Ensaio sobre o silêncio

Nada se fala sobre o silêncio.
Pois hoje a noite agora é rouca,
Repousa no frio do mendigo
Quando tempo é calha a rachar a boca
Da indiferença que a mesma fecha
Na azia,  o silêncio escoa e ecoa.

Assim vem.
Vem. Ó a dor da falta.

A fala falha ao coração

A escrita falha na falta do sim, do medo de ouvir não

E sobre essa mesma falha na fala descreve
Mas sem me dar razão de novos escritos
Sou eu mesmo escrevo porque no final escreve
Escritas não dizem nada. Banal, dizem, se dizem, em vão
Porque há ausência de palavras. Do nada não se ouvem gritos
Sobre hoje.

Na banca o jornal já é entregue
Mas eu mudo, retorno como mármore

E de carrara faço a minha cara, fria de sereno
Porque não escutei nem sim nem não
Não curei a cachaça
Não desfiz o vicio e nem me refiz
Apenas,  o silêncio, me deixa a espera
Sem passar com toque de mãos
O corpo espera espessuras
Sussurras, urra entre ouvidos
Gemidos da algo, mas com algas, se cobre o silêncio

Escondido no mar, numa foto na praia
Mas do nada, do nada não se ouvem gritos

E
Apenas tentamos ouvi-lo
Com olhos curtos tentamos vê-lo
A passar pelas bocas, palavras,
mas ausentes, assim é nada
a escrita não é comentada
E como Próspero espera a prosperidade da palavra
Como a velha no tear que teia o tempo

A velha sonata que venha
Ou me libertas ou me mata
Mas ainda sim, a fraqueza do não
Ecoa, com muletas, juntamente ao silêncio
Pois o descontente, até nos olhos se vê
Mas ao silêncio, a indiferença, sequer há interprete
Não se aproxima e também não se repele
É Cegueira que tateia o som
Como principia a caverna
Na qual se fazem imagens
Correm os mortos, montamos pilhas de corpos
Nus, não tão desmortos

Fecha a noite,
Hoje no fim é rouca
Com o chiar das portas das biroscas
Com abrir de padarias e lojas
Esse é o silêncio, o som se faz silêncio
por incrível é silêncio a quebrar o tempo

A buscar o que vejo pelo vidro
Sereno a pedir calor no frio
Sereno que ainda não foi,
Sereno em insensatez do não ouvir dizer
Da falta de coragem de ouvir ou não ouvir
Repousa a ferir então.
Da tua indiferença faço barras no cárcere silêncio agora eu fico…
Mas fico breve. Já morri muitas vezes

E como Houdini, escapei
Mas volto em espasmos
Aos espasmos, vindos, são os raios de sol
Sol que ví na foto. Flor que ví na praia
Dor que me deu silêncio, impreciso no três por quatro,
Não me disfarço como em tocaia. Estou em um mar que não me afoga,
E vivo a sobejar no que não me farto
E eu, tendo a certeza que me desfaço
Entre o que me entrego, na dificuldade que me declaro

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~ por Água para Plantas em setembro 5, 2010.

6 Respostas to “Ensaio sobre o silêncio”

  1. Blog do LL:
    http://labirintoliterario.blogspot.com/

    E-mail:
    labirintoliterario@yahoo.com.br

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  2. Email do Labirinto Literário:
    labirintoliterario@yahoo.com.br

    Blog:
    http://labirintoliterario.blogspot.com/

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  3. Olá Rodrigo!

    Nossa “Ensaio sobre o silêncio” é simplesmente extraordinário! Parabéns.
    Li e gostei de tudo que encontrei por aqui.

    Além do Recital Rotativo, participo do Labirinto Literário: periódico trimestral literário sobre literatura contemporânea, arte e fotografia. Vou deixar o e-mail e o link do blog aqui, no blog você poderá baixar em formato de PDF as edições anteriores ou me passa um e-mail, faço seu cadastro e você receberá as futuras edições do LL. A próxima edição sairá agora em outubro. Participo de um recital de poesias na UERJ (no centro cultural todas as 3ª sextas-feiras de cada mês) sinta-se convidado. O próximo recital será dia 17/09 às 19:30.
    Abraço,
    Mozi

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    • Agradeço a vc Mozi, pela tua admiração e carinho em postar um comentário no meu blog. Façamos uma frente real e pacífica a favor da mídia independente e a favor da poesia, que anda tão escassa e mal publicada em nosso pais por editoras tacanhas…
      Guardei os e-mails e o endereço do blog que mandaste, brevemente irei lhe responderei
      Obrigado pelo carinho, serei visita constante em seu blog também.
      Resistência Cultural sempre!
      Obrigado!

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  4. Nobre poeta, muito lindo seu site, e gostaria de convidá-lo a visitar o Centro Literário de Piracicaba (CLIP) e quem sabe com sua permissão levar seus belos poemas à publicação no nosso Blog.
    um grande abraço
    Mara Bombo

    http://centroliterariopiracicaba-clip.blogspot.com/

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    • Claro que sim Mara, meus poemas, desde que devidamente creditados, podem estar em qualquer lugar.
      Obrigado pela iniciativa, e estou disposto a contatos para recitais.
      Já que o comentário é moderado, peço apenas para enviar o endereço do MSN para posteriores contatos
      Obrigado, visitarei o blog!

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