Sobre a difícil tarefa de ser.

Muitas vezes me vi preso a uma farsa social que pra mim é a pratica mais vil do mau caráter: O falso ego ou propriamente o indivíduo “duas caras”.

A principal receita para ser taxado de alguma coisa é se entregar ou confessar à uma pessoa que tem medo simplesmente de “ser”. E o pior, eu também me incluía muito nisso, pois a troco de uma religião, decidira tratar bem a todos e a ser cordial, mas aquela dita “cordialidade” não era minha. Não sentia realmente a vontade de fazer ou acontecer para ninguém ou de ser gentil, ou de ser bom porque a realidade é que tinha muita raiva da falsidade das pessoas… Então como resolveria isso? Seria igualmente ou superior a maldade e falsidade com que era tratado em um ato vingativo ou seria eu mesmo? A melhor opção foi a segunda, mas não ao pé da letra, porque sendo “falsamente bom”, estava enchendo o meu coração de um nódulo que realmente era mais difícil de dissolver ou de engolir que era o nódulo da mágoa. Não se pode prever ou saber  como essas pessoas trabalham os seus sentimentos ou o que sente por você, pois muitas vezes fingem escutar ou são cheias canduras de falsa bondade, mas tem o coração cheio de maldade, por muitas vezes ignorância por não conhecer que o caminho do mau é um caminho inviável para qualquer ser.

Maldade e bondade são coisas subjetivas mas objetivas em caráter sublimário e a bondade de contemplativa virtude quando se busca realmente o que é bom, ele deixa de ter uma ação do “eu para si” para a ser “eu para o mundo” ,ou seja, existe um conceito etéreo de bem e mau que são imóveis, mas ao praticar e querer coisas boas para si, esbarramos em um adendo de que: A felicidade não existe se não for compartilhada.

Grande exemplo disso são os monges budistas que atearam fogo a si mesmos, a subjetividade do que era mau e bom para os monges residia no que se fazia com áreas do Tibet ainda dominadas pela ditadura socialista na china, então, não viam sentido na vida sem ver o seu povo em uma real liberdade política, então, como protesto, atearam fogo em si mesmos. O Tibet não se transformou em uma nação independente da china, então, valeu o sacrifício? Essa é uma pergunta que ronda a cabeça de muitos budistas, mas a resposta a isso não é objetiva e sim subjetiva.

O que era mau para eles não era sentir o arder das chamas comendo a pele, deteriorando a carne sufocando o pulmão com a queima da mesma, dor era viver em um regime em que seu povo pedia liberdade sem ter e não o ardor do fogo, mas do que adianta viver isso se você não sente? Imagine-se queimando, ardendo em brasas, sentindo a dor do fogo e do remorso por ter sido tão idiota?!

O falso vive queimando em uma fogueira eterna, por não entender por que queima e também por não ver razão em apagar o fogo.

Realmente, o princípio da falsidade é  como quando almejamos um falso céu, quando nos colocamos em uma relação de extrema bondade e falaciamos aquilo que é sagrado – que vem do campo etéreo do que realmente é bom e inexorável – e sem sentir, nos misturamos aquela sensação e nos colocamos de mãos postas a julgar, mas nós a recolhemos quando é para estender, daí, lembro dos levitas que foram queimar incenso sem pedir permissão a Deus e foram queimados vivos… Essa é a alusão que a Bíblia faz àqueles que entram em um ambiente sagrado, mas andam cheios de maldade. Só pode entrar em contato com coisas boas quando se está em sintonia com ela. Existem vários versículos da Bíblia que fazem alusão também a essa característica de se ter coisas boas, a exemplo é quando se fala do oleiro, que ao fazer um vaso, quebra o velho para poder “deitar nele vinho novo”, linda analogia que mostra que devemos quebrar conceitos, destruindo-os para poder nos refestelar de coisas boas e melhores, coisas boas que atraem coisas boas… Confuso com o texto acima? Repetindo: O que é mau é bom, já que acima coloquei o caráter da sua subjetividade?

Voltando a idéia do primeiro parágrafo: Eu me magoava muito, mas muito mesmo com as pessoas que me maltratavam e vivia as turras comigo… Vivia literalmente desequilibrado, pois uma parte queria “me matar” e outra parte queria “matar o próximo” pois tinha sido idiota e muito inútil ao ser tratado com desfaçatez, mas ao mesmo tempo me sentia mau por ser incompreensível, hora, se sou também “Humano” então eu sou o meu próximo, pensei, se as mesmas atitudes que eu tomaria com o próximo, eu também as tomo, porque perdendo o real controle de minha identidade e sentido, as coisas simplesmente fugiam do meu senso analítico do que é ser humano, então, não posso me reprimir, pois a chave dos meus sentimentos é a reposta para compreender o próximo, então, deveria agir de uma forma natural sendo eu mesmo, me permitindo ir até onde iam os meus limites e exercitando a minha liberdade em conhecer as coisas reais – porque o que é real não foge do que é humano, ou seja, a realidade dos seus relacionamentos é a realidade de suas emoções, frustrações, desejos e sonhos, e sempre aquilo que é você e não é o outro, atrapalha o campo de sua relação com o próximo, porque não existe um espelho pra alma, vemos em partes, como o Apostolo Paulo mesmo falou, mas se mesmo assim não vemos nem os pedaços?

No novo testamento, é colocado de várias formas ao homem que “não tem amor natural” e que não tem “afeto natural” como que, o verdadeiro amor “brotasse” do âmago do ser daquele que vivencia o que não tem, e devidamente não o terá, pois só vivencia o amor quem passa pelo seu outro prisma, pra quem reflete e come do seu outro espectro que é a indiferença, que é feita do egoísmo que brota  do fundo da alma de quem realmente não quer saber do outro, não quer saber de nada e muitas vezes nem de si, mas ao embarcar nessa viagem, vemos que a natureza do que é bom ou mau está em nós, se está em nós então vou ser bom pra me favorecer, mas sendo bom apenas para mim, eu posso me prejudicar… E dentro dessa dialética, o homem egoísta e cego descobre: Eu não estou sozinho… Ou seja, o exercício de ser  essa fonte de águas vivas vem que um exercício de auto-análise, em que realmente provamos o que é ser bom e o que é ser mau pela busca honesta e egoísta que todo o ser humano tem de angariar pra si o que é bom, mas aquele que não procura e entra em um campo onde tem medo de si e dos seus sentimentos isso é muito ruim.

Até mesmo porque a busca entre Bem e Mal nasce de pequenas coisas em nossa infância: Entre gostos e decisões, entre coisas saudáveis ou guloseimas, entre desobedecer os pais ou obedecer enfim, a única forma de saber, a priori, os conceitos básicos e Bem e Mal são nas práticas egoístas, do tipo: “vou comer mais do que o meu irmão” ou “vou aproveitar e não vou ajudar a ninguém, porque o problema não é comigo” e é muito errado em censurar muitas vezes esse tipo de pensamento de uma criança: O ideal é mostrar que à tudo existe uma compensação e de que tudo que você faz um dia certamente volta para você – seja o que for feito bom ou mau, para isso, a qualquer ato a ser tomado na vida exige uma reflexão, pois se para tudo tem essa lei de retorno, então temos sempre que fazer coisas boas porque o nosso bem depende do bem de tudo.

Existe uma parábola de um velho vendedor que morava em uma cidade pequena.Esse vendedor trabalhava em sua barraca nos fins de semana em uma feira tinha e muitos fregueses. Era um bom e bem sucedido ourives que tinha muitos clientes e realmente não tinha muitas preocupações na vida, certa vez, uma grande catástrofe abateu aquela cidade, matando muitas pessoas, desabrigando muita gente, de modo que só restaram as casas mais privilegiadas, as casas mais próximas aos lugares mais bem localizados e muitos vinham de outras cidades maiores para ajudar, ele, da porta de sua casa, via a comoção de pessoal a ajudar a cidade, mas em uma atitude egoísta decidira ficar em casa: “Nada tenho com essa gente miserável – retrucou – Os outros que vão ajudar essas pessoas, porque nada tenho a ver com isso e cada um que cuide do seu”. Deu então de ombros e começou a tomar a vida como antes tinha, sem ter nada com o que aconteceu ou sem se importar com ninguém.

Mas quando levantou a sua barraca não havia ninguém a lhe comprar na feira. E não só neste final de semana, como no próximo e no próximo, a ponto de não ter comida em casa… Isso o assustou profundamente.

Tinha umas economias em casa, achou algum dinheiro e foi buscar algo pra comer, mas antes pensou: “Não vou partilhar a migalha com essa gente, vou a um restaurante” E assim foi mas o mesmo estava fechado. E o outro também, e mais outro e outro até que a única coisa que lhe restava era um mercadinho, que também só tinha uma única pessoa. Procurou comida e achou: Ainda tinha pouca, mas o pouco que achou estava muito cara. “é por isso que o mercado está vazio, esse povo perdeu tudo e não tem dinheiro, bom que eu comprei as minhas coisas “ O homem que lhe vendeu a compra ainda lhe olhou com uma ganância e deu um volte sempre com uma certa malícia.Fez a sua compra e comeu por uns dias e ainda nesses dias, abria a barraca, mas nada vendia.

Havia sobrado apenas uma moeda, mas mesmo assim saiu a rua para comprar alguma coisa, “pelo menos um pão eu vou comer” pensava. E foi migrando com fome pelas ruas, mas nenhum mercado. Todos estavam misteriosamente fechados.

O desespero lhe tomou tanto o controle que não procurava mais por mercados e sim por pessoas com a informação de algum lugar que lhe desse ou vendesse comida. Procurou por pessoas e nada achou, até que então, surgiu uma luz e algo lhe guiou aos desabrigados: “Afinal de contas, lá tem comida e de fome não morro” E assim foi…

Estranhamente, viu o homem do antigo mercado em uma fila enorme e outros que também tinham restaurantes e mercados em uma fila,mas lá na frente, viu uma senhora ajudando e essa senhora era uma velha conhecida companheira de feira, uma mesma senhora que não vendia tanto quanto ele, mas que estava ali feliz e tinha muita paz de espírito. Astutamente, foi sorrateiro em sua direção ao início da fila da comida, passando a frente do dono do mercado e indo sorrateiramente em direção a senhora com um prato pedindo para que o colocasse na frente da fila, mas prontamente a senhora falou:

“Não posso lhe colocar na fila pois estes muito a sua frente não comem há mais dias e é certo que lhe agridam por conta disso” Retrucou.

Então, foi para o final da fila e de sentir tanta fome não a mais sentia, sentia dor e muita dor na barriga e náuseas, a pressão estava a ponto de baixar a muito tempo sem comida. Mas então durante a fila ele observou que se ele estivesse há mais tempo ali e ajudado as outras pessoas, já teria comido e não precisaria passar fome, essas mesmas já poderiam ter voltado a feira e fazendo a mesma funcionar, e se tivesse mais pessoas para ajudar , a fila não estaria tão grande e com certeza todos poderiam se alimentar e que se todos, inclusive ele, tivessem o intuito de ajudar aos outros e não se esconder hora por preguiça hora por ganância e mesquinhez, os preços das coisas estariam o mesmo e tudo voltaria ao normal. Resumidamente, ele viu e concluiu que sua felicidade dependia de outras pessoas e que a natureza real do que é bom, não é o que é “exclusivamente bom”, e sim do que é “excessivamente bom” porque tudo que for honesto, justo , puro e verdadeiro vem do que é bom, e até mesmo a sua sensação de mau estar melhorou, pois via crianças brincando e felizes com mais dias sem comida e isso lhe deu ânimo para que pudesse continuar de pé na fila.

Daí, mudou radicalmente a sua postura, e tomou a ser pró-ativo em ajudar, pois tinha descoberto que a verdadeira bondade mora em um senso coletivo e que se pensasse dessa forma, só estaria chamando para si mais e mais felicidade, a ponto que não chamava pra si a bondade: Ela fluía como uma lógica que era “naturalmente” sua. Destino contrario do dono do pequeno mercado.

Saindo do abrigo, foi reabrir a venda para tentar vender um bujão cinco vezes mais caro. Quando foi levantar o bujão para carregá-lo nas costas,  deu um mal jeito em sua coluna ao tentar carregar pra frente da loja, fazendo cair em suas costa, abriu uma ferida muito grande. A dor era tão grande que não conseguia andar, pediu socorro incessantemente, mas lentamente o corte o desmaiaria, muito sangue jorrava da ferida. Resumindo: Morreu sozinho, com a porta de sua mercearia aberta cheia de mantimentos segurando um bujão de gás, ficou ali, não conseguia andar e como todos estavam agora no alojamento, inclusive médicos e pessoas, ninguém o pode socorrer e esse foi o fruto da mesquinhez desse homem, que ainda teve a oportunidade de enfrentar uma enorme fila para comer para apenas “refletir”, porque não queria gastar as coisas de sua venda e comeu na rua, e mesmo assim, Deus o colocou no mesmo lugar para refletir da mesma forma que o velho ourives refletiu, mas o seu sentimento mesquinho brotava tão forte em seu coração que não o fez ver que se ajudasse a todos desde o início, realmente… “NADA DISSO TERIA ACONTECIDO, NEM MESMO A GRANDE CATÁSTROFE”.

Existe a natureza reflexiva das coisas que nos faz ver a natureza da bondade e a segui-la de forma correta, mas o julgamento e a busca por esse censo vêm de dentro e adiada se não a buscarmos de uma forma coerente e sincera e estar atento aos momentos em que a vida e as conclusões de suas atitudes nos fazem ver o que é bom e como é bom ser bom, o sendo, como uma mudança realmente forte, passando não a pegar a bondade ou a forjá-la, porque ela agora vem de dentro. Se ser realmente egoísta é uma atitude que lhe faz resguardar de muitas coisas, então o cúmulo das atitudes egoístas é ser uma pessoa boa e a lutar pelo bem. Certa vez uma voz me disse para não usar o defeito de outras pessoas para agredir terceiros, mas eu não entendi o que queria dizer e mesmo assim fiz, o que deu: Acabei com um dia de feriado, discutindo com minha namorada… Esse é um bom exemplo também.

O verdadeiro caminho da razão consiste em ser bom. Ser racional é lutar pelo bem.

 

Anúncios

~ por Água para Plantas em janeiro 16, 2011.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: