Um ano regando e sendo regado…

Obrigado primeiramente:

Comemora aqui o primeiro ano do blog-terapia: Água para Plantas

Há um ano eu resolvi começar a nutrir um blog e sinceramente pensei que nunca conseguiria, pois já tinha tentado algumas vezes e em todas, ele tinha falhado com uma certeza muito forte e grande, na verdade ele fechava sempre: Não tinha realmente o que dizer.

Não quero que isso fique ou vire uma clássica crônica jornalística, perguntando aos leitores – quem pergunta no intuito de argumentar, sempre subestima a intelectualidade alheia – com coisas do tipo: “Para que serve a escrita?” ou “Para que serve a arte?” e etc… Havia me questionado há um tempo atrás o que era arte por não saber a sua função ou o porque de me instalar e de me dedicar a uma coisa que realmente não vai me dar nada em troca, ou se der, nunca será saciável, mas sei quem isso não explica o que ela é, a arte simplesmente é expressão e ponto. Sem delongas, o intuito disso aqui foi como uma espécie de tratamento. Não tenho a quem dizer, então digo aqui, jogo uma garrafa no mar, na rede e se fisgar, realmente, não é peixe… É deletério, insanidade ou busca da cura. Sou um ser humano que expõe a ferida na forma em que tento me curar ou abrir diálogo para uma cura. Que cura?

Não quero subestimar o leitor, mas sabemos que a sociedade é doente. Todos somos doentes, todos procuramos por tratamentos e a forma de expurgar  – Como uma escaria, tendo que raspar as minhas grossas feridas, quase podres e quando pensava realmente que haveria a cura, perco uma noite, perco duas, perco três tentando descobrir o porquê de tê-las perdido, mas sempre, sempre fico atento a tudo e busco  muita informação e sem demagogias, coloco sentimentos abertos, sem ter medo  de ser crucificado, já que o mau uso da palavra faz com que qualquer escritor fique estático e pré-moldado. Às vezes, isso torna qualquer agradecimento ou exposição de sinceridade como falsidade, já que não sou uma pedra ou algo feito de uma fôrma exata e precisa da qual não iria mudar ou sofrer uma alteração, mas mesmo assim, mesmo assim, assumo essa complexa imperfeição que todos tem, mas poucos tem peito para afirmar e dizer o quanto é demasiadamente humano.

O água não tem intuito de mostrar a minha poesia, como uma amostra mercadológica ou “para ser” ou “para acontecer” meus textos ou nada disso. Existem apenas dois intuitos: Notificar a minha existência como uma carta futura a minha filha – para ou não existirem dúvidas sobre minha integridade e caráter – E buscar outros que também pensem como eu e  que tenham os mesmos questionamentos e assim buscar algum tipo de discussão sobre coisas comuns ( “Tentar fazer amigos?” Não escreveria isso, soaria piegas demais).

Abro aqui um campo para mostrar os meus trabalhos? Sim, Claro! Mas é difícil quando se quer uma coisa e odeia outra que está completamente ligada, mas como ter reconhecimento artístico sem ter notoriedade? Como ser lido estando no anonimato? Soa complicado e prepotente, mas não sei como fazer isso, sortudo ou maldito foi Kafka, que teve notoriedade mas não teve o assédio, mas, coitado, nunca viu os frutos e o vieses do seu trabalho, talvez ele escrevesse por isso mesmo, talvez fosse assim… Apenas não deixar passar em branco uma existência, um protesto, ou um questionamento, me perdoem os admiradores ou estudiosos de Kafka, mas o que ele me passa sempre é: Porque sempre fui tão odiado e rejeitado pelo meu pai e por todos? Acho que esse é um dos meus questionamentos também, um protesto contra a indiferença, um protesto contra a falta de sensibilidade, como um doente mental que não sabe expressar a dor, apenas urra e se bate, assim faço às vezes, hora sim. Hora não.

Mas o principal: Agradecer aos meus leitores, em particular, a Mahyná, minha namorada, confidente e admiradora, que fora tudo isso, sempre apoiou os meus escritos e sempre me acompanha no meu blog, sempre questiona o que escrevo e pergunta todas as faces das dimensões de minha escrita, por isso lhe digo: Eu Te amo, não apenas por isso, mas por me entender, questionar e principalmente me achar dentro de todo o caos neurótico que sou, a cada passo, a cada remédio e a cada crise.

Revelar opiniões, leituras, e verdades que são minhas, coisas que também podem ser suas e que sempre, um dia, alguém poderá ou terá a coragem de me comunicar, de se fazer presente dentro do que coloco de fora aquilo que de dentro tirei, com luta, suor e verdades, que não são fáceis de tirar, mas como uma terapia que até agora deu certo e rendeu centenas de visitas, assim coloco a minha escrita: A disposição e a questionamento, mas apenas ela, ao leitor deixo que o meu “eu” escritor escoe por entre a minha escrita, que seja apenas ambíguo, apenas andrógeno, apenas divergente e sem qualquer tipo de referencial, pois também procurei um pouco de bondade nas horas que me achei bom e não encontrei um pingo, mas também nas horas em que pensei que iria ser perverso, cedi e fui condolente,  assim como chorei quando todos sorriram e até mesmo sorri quando os pés de outros choraram de lágrimas, queria ser “humanamente  plausível” dentro de uma previsibilidade de um comportamento socialmente moral e normal, acho que assim seria mais humano, talvez não, mas não sou mais tão rigoroso assim – mentira, cobro o meu caráter assim como uma assistente de telemarketing – Mas, aqui mora uma busca de soluções, e como Charlie Brown, não existe sempre um final feliz, apenas a busca do equilíbrio, que se perde ao tentar buscá-lo, pois uma mão do outro oposto da corda sempre temos que largar para equilibrar a outra corda que segura a outra mão. Nunca houve um final feliz para Charlie Brown, e não seria aqui que isso aconteceria e como ele, tenho e quero o meu universo imutável, o que seria então, um final de conformidade e não de satisfação.

Tenho boas visitas e visitas freqüentes e não quero de forma alguma usar isso para escrever qualquer bobagem que não faça aos leitores desse blog a refletirem sobre sí mesmos, pois esse é um dos intuitos da minha escrita: Questionar o leitor se deparando até mesmo com uma sordidez crua ou com uma verdade inquestionável a similaridade da minha escrita com o receptor, hora como cronista, hora como poeta ou hora como qualquer expressão visual ou escrita.

Como uma coisa que tiro para doar e compartilhar, mostrar como posso e como solucionei, hora sendo uma “coisa ruim” hora sendo uma “coisa boa” à mostrar o quanto sou para quem e quanto é também ser parte do “quê” subjetivo que escrevo.  Agradeço as centenas de visitas, alguns mais freqüentes, outras não muito, tento colocar o que sinto aqui, tento escrever o que sou, a minha formação e coisas que perdi, vivi e aprendi. Ver ontem uma entrevista com o Milton Nascimento me fez ver o quanto é bom ter uma visão interiorana, como é bom ter a terra e uma vida na roça e como faz bem para o crescimento do valor do ser humano. É como ter os olhos de quem vê pela primeira vez o que é “moderno” e o que é brilhoso e o Milton nessa entrevista, meio que mostrou como ele veio: Com a sede de querer saciar os valores que ele carregava dentro do seu universo seguro, mas ao mesmo tempo, a sujeira e a maldade que uma mente no ócio produz, ou seja, toda a mácula de quem vê , como um pensamento rudimentar sendo sempre a mesma natureza e o mesmo panorama: Ruim. Na verdade, péssimo, constrói monstros e ilusões de tudo que é novo e que lhe salta aos olhos como a possível maldade que uma cidade sem recurso não poderia propiciar. E é essa a maldade que me salta os olhos, por isso, como dizia Stephen King em um livro chamado “Desespero“: “Nunca subestimem um verdadeiro facínora do interior e não pensem que na cidade eles sempre estarão perdidos: Às vezes, como cobras selvagens, se adaptam aos esgotos e vivem melhor, comendo até mais  ratos no esgoto do que na roça, e, aos ratos que se acostumaram com a vida fácil da cidade, resta apenas torcer para que uma cobra do sul  não venha visitar o seu canto no esgoto” Acho que é um pouco dessa “malícia” interiorana de querer  que no meu sonho eu sonhava na terra ,e, tendo ar e petulância, agora quero alçar vôos longos e tenebrosos. Tenho sede e fome de muitas coisas e acho que a minha luta é contra essa fome, que luto para não se tornar uma ganância inescrupulosa. Para sobreviver, tive que adotar essa malícia, que não seria construída se não fosse o ócio interiorano ou a falta de perspectiva de vida, em uma visão limitada daquilo do que se “quer ver” ou “quer ouvir” mas ao mesmo tempo, não posso deixar que essa “auto-preservação” seja um ponto para que eu tenha um desvio de caráter, como o amigo Rodrigo Santos, é como boxear no escuro.

Peço desculpas a todos a quem ofendi. Confesso que pode ter sido o meu intuito, mas levar rancor não leva e não faz muito bem, os ossos dos meus inimigos podem dizer melhor, porque morreram por muito me odiar, enquanto vagava em uma outra nave, a procura de vida inteligente e em lugares diferentes para aprender mais. Sou realmente o que eu escrevo e se qualquer um que me compreende ou até mesmo me tem por amigo se prende ao que faço, com certeza não irá me ter mais como amigo, pois eu sou realmente o que escrevo, por muito não consigo dizer que “não vou” ou “não quero” ou “quero ficar só”, mas me lendo, saberão o que realmente sou, e se fiz, posso pedir desculpas, mas seria doloroso, teria que explicar o que eu tento não ser ou o que tento lutar, não que seja eu ou não seja, faz parte de mim, mas eu não quero fazer parte ou compartilhar daquilo que faço parte, é como um vício, mas não é, é você mesmo lutando contra você, mas no escuro, mas horas eu acerto e coloco as soluções escritas aqui, horas, horas eu me empolgo e falo sobre música ou sobre arte… Enfim, é tudo isso aqui, e obrigado por lerem e gostarem disso tudo. A necessidade pela “cura” fez esse blog existir e também a necessidade de comunicar essa “falta de expressão” também se fez necessário, então, como salva vidas de plantas, nasceu este blog!

(Demorei para achar um símbolo,  e o símbolo do blog agora é esse que está em cima)

Obrigado por me lerem há um ano!

(ou há alguns meses, rsrsrsrsrs)

Obrigado Mahyná! Eu te amo!

Mídia Alternativa Sempre!

P.S: Estava procurando uma imagem de  um bolo de aniversário, não resisti e resolvi colocar esse que achei pela rede. O bom, é que aos mais nojentos, sobraria até um pouco mais de bolo! rs!

Evoé!

Bolo de Aniversário - Se tivesse algum para este blog, poderia ser este! (KAFKA)

Bolo de Aniversário - Se tivesse algum para este blog, poderia ser este! (KAFKA)

Provando que realmente é um bolo - e muito bem feito!

Provando que realmente é um bolo - e muito bem feito!

Pra finalizar com chave de ouro, o meu maior tesouro se balançando nesse feriadão que passou comigo. Esta é a minha vida no balanço!

Te amo minha filha, dedico a minha vida a você também!

http://www.youtube.com/watch?v=JOa1FqCA3Ic&feature=player_embedded

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~ por Água para Plantas em novembro 15, 2010.

Uma resposta to “Um ano regando e sendo regado…”

  1. Você sabe o quanto eu tenho que te agradecer por muitas coisas, e fica essa postagem de um ano como um agradecimento por todo o suporte que tens me dado e por todo amor que tem me dado também. Obrigado por você fazer parte da minha vida e mudá-la completamente. Tenho certeza que teremos um final feliz!

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