , após sistemática análise, concluí que não foi pelo decorrer de fatos compreensivamente incompreendidos feitos por mim – desde defender a minha mãe por uma tentativa de agressão desferida pelo meu tio a total falta de vontade de conviver a um circulo de fofocas, que falavam mal desde um membro miserável da família, que era digno apenas de apoio ou solidariedade ao contrário de fofocas difamatórias, a relações que terminariam por práticas adúlteras há muito sabidas – claro, com exceção do traído –  a pessoas ricas e com dinheiro que sovinamente preferiam a mesquinhez que sofriam agora do que chamo de “a queda da ficha”, ao saber que só tinham pessoas em volta porque as que estavam em volta tinham uma relação de interesse com as mesmas. Ao ver tanta sujeira e hipocrisia, me perguntei: Porque ainda, indivíduos que mantém esse tipo de relação entre si, ainda perdem tempo querendo esmagar uma barata? Que era eu e minha mãe, que lutamos diariamente contra as adversidades da vida, buscando sobreviver honestamente, ainda mais a minha mãe, que sempre tentou ajudar a todos os outros que hoje a apunhalam?  Conclusão: Era uma relação cuja base era por um interesse mesquinho, porque o verdadeiro sentimento que havia por trás dessa relação era de uma proveitosa inveja, que se recolhia e se recalcava para o sentido, ou seja, aquele que a sente, ser sempre “o bom” – o verdadeiro lobo em pele de cordeiro.

Isso era uma coisa que me incomodava de dia e de noite… Essa relação de falta de fraternidade e solidariedade era uma coisa que não me explicava, uma coisa que me fez cair por terra junto com o sentido de família, junto com o que minha mãe sempre me dizia que era sempre o grupo de pessoas em que a gente poderia contar e que nada, nada poderia me afastar ou separar dela, então, porque esse grupo de pessoas, que sempre me teve por perto, não ligava pra minha mãe ou pra mim nem pra desejar um feliz aniversário? Ou um feliz natal ou um feliz qualquer coisa? Ou apenas pra saber e dizer por um telefone: “Olá cachorros e mendigos, como vocês estão? Precisam de alguma coisa?”

O que é mais fantástico é que, há mais ou menos uns anos atrás isso acontecia, quando uma fruta madura, que tinha seu pé na região dos lagos, que tinha lagoa e praia ainda era comível, era quase difícil uma dessas pessoas não deixarem de ligar, pra saber qualquer coisa, notícia, parabenizar por qualquer merda, ou dizer abobrinhas de horas no telefone, e isso corroia a minha mãe de uma forma que me tirava o prazer e me matava. Me culpava diáriamente por tê-la defendido – mesmo sabendo que isso era um álibi furado, que a cama de gato há muito tempo se armara e que a qualquer deslize ela – falsa família composta de “alguns” membros – nos iria derrubar.

De um corroer tão incomodo, que me fazia clamar e pedir a Deus que tirasse esse sentimento do coração da minha mãe e que a fizesse ver que o mundo é muito grande, e que poderíamos ter outras pessoas para ajudar a gente , que poderíamos estabelecer um relacionamento de fraternidade com outras pessoas, mesmo que elas não fossem consanguineamente compatíveis, mas vi que ela não entendia isso, subestimava então a sabedoria dela, vi que ela sofria com a ingratidão das pessoas que tinham virado as costas pra ela. Ela sofria com a falta de atenção daqueles que há muito conviveram, passaram gerações ao seu lado ao ponto de criarem os seus filhos no convívio nosso, então, como um vírus letal, isso também passou a me incomodar bastante.

“Será que seria tudo assim mesmo”? Me perguntava inquietantemente: “Será que essas pessoas que ‘tradicionalmente’ teriam que ficar do meu lado, ter cuidado e atenção conosco, virariam as costas pra gente e iriam nos tratar agora como pano velho? Como um bagaço que cansaram de sugar e jogaram fora”? E em uma noite em que a solidão foi tão forte e nos bateu de forma tão incomoda, que eu e minha mãe debatemos sobre isso, e creio que, tanto ela quanto eu fomos dormir incomodados com tal situação, e de um desespero tão inquietante que perdi completamente o sono.

Mas mesmo assim, nessa noite de insônia, eu lembrei que eu e minha mãe nos repetíamos que algo de bom e de muito especial Deus estava reservando para gente; a gente sempre se repetia de que Deus não desampararia a gente e que algo muito bom estava para nos acontecer. Quando não era eu que acordava dizendo isso para ela, era ela que dizia: “Rodrigo, eu sinto que Deus tem uma coisa muito boa pra gente”, mesmo amargando solidão e desesperança a gente se repetia isso com a vontade, fé e certeza que algo de bom Deus havia reservado. Nós sentíamos fortemente isso.

E, depois de vagar tanto pela internet, de conversar com várias pessoas – não sobre esse assunto – quando não tinha nada mais a fazer, abri o Google à procura de alguma coisa a me informar, mas me vi olhando a página do Google por longos segundos com a consciência dizendo – “Esse é você em casa: Sozinho, sem ter com quem conversar ou sair e mesmo que tivesse com quem sair, não teria como sair, você está sem dinheiro” – Me despertei. Não deixaria que isso me tomasse dessa forma e em um ato que não tem muita explicação – disse aos outros que foi por curiosidade, hora me analisando, coisa que faço muito, achei que era uma forma de buscar família “em um outro braço”, mas não sei se foi isso, não me importo muito com o outro lado, creio que deve ter sido uma momentânea curiosidade – e o ato, voltando, foi digitar na busca “Rogério Viégas Serra” – meu pai. Há dez anos não sabia se estava vivo ou morto, então, não custava nada tentar – o porquê disso eu não sei, como já tinha supracitado.

Encontrei várias coisas: Desde registro na OAB, a inscrições em concursos e a outras pessoas com um nome parecido, mas de repente, me veio saltando os olhos a coincidência em um site chamado “Árvore Genealógica”:

O nome do meu pai estava nesse site, mas quando clicado, havia uma incidência de árvore genealógica diferente das que eu “conhecia”. E ali vi dois nomes – na verdade três – Rita de Cássia dos Santos, Marcos Antônio Dos Santos Viégas Serra, Wander dos Santos Viégas Serra.

Custei a acreditar, aquilo me corroeu e me doeu em saber mais coisas e podres do meu pai. Como ele podia ter tido uma outra família? E o pior, em que circunstância? – mais tarde, saberia que foi muito mais sórdido: Ele simplesmente abandonou-a – ele tinha me escondido isso, ou pior, será que minha mãe tinha escondido isso de mim?

Fumei alguns cigarros me questionando isso, rodei de lá pra cá até que eu não resisti e acordei a minha mãe a procura de respostas: Como de praxe e como já sabia, ela disse que não sabia nada, e que nem tinha ouvido falar, me falou dos nomes que conhecia na qual o meu pai tinha uma família e me indaguei a noite inteira. “Deveria cavucar mais isso”? “Será que poderia ser uma coisa que fosse me fazer magoar e me ferir mais ainda do que já tinha me ferido?” esse era o medo e eram as dúvidas que passavam a minha cabeça, mas como todo aspirante a jornalista, a curiosidade foi muito maior do que o próprio medo, me pus a procurar agora a incidência no Google desses três nomes que eram uma incógnita pra mim.

Pesquisei pelo nome do Marcos e não achei muita coisa. Apenas inscrições no exército e outras incidências de nomes que não me davam muitas pistas, mas quando eu digitei o nome do Wander, ai me trouxe uma grande surpresa:

Quando eu vi essa foto eu simplesmente fiquei trêmulo. Sim, era realmente um irmão que eu não conhecia e que estava querendo saber noticias do meu pai. “E agora, mecho eu com isso? Será que são boas pessoas? Será que eu vou me machucar mais ainda com isso”? Essas eram as perguntas que me rondavam, mas no impulso, entrei no seu perfil:

Já estava muito trêmulo e com muita taquicardia… Agora que eu não ia dormir mesmo… Às quatro da manhã, eu pedi a ele pra que me aceitasse no Orkut: “Cara, eu não sei como te explicar, estou trêmulo até agora, mas acho que sou seu irmão, me add ae pra gente conversar” Foi assim que eu pedi a ele pra me adicionar no Orkut. Eu estava ainda com o pé e muito atrás, eu poderia ter dado a ele o meu telefone logo de cara, mas não, eu preferi o contato via internet pra depois realmente confirmar isso.

Após trocarmos alguns scraps e ver as suas fotos – que era nítida a semelhança com o nosso pai – uma me fez aceitar realmente que era o meu irmão – a foto do meu tio Oswaldo, que não foi reconhecida nem por mim, mas por minha mãe que pedi que olhasse também as fotos para verificar a semelhança delas. “Com certeza, é seu Tio Oswaldo, entra em contato com ele” dizia minha mãe com uma convicção de certeza.

O mais impressionante nas fotos do Wander era uma seção em que tocava bateria na loja de instrumentos em que é gerente: Me lembro nitidamente do que estavam tocando, porque eu estava lá! Sim, quando Wander tocava a bateria eu me lembro realmente do instrumento que tocava pela posição das pessoas e pela disposição dos instrumentos – coisa que foi confirmada no primeiro encontro, pois eu falei com clareza e certeza a posição de onde estavam, a tumbadora, o repique e o agê-agô. Estavam em frente a sua bateria, porque eu sabia? Na hora em que bateram a foto eu tocava uma tumbadora enquanto, sem saber, o meu irmão estava na minha frente, tocando bateria! Essa coincidência aconteceu nas minhas férias, quando estava procurando comprar um violão folk, de repente, eu tinha entrado em uma loja em que se estavam tocando louvores, eu me senti um pouco tocado, ao lembrar dos louvores antigos que ouvia na igreja, então eu decidi entrar, sem saber, que quem estava tocando a bateria era o meu querido irmão Wander, mais tarde nós iríamos ficar boqueabertos com tal coincidência e de como Deus meche com o destino das pessoas e como muda uma realidade toda para provar que ele realmente é contigo. Sem saber, há muito tempo, Deus queria que eu me encontrasse com meu irmão e tivesse a noção de quão sórdida e doentia era a mente do meu pai, coisa que aliás, me fez me deprimir um pouco por não acreditar que um ser humano seria capaz de abandonar seus próprios filhos como se fossem cachorros.

Voltando ao timing do encontro principal:

Prontamente, quando confirmei que realmente haveria a hipótese dele realmente ser o meu irmão, lhe mandei um depoimento com o meu telefone e pedi pra que me ligasse assim que pudesse, demorou acho que um dia, e ai, quando ele ligou, no início foi estranho…

Meio que confirmamos informações e outros dados, mas realmente, depois das fotos , não se tinham mais dúvidas, realmente, ele era o meu irmão e de repente um choro contido, um choro que há anos queria se libertar realmente se libertara. Era o choro de quem não teve pai, de quem teve um carrasco dentro de casa, a espancar a mãe, a xingar deus e o mundo e com todo mundo escutando. Era o choro de quem aprendeu a fazer a barba sozinho, o choro de quem aprendeu as maldades na rua e a gratidão apenas com Deus, porque a vida foi muito dura, mas dura pros meus irmãos do que pra mim, pois eles tiveram muito pouco do que eu tive. Do outro lado também havia choro. Chorávamos os dois por essas coisas. Há muito tempo eu não havia chorando tanto em um telefone ou até mesmo com outra pessoa. Em seguida, depois de alguns minutos no telefone, começamos a trocar informações e dizer de nossas vidas. Depois, a minha cunhada, a Jariana, esposa do meu outro irmão, o meu irmão Marcos, entrou em contato comigo, querendo adiar o quanto possível o encontro dos irmãos, mas retruquei um pouco, esperando me acostumar mais com a idéia, pois estava atônito. Depois o meu outro irmão, O Marcos, me ligou e nos falamos um pouco.

Mas enfim, marcamos de nos encontrarmos numa segunda feira, depois do expediente: Estava muito nervoso, não sabia se era uma armadilha ou se era um encontro a qual iria me magoar ainda mais, não sabia se realmente aquilo poderia ser verdade, pois se fosse, se realmente eu tivesse irmãos e se esses irmãos não tivessem um outro interesse a não ser em “ser meus irmãos” isso seria realmente ótimo, mas se não fosse? Se fosse apenas uma outra coisa? Como uma retaliação as coisas ruins que meu pai fez? E se eles achassem que eu tinha alguma coisa a ver ou a minha mãe? Não sabia de nada. Várias dúvidas vinham na minha cabeça e um medo crescente se abatia cada vez mais do meu corpo, da minha mente e principalmente da minha vontade, uma crise de ansiedade fez com que minha boca ficasse muito seca e minhas mãos ficassem muito trêmulas como eu nunca tinha visto ou sentido antes. Marcamos às 19:00, mas estranhamente eu tinha muito medo que a hora chegasse, pois tudo, tudo mesmo, que veio do meu pai era muito ruim. Tudo que meu pai plantou comigo e com minha mãe foram carregadas de más lembranças, por mais intencionalmente alegres que elas pudessem se transformar ou transcorrer, o desequilíbrio emocional do meu pai acabava com tudo e uma hora ou outra isso iria acabar, com um dia ou uma noite inteira.

A hora tinha chegado e estava na porta do meu trabalho. Meu corpo tinha tomado a direção de tomar o meu rotineiro ônibus, mas de repente uma ligação: Era a minha cunhada perguntando se eu iria agora ou não, porque meus irmãos estavam muito ansiosos pela minha presença. Em um intuito de coragem, eu apenas virei o meu corpo e fui em direção da loja de música onde o Wander trabalhava – Que nem me precisou dizer onde era, eu já sabia por causa das fotos onde tocamos juntos sem saber, era uma loja que eu sempre ia namorar guitarras e perturbar vendedores.

Os metros se aproximavam mais e mais e quando cheguei na loja, me pediram para subir um lance de escadas: Lá estavam os meus irmãos.

A foto do primeiro encontro:

E toda a sensação de medo tinha ido embora. Pela primeira vez em minha vida eu me sentia realmente ao lado de pessoas que se pareciam e muito comigo. E quando eu os olhei eu vi verdade e o mesmo sofrimento que eu passei. Na primeira vez que vi os meus irmãos eu tive a nítida certeza de que eles eram mesmo os meus irmãos e que finalmente não estava sozinho. Choramos muito. Nos abraçamos e ficamos conversando sobre como éramos parecidos – Era engraçado, pois o Marcos, o mais velho, tinha a mesma mancha branca do meu cabelo – Foi o sentimento mais incrível que eu tive em minha vida. Era como se eu encontrasse a “minha manada”. Sabia, só de ver os dois, que eram “realmente” os meus irmãos e tenho certeza de que sei exatamente como eles pensam. Não me sentia mais sozinho, sabia que tinha pessoas que me queriam por perto, que queriam conviver comigo, que queriam a minha presença, que tinham o mesmo sangue que o meu e queriam me ter por perto, me conhecer mais e que, acima de tudo, se pareciam e parecem muito comigo. Não estava mais no meio de estranhos que tradicionalmente eu tinha que conviver porque a convenção família assim ditava, Deus tinha me dado pessoas que eram legitimamente do meu sangue e que se parecem comigo, e o melhor, elas querem conviver comigo e depois do convívio que tivemos, eu senti que elas também queriam me amar assim como eu também queria amá-las.

Dalí fomos comer uma pizza e conversamos sobre o passado. Botamos alguns pingos nos ís, mas como todo sonho acaba, eles tiveram que ir embora e um estranho vazio começou a se fazer em meu peito, não queria que eles fossem embora, não queria que eles me deixassem, e se eu não os visse de novo? Caramba, tanto tempo para encontrar com eles, e eles iriam embora assim, meio que sem querer eu soltei: Poxa, eu queria tanto ir com vocês! Os olhos dos dois e das minhas duas cunhadas se marejaram e eu notei que eles sentiram sinceridade no que eu falei e realmente fui sincero, não queria ficar mais perto de pessoas “diferentes”, queria os meus irmãos!  Então comecei a me sentir sozinho de novo depois que eles foram embora, mas aquietei o meu coração e me prometi que não ia mais deixá-los sozinhos, e mais tarde, em carta, o Marcos prometeria isso para mim e para a minha mãe. O encontro não demorou tanto, queria poder ficar mais e mais com meus irmãos, mas, como eles tinham compromissos com a casa e com os filhos, nosso primeiro encontro foi muito rápido, mas nesse encontro eu disse que tinha uma casa de praia na região dos lagos, todos ficaram muito contentes e fiz o convite para irmos lá no carnaval: Mesmo sabendo que teria que desmarcar com todas as outras pessoas que eu tinha marcado para ir; mas felizmente e infelizmente também – tenho um laço de carinho muito tenro com meus amigos – eu não marquei nada, e combinei com meus irmãos previamente que iríamos lá.

Até chegar o dia do carnaval estava muito ansioso. Tinha muito medo de que acontecesse alguma coisa que fizesse que nós desmarcássemos – inclusive, o meu cartão do banco tinha sido bloqueado por suspeita de clonagem, me deixando mais nervoso e ansioso do que nunca – mas como uma Graça de Deus, a ida correu muito bem, bom não até demais, mais foi tudo muito ótimo, inclusive, consegui desbloquear o meu cartão!

Primeiro chegou o Wander. O Wander veio de madrugada, o que me deixou um pouco nervoso, pois foi direto do trabalho às onze da noite, direto de Jacarepaguá, não dormi até às quatro da manhã esperando-o, mas ele chegou apenas três horas depois. Acordei recebendo-o com um forte abraço,ajudei a ele a descarregar a mala e expliquei a ele que eu estava praticamente virado e fui dormir um pouco, enquanto isso, minha mãe e eles – Wander, Deise (Sua esposa) e meus sobrinhos; Sara, Rebeca e Jonas brincavam com Luiza que acordou toda animada com a criançada ali.

Meu sobrinho Jonas no balanço:

Rebeca, Sara e Luiza brincando na rede:

Convivemos muito bem durante o dia, almoçamos e a tarde fomos todos a praia. O convívio foi perfeito, e a noite foi reservada ao passado: Wander – como todo e qualquer mortal que não conhecia e nem sequer tinha visto o próprio pai, que por infelicidade era meu também – quis saber um pouco do seu perfil. Minha mãe não tinha me escondido nada e era verdade, ele realmente tinha abandonado o Marcos e o Wander e minha mãe sequer sabia que ele teve um outro relacionamento, que quase foi paralelo, com a diferença de ter sido um ano depois de tê-los abandonado. A cara de Wander era de atônito; Mamãe chorou ao contar do nosso passado com o nosso carrasco e naquela noite, eu realmente tinha enterrado o meu passado e tinha decidido: Se Deus tinha me dado uma outra chance de ter uma família, de ter um bom convívio com pessoas que realmente me amavam e com pessoas que hoje eu realmente amo e desejo conviver vinte e quatro horas por dia. (quando saíram da casa me senti vazio e sentindo muita falta dos meus dois irmãos e de suas famílias, que eram minhas também depois desse convívio)

Não poderia mais perder essa oportunidade de realmente ter uma família e ser feliz. Dois dias depois veio o Marcos, com a Jariana e os meus outros dois sobrinhos – A Emily e o Davi –  nos abraçamos a jantamos juntos a meninada ficou mais contente e brincavam e brincaram o resto da noite – eles chegaram à noite  – conversou sobre a viagem e depois conversamos um pouco sobre o que conversamos juntos mamãe, eu e Wander, mas muito superficial, pois tinham feridas muito doloridas que fizeram minha mãe se machucar. Daí pra frente, o nosso convívio, nós três foi excepcionalmente maravilhoso.

Da esquerda pra direita: Daví, Sara,Emily, Luiza e Rebeca:

No dia seguinte fizemos churrasco e fomos a praia:

Mesmo no mormaço a gente se divertiu pra caramba! rararararara!!!

Ríamos o tempo inteiro – como se a gente realmente tivesse curando um passado que muito nos torturou – e pelo dia ser tão agitado, íamos dormir muito cedo, no mais tardar das onze, estávamos todos na cama. No último dia, o meu irmão mais velho – que é pastor – ministrou um culto e oramos juntos. No final da oração, eu e meus dois irmãos nos abraçamos e choramos, emocionados, pois vencemos o nosso passado e dali pra frente decidíamos andar juntos, realmente nos amando e se interessando um pela vida do outro – depois que cada um voltou ao seu cotidiano, sempre que posso ligo para o Wander ou para o Marcos, Marcos que também é um grande irmão e tenho muito amor por eles. O final do nosso pequeno culto foi marcado por muita emoção, que foi mais forte quando Marcos disse a minha mãe que não estava sozinha e que tinha ganhado mais dois filhos:

Nesse momento Marcos disse: "Você não está mais sozinha mãe"!

Nesse momento Marcos disse: "Você não está mais sozinha mãe"!

Wander tinha ido embora um pouco depois do culto e isso tinha me deixando um pouco triste: Pois tinha insistido como nenhum outro convidado de lá a ficar mais, mas ele tinha muitos outros compromissos.Dei a ele um copo do Vasco e ele foi embora deixando muitas saudades.

(Ele é Vascaíno doente, olha o protesto que ele fez na porta de São Januário):

E, como Luiza já havia insistentemente pedido para ir ao parque, fomos todos ao parque, inclusive, todos nós brincamos no carrinho de bate-bate!

Foi muito divertido brincar com o meu irmão em um parque!

Era como se fosse um sonho, meus sobrinhos, minha filha brincando juntos no parque e eu e meu irmão nos divertindo pra valer, daí, voltamos a casa, mais cansados do que nunca.Emily, Luiza e Davi se divertiram tanto no pula-pula e nos brinquedos que chegaram desmaiados de cansados em casa:

Me despedi de Marcos contando que iria no dia seguinte depois do almoço e fui dormir mais cedo. Minha mãe ficou a conversar com o Marcos. Conversaram sobre o que tinha dito a mim e a Wander, não chequei a me despedir na hora em que o Marcos tinha ido – ele saiu da minha casa às cinco da manhã – Mas deixou um bilhete na porta da geladeira que fez eu e minha mãe chorar: Esse é o bilhete:

E assim como Wander, Marcos deixou um vazio em sua partida, mas que um vazio, uma emoção forte que nos fez chorar e louvar a Deus pela sua fidelidade!

Eu realmente senti a mesma coisa e sinto a mesma coisa do que ele nos disse na carta. E conclui que ninguém sabe das coisas boas que Deus prepara nas nossas vidas, ninguém mesmo, com todos os meus inscritos anteriores, de versos vanguardistas, de contos tenebrosos, eu sei, essa postagem é destoante com muitas coisas que são escritas nesse blog, nesse espaço, mas não poderia deixar de testemunhar essa coisa maravilhosa que Deus fez na minha vida e na vida da minha Mãe, quando pensávamos que todos nos tinham abandonado e que não havia mais ninguém ao nosso lado, Deus nos coloca pessoas que nos amam e melhor, IRMÃOS, pessoas que são parte da minha família e que querem me acompanhar e eu realmente acompanhá-las, porque sei que dali não haverá fofocas ou intrigas ou dúvidas sobre o que eu sou, pois eles sabem exatamente o que eu sou porque eles realmente passaram a mesma coisa que eu, e até mesmo coisas piores. A moral disso tudo é que: Não duvide das coisas boas que lhe podem acontecer! Viva o dia desejando sempre coisas boas, não só pra si, mas também para os outros, pois esses outros podem te abençoar também, quando eu e minha mãe nos sentíamos mais sozinhos, nos apegamos a um pensamento positivo sem lógica que só pode ser chamado de fé: Tínhamos apenas a esperança de que alguma coisa realmente boa aconteceria em nossas vidas e essa coisa aconteceu e pode acontecer na sua vida também!

Não tome os mesmo caminhos para voltar para casa. Dobre uma esquina diferente contando com um acaso maravilhoso que Deus pode lhe reservar pois tenho certeza, que um bom acaso, pode mudar a sua vida radicalmente e com um pequeno esbarrão, a sua vida pode mudar radicalmente de uma forma positiva, mesmo que tudo conte para a sua derrota, pense que Deus é bom, e por ele ser: Onipotente e Onisciente, ele sabe o que você quer e lhe reserva as melhores coisas para a sua vida, pois instintivamente, eu e minha mãe só sabíamos fazer duas coisas antes desse grande acontecimento acontecer: Agradecíamos todos os dias pelos nossos dias e contávamos, mesmo sem nenhuma esperança, que algo MUITO BOM iria realmente acontecer e mudar radicalmente as nossas vidas, e mesmo em desespero, eu esperava isso, esperava que algo me tirasse de órbita mesmo negativamente quando digitei o nome do meu pai no Google, eu esperava alguma mudança, mas subestimei a Deus, porque ele tinha algo de muito bom na minha vida, bastava eu vê-la de uma outra forma, da forma em que eu poderia e posso, transformar um passado doloroso em um futuro formidável, e em convívio com pessoas que me amam! E agora o círculo de minha vida gira em torno de mais pessoas: Meus irmãos e suas respectivas famílias!

Que Deus abençoe a vida de cada um que leu, e que ele dê respostas aqueles que acabaram de ler, mesmo sendo as que a gente não espera!

– Verdadeira família é aquela que deseja estar contigo, cuidar e ter uma relação fraterna entre si e principalmente contigo. Não importa se tem o mesmo sangue, o que importa é se há ou não esse sentimento, essa troca e o desejo de compartilhar – Pois a felicidade só existe se for compartilhada.

P.S: Tudo isso, toda essa felicidade aconteceu: SEM CERVEJA, SEM FARRA DE CARNAVAL E SEM NENHUMA OUTRA COISA CORRELACIONADA A BRIGA OU CARNAVAL – COMO BEBEDEIRAS E ETC… A felicidade maior era de sermos uma FAMÍLIA e estarmos realmente contentes e alegres por estarmos juntos.

Olha só como a gente tava feliz:http://www.youtube.com/watch?v=vyzTlxJ_Sf8

O meu irmão é muuuuito engraçado… Eu ria com ele toda hora!!!

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~ por Água para Plantas em março 18, 2011.

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