O Disjuntor e a Resistência.

A marginalidade de Oiticica e a ousadia de Paulo Bruscky

Me perguntei na sexta, mesmo antes de encontrar com um grupo de poetas o que serve a arte.

Pra mim a arte é refúgio e um subterfúgio contra a loucura, uma arma e uma boca a se protestar, contra a sua alma, contra a sua vida e contra tudo,mas a se protestar como se a sua vida fosse minha –esse é minha análise subjetiva sobre uma explanação poética – e com um efeito essencial que antes havia falado, a surpresa. A poesia para mim é a voz da alma e o seu vôo pleno. É quando ela alça vôos mais longos e profundos dentro de si, se expressa e se esvai em palavras e em sentimentos, palavras que muitas vezes podem ser: Coloquiais ou não Coloquiais, o que seria coloquial para mim? Um puta que pariu no meio de uma estrofe pra mim seria coloquial e o que é e o que não é coloquial se torna uma coisas muito mais complicada quando se fala da mesma, mas acho que ainda volto para a máxima minha: Deve haver a surpresa, mesmo que coloquiais ou não, as palavras evidenciem que mais pra frente a “uva” vai rimar com a “chuva”, mas  como se vem ou vê a chuva pode ser muito mais interessante do que o caminho escolhido. Prefiro a surpresa, o suspense e o non-sense do mote de qualquer mídia.

Pra mim poesia pode estar em uma história em quadrinhos, em uma música, em um quadro, em um discurso, em um recado… Enfim, poesia pode estar em todos os lugares, mas por incrível ela não flui, ela não emana e nem transborda em lugares onde seriam mais prováveis escutá-la e senti-la, com ir a igreja e não se ouvir falar de Deus, você espera e especula que ali possa haver algum tormento ou ilusão, mas não, as artes estão escassas e cada vez mais o homem solidifica as relações humanas como fatores de risco e suscetíveis a equações e somas do que é: Melhor pra mim ou para o outro.  Em uma poesia que eu postei no início do post chamada de “Manifesto”, coloco que a inocência foi morta a golpes de faca e foi posta no meia hora, se fosse continuar essa noticia diria “que foi morta por um Admirador Secreto”. Em uma outra crônica eu tinha falado de como um menino foi hostilizado e considerado doente por ser um “admirador secreto” de um outra menina que também estudava com ele e realmente constatei:  Não existem mais admiradores secretos por alguns motivos, um deles que é considerado uma doença, o outro é porque as relações humanas estão se tornando cada vez mais artificiais, como vimos nesta semana, mulheres faziam sexo em um posto de gasolina em troca de drogas,  a paixão contemplativa está sendo morta a cada dia, com ela, foge a abstração poética, essencial  para se criar a poesia.

É como o compositor Belchior preconizou há um bom tempo atrás sobre a “perversidade da juventude que só conhece o que é cruel e o que é paixão” infelizmente esse é o panorama do homem moderno: Binário. O sentimento é dividido apenas em sim ou não e as variantes do sim de do não são computadas e somadas, esqueça, tome uma cerveja, esqueça, ouça isso, deixem que te falem, não pense, cante, já escreveram por você, já falaram por você, por favor, não fale, não diga, não seja o que não queremos que seja…Parece que a sociedade moderna fala aos seus ouvidos isso todos os dias, parece que um grande sino sensor toca quando você quer falar ou sente qualquer tipo de coisa, pois há sexo nas esquinas, as esquinas vendem as culturas sucateadas. “Tome um remédio, isso é depressão, não é normal sentir isso ou aquilo”…

Li uma entrevista uma certa vez na Veja que a tristeza pode estar com dias contados: Remédios e anti-ansiolíticos tão potentes que uma dor de cotovelo pode passar em minutos, então, onde está a expressão da alma, a poesia? Sim, poesia não é só dor de cotovelo, mas no âmago é a livre expressão dos sentimentos, mas havendo o controle do sentir, o racionamento do “amar”, haverá espaço então para a poesia?

Encaremos a realidade: A esfera do “sentir” é um asco hoje em dia para muitos.Na conformidade  dessa sociedade “Meca” que impede sentir, impede falar e expressar sentimentos que tudo não passa de nulidade e inutilidade, morrer por amor? O que é o amor? O passional é um gay passivo, apenas isso, pra sociedade essa é a nova tradução, acho que sentir vem sempre algo com uma conotação meio sexual no fundo, em posse desses questionamentos criei algo a se trabalhar dentro da linguagem poética intitulado “Antropoesia” , tema que no seu essencial não é novo e sempre foi uma característica da tônica da poesia em questionar o si ou o para si, que é o para si, o que é o real e  como o leitor a enxerga mesmo é o para si. Quero uma  proposta e uma coisa mais tendenciosa a se falar do “ser” binário que surge não me excluindo dessa era digital, em questionar a posse e o sentido das coisas, já que “sentimento” se tornou um hiato analítico e passou a estar “nas coisas do que se é sentido” nesse campo, então, inauguro uma categoria no meu blog chamada de “Antropoesia”, que fala  da amnésia de quando se quer sentir mas se esqueceu como, pois o mundo e a sociedade moderna se fez sentir,e a pergunta de um artista pernambucano de 78 retoma: “Pra que serve a Arte”?

Em uma conversa informal com um amigo, ele me “direcionou” que tudo estava colocado em “castas”, e que nessa esfera encontraria outras pessoas com essas questões e que poderia até fazer um levante e encontrar grupos e me organizar, reduzindo a sua explanação, a dizer que: Poesia não era para todos. Será? O que seria a arte sem função?

Como não há uma resistência sem disjuntor, acho que a fagulha principal a se trabalhar para se criar a resistência é o questionamento de sua própria alimentação. Nos alimentaremos de sentimentos que passaram? Os sentimentos são coisas passageiras? Nos alimentaremos de coisas que não são propriamente ditas nesse cenário todo? Atribuiremos uma linguagem arcaica ainda e a usaremos em colóquio a tudo que se expressa atualmente? Para ser poeta temos que nos expressar com ela? Não, relativamente não , mas a minha resposta a isso é sim, criando um filtro dessas energias , não desfalecendo nem  a linguagem e nem tão pouco a escrita, mas como uma forma de contra-cultura colocaremos de frente essa mácula que coloca como elitista uma contra-cultura, que tem como fundamento mudar os rumos da arte e de como se faz e de como se questiona arte, nisso se engloba várias mídias artísticas. O intuito do trabalho base é de se separar o joio do trigo, de se sorver de coisas realmente artísticas – no que se principia a surpresa – E a formar uma nova mente, uma nova concepção de abstração poética, ainda livre, podendo falar do que quer, mas com uma nova propriedade e prioridade que é falar desse novo “ser humano” que surge insensível. A base para essa “nova resistência” reside no questionamento da arte nas suas relações com o ser humano, novo, sendo abordado de uma forma nova e honesta.

A nova proposta visa a renovar a poesia, e não subestimar aos que gostam de poesia e linguagem poética. A proposta tende a dar a voz ao homem, retomando-o e fazendo-o questionar sobre a abstração poética, pois o que parece é que qualquer um que tenha posse de um canal de mídia, não se torna suficientemente livre para mostrar o seu trabalho, no campo dos sentidos, porque há uma preocupação de: “Quem vai ler, quem vai interpretar como o público ou o receptor irá digerir”… Sendo a base “antropo” o fundamento artístico, na expressão escrita da poesia, creio que é o que se principia a arte, mas não como o questionar de outro indivíduo, mas como o de questionar a si, de uma forma tão honesta, que se questionará a outros, mas não sendo o alvo o receptor, e sim o emissor a falta de sensibilidade desta década.

Resumindo: Antropoesia = Expressão poética atual

Retomada da abstração poética

Retomada de questionadores e apreciadores de poesia.

É como a favela falando por si. Como a sarjeta falando de sí. Como o trabalhador falando de si. O povo, o homem questionando-se de sua realidade em abstração poética, em uma nova linguagem, em uma nova roupagem.

Mudando de assunto:

Como parte de uma atitude mais real, decidi ser como um “Michael Moore da cultura” em testar até que ponto um artista pode ser conhecido ou até mesmo reconhecido. Já que artistas falam a pessoas, como reposta a proposta da Antropoesia, como eles reagem ao questionamento do que fazem e ao convite a se conhecer novos artistas?

Então me propus:

A escrever para pessoas que estão na mídia buscando, como leitor comum, por respostas a crônicas e sobre a feitura de suas atividades artísticas, baseado na pergunta “Pra que serve a arte”. Preponderando…

Até que ponto escrevem a pessoas comuns?

Até onde vai a sua escrita?

A onde quer chegar a escrita?

Se escrevo aqui, procuro um “certo retorno”, porque não sou pago para escrever isso, mas o questionamento simples é: O que escritores como Artur Xexéo ou João Ubaldo Ribeiro – que eu amo a escrita – esperam ao escrever? Um escritor não é obrigado a dar satisfação do que escreve, muito menos um poeta, mas a cultura de massa e a mídia de hoje é aberta a questionamentos. Mas estão os artistas prontos aos questionamentos das mesmas?

A exemplo abaixo, João Ubaldo mostra o resumo da ópera sem rodeios de uma forma clara, análoga e divertida:

Ensaio sobre o tempo

Onde está o tempo?

Meu Deus,  tenho certeza…

Eu o guardei…

Mas depois ele voou

Mas antes corri atrás

Tentei pega-lo com a mão,

Prende-lo em um alçapão

Mas gastou-se e perdeu

Sorveu em alguns minutos

Foi um bicarbonato cor de juventude.

Mesclou-se com a responsabilidade e a maturidade.

Mas que bom que sei que não existe…

Existem apenas fatos…

E a estática digital das fotos

E Se é que existem…

Se não, também, escoam.

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~ por Água para Plantas em setembro 21, 2010.

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