Me recuso a ter qualquer relação sem ter honestidade.

Me recuso a ter qualquer relação sem ter honestidade.

Dedico essa crônica a todos os meus amigos. Obrigado por fazer diferente a minha vida!

 

Nunca contei isso, mas adoro viajar de ônibus.

Fui em direção a região serrana com imagens de ontem na minha cabeça. Depois de muito tempo, mas muito tempo mesmo, eu me senti acolhido, me senti em uma família, que não era a minha, mas que tinha decidido a minha presença ali. A família, no que se compreendem amigos irmãos, que queriam que eu estivesse lá participando de seus melhores momentos do pouco de sua intimidade.

A minha cabeça voltou cheia de imagens boas. Novas pessoas são como novos caminhos, em que se pode vislumbrar outras paisagens, se impressionar com os novos tons que o sol vai tomando conforme anda.  Me senti bem. Me senti amado com o desfecho da noite quando Bardo, no Bar do Blues elogiou o meu trabalho, me fazendo lembrar dos únicos motivos que me fazem viver, inferiores aos motivos maiores que são os amores pela minha filha e mãe. Um único e verdadeiro fã. Alguém que entende o que você quis dizer, na hora em que você precisava gritar, na hora em que você precisava correr quebrar as coisas, mas você apenas pegou um violão, uma caneta, sentou-se  no computador e escreveu, cantou uma nova canção, uma outra melodia que tinha em mente, e como se fosse a mais b, criou uma nova ciranda, um almejo por ver o dormitar de uma criança, como defino assim a minha obra: Toco para adultos refletirem e para crianças dormirem.

Amigos.

Pessoas que escolhemos para estarmos perto. Pessoas que escolhemos para serem nossas. Entendo quando o apostolado se relacionava chamando a cada um, inconsanguineos, de irmãos. São meus irmãos aqueles que têm a mesma percepção que a minha. Eu escolhi estar lá. Queria abraçar Pakatto. Queria ver a banda de Felipe tocar. Queria abraçar Anésio, beijar-lhe o rosto, encontrar com Bardo, abraçá-lo e vê-lo junto com Joan Baez, mas Joan não estava, e ela que me desculpe, o essencial sempre foi o Bob Dylan. Meu coração se encheu como o cálice de Davi. Era uma ceia depois de morrer em dias passando mal, com febre, segurando a barra, pois a tira colo estava a minha filha e não podia esmorecer, estava cuidando dela, não importando como eu tinha que cuidar dela. Mas no final do sexto dia o meu mal descansou, então pude descansar e aproveitar o convite de um amigo.

Via a serra passando no vidro do ônibus lembrando das coisas engraçadas, de todas as pessoas de ontem. Os comentários de todos andando, conversando, comendo, desfrutando falando de cultura. Gerundiando. A passagem e a paisagem foi tão perfeita e reflexivas que vários amigos me ligaram durante o percurso. Dedé, Diogo, Tia Zelma… Como Budha que sempre estava atento ao que era externo as suas meditações – lembrando graciosamente que a meditação na qual conseguiu o nirvana,  ele colocou a palma de uma das mãos na terra e outra em postura de meditação, que significa que não crescemos enquanto não refletirmos sobre o que é real, o que é vivido. Era como se o universo quisesse que eu entendesse aquilo.

Estava completamente reflexivo durante a viagem lembrando de  meus amigos e me remeteu a um documentário americano – aliás, os melhores são de lá. Acho que era algo como Feliz Natal, ou coisa do tipo. Falava do Natal comunitário, coisa que existe nos Estado Unidos…

A solidão é um mal terrível. O documentário mostrava centenas de pessoas que no dia de Natal nos Estados Unidos iam a um lugar comum por estarem sozinhas, por não terem família ou desabrigadas, mas o enfoque foi outro: A solidão no dia e nessas datas pesa muito mais forte, pois é a data em que, em tese, não deveria estar ali. Deveria estar assim como outras pessoas com as suas respectivas famílias. Mas o contrário e o mágico surpreendeu e deu uma outra visão ao documentário, agigantando ainda mais esse outro sentido do que é ser só.

As pessoas se reencontravam e cantavam juntas. As pessoas se confraternizavam de uma forma muito mais intensa do que em muitas famílias. Essas pessoas se olhavam e diziam que não viam a hora de se encontrarem ali de novo, muitas porque escolheram ir aquele local para fazer o natal de muitas outras pessoas, mas muitas iam porque encontraram o verdadeiro princípio do amor: Escolha.

Sim, realmente TUDO é escolha, mas no que se principia a falar sobre o que não há explicação, essa é apenas uma pista muito indefinida para colocar mais concreto. Amar apenas se escolhe, se sente, se interessa e sem equações complicadas nos permitimos assim. É escolha porque é a única palavra no mundo que não é outra coisa se não subjeção. Escolha é a palavra mais subjetiva do mundo, não existe outro animal que possa usá-la como nós.

Amar é uma escolha e ponto. É uma escolha porque não há explicação ou motivo para se amar ninguém apenas assim se escolhe, e quando escolhemos amar, independente de tudo, não escolhemos mais, apenas amamos e direcionamos um outro sentido ao que vivemos, apenas amando, compreendendo e amando.  Não há uma obrigação ou tradição familiar que ditava que eles teriam que estar lá para poder se sentirem felizes, mas as suas escolhas fizeram eles se encontrarem e desejarem de novo estar ali, juntos, entendendo e compreendendo o prazer que é estar e rever esses amigos.

Depois de tudo isso eu realmente decidi ter relações sinceras. E recuso a me relacionar com qualquer ser humano sem ser honesto e sem ter honestidade em troca, aliás, é tudo que peço aos que me cercam: Coragem e Honestidade. Me recuso a ter qualquer relação sem ter honestidade. Realmente, me recuso. Não me importo em ser radical, eu realmente não quero mais isso pra mim, não quero me conter, me controlar achando que eu sou isso ou aquilo pois aqueles que ao meu lado eu “decidi” estar, sabem exatamente com quem estão lidando e a única destruição que algum dia eu posso causar é a mim mesmo. Quando um relacionamento é honesto, há uma troca verdadeira, e me recuso a me relacionar sem ter essa troca verdadeira.

Me recuso a aceitar a falta de honestidade. Não a moral porque sei que não existe a perfeição moral, todos têm arestas e pontos fracos, mas no que diz no cerne, no princípio de se ter uma única face, no olhar, na forma de lhe apertarem a mão, na maneira de haver sinceridade, no intuito de desaguar, fluir no colo de um ser, ser outro por assim dizer como a si. Decidi ser honesto comigo e não aceitar me ferir, amar sem ser amado, acumulando chagas de pessoas falsas, de gente indiferente que ao saber da sua dor da uma risada. Não serei uma piada nova, porque só me interesso em saber da vida de alguém para tentar ajudar, pois se não for esse o motivo que alguém pede para se compartilhar algo tão seu como a sua vicissitude, então, esse interesse é completamente infrutífero se não for para ajudar. Se não gostou que me diga, se souber que sofro me ajude, se não quiser não faça, se oferecer me dê, de preferência até me saciar, do caso contrário nem me estenda a mão, se não rir comigo não ria de mim, se quiser me xingar, xingue na minha cara e deixe-a  frente a sua para que eu possa ter o direito de fazer o mesmo, se quiser me amar me escreva uma carta,  se quiser que eu ame me dê atenção,se quiser se relacionar comigo que assim o faça, mas faça como uma troca, não como uma trapaça ou uma puxada de tapetes ou quando puxar me avise apenas para poder pular. Pode ficar com o tapete… Não vou levar nada mesmo e com nada me importo, porque não é isso que eu quero e se é isso que queres, pode conseguir com o mundo. O mundo é feito de absurdos e você pode reproduzi-los em qualquer outro instante de sua vida, mas não faça isso com quem você escolhe estar ao lado, porque é melhor ser honesto com quem está ao seu lado, do contrário, estará em um deserto quando precisar de ajuda – e acredite, todos precisam de ajuda algum dia.

Quero estabelecer relacionamentos honestos com as pessoas, angariar sinceridade, conhecer coisas novas, vidas novas, estórias diferentes, vidas movidas por outras motivações, ter outras motivações, outros amigos, outras verdades no intuito do mesmo sentimento: Confraternizar, ajudar, compartilhar – o principal sentido e estágio de felicidade – e no fundamento maior e final: Amar.

Parecia que aquela casa era minha. As crianças, meus sobrinhos a andar correndo por entre um churrasco regado a alegria, álcool e boa companhia.

Dores no estômago. Febre e coisas desconexas. Coisas estranhas. Acontecimentos e dores, mas depois desse inferno… 

…Amigos.

Prefiro morrer sozinho se não for ao lado deles.

Prefiro ir para o inferno se algum de vocês forem para lá. Seria monótono o regalo do céu sem ter: Anésio, Bardo, Fábio, Diogo e Elaine, Dedé Black, Pakato, Rômulo, Meri L e N, Zelma, Tito e Família – toda mesmo , Jonatas, Ronaldo, Cassiano,  Tito e Família – toda mesmo, Thiago, Tati e os meninos, André, Felipe, Vinny, Aninha, Ana, Dudu,Felipe AXL….  Tantos outros que não coloquei aqui, mas ainda sim, colocados no meu peito. Imagina, ir para o céu sem ter um ateu como o Rodrigo para contestar a Deus.

– Olha senhor, Yeova, ou qualquer que seja o seu nome, o senhor está mantendo refém milhões de pessoas aqui e eu não acredito que após a morte iria sobrar cérebro para que independentemente eu pudesse “discutir” com um suposto Deus. A minha família está toda aqui, mas algumas pessoas não estão, essas “outras pessoas “ estão chamando a polícia, e o senhor não vai se dar muito bem nesse seqüestro relâmpago… – Isso aos berros, já antes xingado o todo poderoso de “Velho barbudo e cachaceiro” fazendo uma enorme confusão na administração, agitando as milhares de pessoas e mais meia dúzia de cabeças duras que não acreditaram que “ali era o ponto final”.

Porque eles eu escolhi para abertamente me relacionar de uma forma sincera, honesta e verdadeira, sem máscaras. Eu os escolhi ao meu lado e não nasceram ao meu, como um engodo e uma obrigação moral, eu achava que supostamente tinha que lidar.

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~ por Água para Plantas em julho 27, 2010.

3 Respostas to “Me recuso a ter qualquer relação sem ter honestidade.”

  1. O inferno seria maravilhoso para mim ao seu lado tbm cara,a gente ia arrumar um jeito de transqredir aquela porra la. E obrigado cara de verdade por ter me lembrado.Vc é um cara excêntrico e verdadeiro e eu consigo ser assim com vc também.
    Forte abraço

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  2. Muito bom amigo! Era pra eu dizer uma frase bonita agora, não é? Acho que não. Imagine que estou a seu lado ouvindo aquele som e lhe dando um grande abraço.

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  3. Puxa… Joan Baez é foda, eu avisei a ela…

    Obrigado, velho. Saiba que o carinho é recíproco, e mesmo que haja pouco tempo de contato e de convivência, exilados como nós sempre se reconhecem.

    Evoé!

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