Navalha Desafiada

A minha vida encontrei na vida mesmo
Rondando, fuçando, correndo, rindo…
Entre coisas podres
No lixo mesmo…
E nele
Encontrei um vazio juízo
ao lado de uma garrafa de bacardi quebrada
ou vice versa.

Sorvendo todas as cores e sons, achando sinos
Assim como a navalha achou naturalmente o corte
Sem uma mão mais velha segurando a minha
Corri. Corda bamba.
O fio da barba,
Ainda não cerrada
Corta um pouco a cara
Vida
Navalha desafiada

Encontrei meus irmãos na esquina
Beijei bocas em praças
Encontrei Cristo na sarjeta
Deixando minha razão na lapa
Sem pai, sem mais nem menos
Com veneno, no vício, na farsa
Tive minha filha na marra
Corri, querei a banca
Cuspi na família
E só não fui ao cinema
Porque prefiro a rua.

Entro em um site
Encontro minha família
Acordo outro dia
Vivo tédio e alegria
Mas eu sou uma roda
Um mantra que ninguém entende
Uma loucura que ninguém prevê
Porque ontem, rasgo
A rasa ordem de ser não me condena
Pago meu veneno e a quem me envenena
Então, pra quê o sarcasmo
Médica frustrada?

Dobro uma esquina
Encontro a mulher da minha vida
Vou a um encontro
Me encontro e encontro tanto outros
E os outros são como eu
Soltos, poetas, perdidos
Imaginativos…
Bastardos que andam e não se perdem
Porque a essência do se achar é nunca se procurar
Mas sempre procurar se perder
Quem perde o que não tem é covarde
Não tem poder daquilo que se obtém.
Já é Natal e ano novo
A necessidade e alegria estão comigo
Mulheres, os amigos que no peito guardo
Olho para os lados e não estou sozinho e nem amargurado
Então…
Pra que falsidade
Ó Idiota alcólatra sem talento?
Onde eles estarão sem um copo de cachaça?

Se, pai é porto,
Então sou eu nuvem
Solto entre monções de ar
Que me levam a lugares quentes
Sendo pouso todo o céu
Tendo a segurança no intangível
Levado a outras terras
A pessoas interessantes
Lugares diferentes
Porque a raiz verdadeira é somente encontrada em árvores
Seres imóveis, que são sós, não podem se coçar…
Seres grudados em um computador a jogar tétris
Tateando o tédio em redes sociais
Mas eu sou eterno
Porque sou sempre ressuscitado
Quando acharem um buraco a me enterrar
Serei sempre, Lázaro e bardo
A cantar no meu velório
A glória da falsidade dos que me velam.

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~ por Água para Plantas em janeiro 29, 2011.

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