Nova Música no meu MYSPACE!

Nova música no Myspace: “Busca Tempo” –http://www.myspace.com/rodrigovieiraserra

Estou preparando uma crônica sobre minha revolta com a situação dos mineiros do chile, mas enquanto esperam, porque sei que já tenho uma freqüência fixa no meu blog, então eu os deixo com um conto meu.

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Passarela

Então eu simplesmente acordo, demente de álcool e sem algum senso de destino. Meus olhos são dois sinos e não se acostumam com a claridade da luz e nem com a dureza de uma auto pista, autoramas, sim brinquei muito, mas ando um pouco mais, atravesso manco com pé a pus… Mas não existe ninguém em uma dimensão que busco algo para alimentar a minha solidão infinita, no âmago do meu universo medíocre, um tango que não diz respeito a não ser a mim mesmo, mesmo que eu me jurasse capaz de entender as sucessões de coisas que agora espanco e levaram e me ensimesmar da vida e da quantidade de coisas que são precisas para me saciar de uma vontade que não fala, apenas berra por comida, água, atenção paz de espírito, que encontro em um gole ou outro de cachaça ou até mesmo quando eu berro para um poste, que é a única coisa que me faz sentir ou até mesmo me afirmar como homem. E agora apenas ando. Devagar e sem fazer barulho ou falta.

Gritava porque não tinha me beijado. Eu queria que fosse, queria cheiro de diesel e mulheres para me encantar e dizer que não sou tão feio assim… que eu sou um cara interessante e tenho um pau enorme…Pois não se pode dizer a um homem que o seu pênis é ligeiramente pequeno, não, não se pode dizer isso, outros vão ficar realmente chocados ou assustados…Se eu estou no escuro e na noite, quem vai me assaltar? Porque quando não era desse mundo, eu assim o temia, agora quando eu nele me adentro, não existem as ditas fronteiras de becos ou lugares perigosos.

Não existe  a sarjeta quando se está nela.Tudo que o cerca é a sua casa, viadutos, pontes, bancos, marquises… Existem bueiros e cantos que posso guardas itens preciosos em uma sobrevivência nula, em uma busca insana para viver. “Viver é sentir sempre a barriga doer”? Me perguntou uma vez uma menina de poucos anos, que vivia comigo por perto, enquanto a mãe vendia o corpo por um prato de sopa e uma garrafa de cola. Eu apenas disse um não obtuso com a minha cabeça cansada e torpe. Não sei o que é a rua. Não sei o que é dormir no relento. Eu apenas apago em uma sucessão de dias na qual eu não sei quando eu realmente estou acordado, bêbado ou até mesmo sujo eu só espero a chuva me limpar. Mas a água da chuva arde. O vento quente fere e o descaso leva a minha insanidade dia após dia, quando abraço a solidão descompassada dos meus atos falhos, das minhas escolhas perdidas e da minha total falta de reação a prédios que constroem, crescem, crescem e crescem e não me dizem nada. A mão que me apedrejam e a carros que queimam os meus pares, a partir do momento que eu não sei mais o que é rua e o que é um rio. Apenas abro uma boca sem dentes, sem comida e sem descanso… Corro contra o cansaço sem esquecer que o meu tempo é um cobertor que foi roubado, mas há muito me roubaram tudo, porque me dei a vontade de não reagir. Escolhi apenas seguir um curso que não tem volta. Escolhi entrar em um carro sem um taxista, que espera partida, mas estou preso e já comi todo o estofamento e quebrei o seu rádio por diversão. Não há diversão mais, existem barulhos, carros e crianças correndo neles e semi-nuas prostitutas que não me atraem como eu quero porque não alcanço mais o que é palpável e nem o que é tido, no sentido do que se possa ter.

Se contasse uma história, seria interessante, se contasse uma anedota, seria cômica, mas eis que sou tragédia, eis que sou fracasso então tornar me o que sou seria um pleonasmo que não costumo cometer. Só existe uma constatação: Eu sou o escuro, um abismo profundo que cheira diariamente a guimbas jogadas no chão e a fumaça de caminhões! Se eu tivesse uma igreja, com certeza meu pastor seria o Profeta Gentileza, mas minha religião custa um real e é vendida em qualquer birosca…

Mas não moro em ruas, não moro em calçadas, não sou mais o cara esperto e nem a criança engraçadinha. Sou um velho sem teto, no meio da rua. Não tenho limões para ir para um sinal, porque há muito tempo perdi o mesmo tempo para joga-los, então apenas me jogo em busca de alguma coisa, um verme feto que não nasce, assim como minha cabeça, que também não é um velho, nem um mendigo, nem um sem-teto e nem mesmo uma cachaça, se é que eu já a provei. Mesmo assim, tento atravessar uma rua.Como um grande obstáculo a ser batido, eis que se ergue contra mim o aterro, como um colosso a me afrontar, me cheirando o meu bafo, passando com movimentos e ventos sobre o meu rosto…

As piores noites terminam com interrogações. As melhores com exclamações. Mas não é calamidades ou boas para exclamar e nem mesmo sucessos para me redimir do falho homem que fui e do pai relapso que sempre me passa a mente. Corro contra uma estrutura de fatores e vetores que sempre correm de uma torrente insana que creio que já arrastou milhões de pessoas.A alma da cidade suga o corpo e o espírito dos yuppies, li isso numa crônica. Sinais, carros, sirenes, buzinas…Penso em termas mas lembro que tenho que pegar as mulheres e as crianças no teatro. Não quero mais ser. Não há mais devir, queria eu poder dizer isso com toda a força de meus vícios, mas ainda resta fôlego, fóruns, papéis, clientes e um facho de vida que teima em não ceder a uma febre e a um corte de caco de vidro no pé, que me dói a cada pisada, que me corta a cada pensamento quando eu lembro que ele ainda está no meu pé, mas ainda vou andando, pois se eu parar me param, me batem, me prendem, mas nunca, nunca me matam – o que seria o meu maior almejo. Mas ela vem silenciosa e me acorda de novo, O corpo voa. E vejo luzes de uma edificação antiga até minha cabeça bater com violência no volante. Meu corpo agora se agrada de um liquido carmesim quente que desse de cima e esquenta o meu peito no chão.  O frio dá lugar a uma úmida sensação de calor. Ele lambe a rua que pisei. Deitado onde homens passam com pressa sobre rodas de borracha, que sou agora, sentindo a sua perna também voar com força até uma outra árvore aterro, e ver seu corpo se abrir e se separar do resto. É agora pista, estatística, estática sem estética. Pasta

Então eu acordo de novo e estou em um carro. Estou andando em uma rua escura, deserta, levanto um homem com um profundo corte, com uma boca aberta, gritando a um poste. Meu off-road se choca contra a estátua, andando parada, correndo fedendo no meio do nada. Não olho para trás, apenas limpo na garagem a parte blindada do paralamas e subo por escadas até o meu quarto, pensando baixo, com mulheres mesquinhas e novinhas. Estupro a novinha, arrombo a maiorzinha compro o silêncio. Acordo é outro dia. E não peguei as crianças no teatro, mas tudo está normal, até mesmo consegui tirar o caco do meu pé, e agendar duas reuniões e até mesmo um drink com o Venâncio pra tentar fazer um acordo importante para a unificação de nossos escritórios, mas devagar eu ando, não acordo as crianças, vou devagar, limpando os estragos e fazendo meu papel de homem: Chegar em casa trazendo mantimentos e conforto para a minha família, mas não é só isso, é como uma grande engrenagem urbana, meu ir e vir, meu dia meus contratos, meus destinos, tudo como se fosse uma orquestra clássica pronta, para começar um concerto, mas quando esse concerto acontece,chega a noite, mas todos tem que ir embora..

E assim a poesia acaba. O dia encerra. A noite volta. E chego em casa, tomando o meu banho e relaxando com ou sem a minha mulher. Sou agora pista, estatística, velocidade sem ética. Peste.Mas sempre volto pra casa.

Será que a pasta tem casa?

Foi bom lembrar, acabou a pasta de dentes…

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~ por Água para Plantas em setembro 10, 2010.

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