Vinde e renovai toda a terra…

Ou “Vai pra cima com essa força extra!”

Foi engraçado postar essa crônica... Ela fala de mais uma crise no meu computador no meio de um crise minha…rsrsrsrs….Mas não é só sobre isso…

 Eu já tinha escrito essa crônica há um tempinho atrás, mas não ia publicá-la porque havia achado um manuscrito meu se tratando do mesmo assunto, então eu achei que era uma crise psicológica repetitiva, mas ela se tornou diferente por causa de um desenho de Luiza… Mas, por ainda estar elaborando a outra crônica que precisa de mais certeza – Li um renomado literário chamar D.W.Griffith de: “O diretor que revolucionou a linguagem de como era feito o cinema” além de atribuir outras qualidades a ele que pra mim não existem e  isso me preocupou um pouco. Ele se referia, na crônica, ao filme “The Birth of the Nation”, filme que exalta as práticas da KKK e a eugenia… Existe uma mão que eu não alimento e essa mão é a mão de um racista, mas, apesar de gostar e muito desse escritor, resolvi dar uma segunda chance e eu como leitor e escritor também, resolvi que vou mandar um e-mail perguntando esclarecimentos sobre essa sua crônica. E a minha nova crônica será sobre esse e-mail… Não quero chamá-lo de racista por essa afirmação, mas quero comprovar de que foi um mal entendido ou que me aponte razões realmente práticas ou outras opiniões mais qualificadas dizendo que realmente o filme foi um marco, mas por enquanto, especulações…

Leiam as outras crônicas.

Obrigado por me lerem.

(Já que o leiômetro indicou mais pessoas lendo)

Rsrsrsrsrsrsrsrs…..

P.S.: Meu nome já está no Google graças ao meu Myspace! Meu nome agora não aparece mais como inscrição em concurso! Rsrsrsrsss… Obrigado a você que me ouviu também!

P.S. 2: A próxima crônica será “Rubão tem razão”.Acabei de pesquisar sobre a vida do David Griffith e realmente ele foi revolucionário no cinema, devo as minhas desculpas ao Rubão. Mas ainda não se sebe se ele era racista ou não, por mais obvio que seja o filme.

 

Escrevo. No pior das hipóteses é essa que eu penso, escrever. E essa hipótese sempre me salva. De uma forma absurdamente incrível e das mais diversas formas ele sempre me dá uma válvula de escape para a minha loucura, mas dessa vez foi o máximo…

Escrevo com uma certa dificuldade, porque voltei a usar o papel – porém agora transcrito para o digital do caderno da minha filha – Que desde a compra foi muito peculiar e engraçado. Estávamos eu , minha mãe e ela em um supermercado quando ela me vem com um caderno pautado – de gente grande – de capa dura com motivos da copa. Foi um espanto saboroso, pois Luiza está cada vez mais ávida em escrever e desenhar, pensei que a veria com uma boneca cara ou algo supérfluo  do mercado, algo que infelizmente pais tem que dizer não, mas interessante é que o caderno  despertou um interesse enorme em Luiza, então decidi que iria comprá-lo de qualquer jeito.

O impacto de abrir o caderno de Luiza para escrever foi tão grande e me mudou tanto, que mudei completamente o tema da minha escrita. A escrita seria sobre a minha atual incapacidade de não mudar o meu destino, de ver as coisas como uma mímica francesa,  de como viver a vida com expressões lentas conforme… respostas lentas a situações e problemas que acontecem de uma forma muito rápida, e a lentidão da minha situação – situação de estar sempre apertado, com o dinheiro menos do que o contado – A escrita seria sobre a situação de não saber o que fazer para melhorar a minha vida, em dar conforto e segurança a minha mãe na velhice e formar, principalmente como ser humano integro, a minha filha, Luiza. Essa seria toda a minha falaciosa escrita, mas como o meu computador deu pau, eu estava me contorcendo no quarto, sem sono, sem o Word que é a minha pílula diária anti-depressão, sem alternativa, fui até a varanda fumar.

Acompanhava agora os sons de sirenes. A rua estava viva e feroz essa noite, a rua me chamava…Roncos de motos rompiam o sossego do bairro dormitório e uma angustia chata começava a atacar de uma forma furiosa o meu peito. Angustia. Ansiedade tão forte que me fez procurar o Tolrest, mas infelizmente, tinha acabado. A ansiedade, em um tenebroso degradê foi se transformando em angústia, que também era como uma modulação de onda para o desespero, como um botão de volume, ela ia lentamente aumentando, revelando um outro acorde, uma outra sinfonia medonha que me fez engatinhar de novo. Medo. Estava com medo de continuar em qualquer situação. Uma sensação de morte que não vinha, como esperar um carrasco que estava demorando, ao mesmo tempo, pela demora, você realmente começa a duvidar de que ele está vindo te matar… Você começa a não acreditar, pela demora do carrasco, que realmente isso vai acontecer… Mas um medo incrível dentro do seu peito dita que ele está vindo, mas ele não vem, mas a certeza de que ele está vindo é maior da que ele não vem, mas às vezes inverte á certeza de que ele não vem é que brota, mas daí, vem um desejo insano de morte, de quase procurá-lo… Esse é o meu desespero… Essa é a angustia se transformando em desespero…

Choques térmicos e dores na nuca começaram a me afetar de tal forma que me via incapaz de fazer nada. Clamei e continuei a clamar por Deus. Clamei para que me desse a calma ou alguma coordenada superior para me recolocar no prumo. Esperava ouvir instruções precisas como no programa da Discovery para a sobrevivência – desejava que o Bear Grills pulasse de um helicóptero no meio do quintal durante essas crises para me dar coordenadas precisas para sair do desespero, coordenadas como caso você queira beber e não tenha dinheiro, caso você queira se divertir, mas não quer sair de casa, sim, essas coisas do tipo – que já ia se transformando em uma histeria aguda, para ir para o pânico – Enfim, uma situação terrível.

Mas não havia Bear Grils

Clamo a ajuda divina e trago o meu cigarro

Uma apaga e acendo outro, mas antes o filtro dita o fim

Acendo outro…

Mas quando isso acontece, realmente pouca coisa ameniza, e então começo uma terapia que desenvolvi há certo tempo atrás, que consiste em numerar as coisas que estão “em seu devido lugar” que não poderiam estar… Respiro fundo… Mais fundo ainda… Agradeço a Deus por tudo estar no lugar… Inflo com um pouco mais de ânimo e volto para o quarto.

Ao passar pela sala eu me deparo com o caderno de Luiza. Recorro a ajuda de um lápiz 6b e uma borracha. Aponto o lápis lembrando de uma máxima de Bukowski que dita que “um escritor é um escritor por não haver uma outra escolha”. Lembrei dele porque essa noite não havia uma outra escolha pra mim. Se eu não escrevesse, com certeza eu poderia enlouquecer dentro de casa , queria que fosse uma outra noite de insônia, mas eu me recompus como Sylvia Plath no poema Lady Lazarus – ser que como Lazaro regressava a vida apões dias no fosso, enterrado e fedendo a morte .

(…) E eu uma mulher sempre sorrindo

Tenho apenas trinta anos

E como o gato, nove vidas a morrer. (…)

Como uma artista pôde  se dedicar e revelar em um pedaço de papel a arte estática de uma vida de simulação? Com uma rica escrita ela fala do “arder” de se levantar da mobilidade da angustia do desespero, que paralisa àqueles que a tem. Outro trecho lindo descreve e ressalva o que mais tarde seria mais concreto sobre esse estado de “se levantar de si mesmo”. Vem de um trecho de outra poesia dela chamada de “A lua e o teixo”.

“Esta é a luz da mente, fria e planetária

As árvores da mente são negras. A luz, azul.

Gramados descarregam suas mágoas em meus pés como se eu fosse Deus.

(…)

Simplesmente não posso ver onde vão dar.”

 

Assim é a mente.

Ardil e perigosa. Imprecisa em descrever por si todas as intangibilidades e inconsistências do que “seria” (?) ser. Perigo é estar sozinho em uma multidão que te encara pacífico, vilão ou transeunte, nunca Rodrigo, João, Alberto… Mas de solidão eu falo depois ou sempre falo .

Continuo agora a me concentrar em apagar na escrita. Apagar. Escrever. Manter a mente cativa a própria vontade – assim como ensina David em vários Salmos – Tento me preparar para a madorna, mas a mente trabalha demais. A mente trabalha e tento então dar trabalho a mente. Sem alternativas, com o corpo cansado, me recolho ao refúgio da escrita e escrevo “Escrevo” no início da folha.

A leitura serve para reflexão, mas a escrita me redime. Sim, redenção que vem a priori com a reflexão de executá-la, mas em si é tão instantânea que se faz “palavra” já escrita, assim como o “escrevo” da primeira linha. Palavra já escrita depois de tantas outras e antes de várias outras e o que sobre é a calma que vem, tardiamente, depois de muito escrever, mas importa é que ela é certa.

A leitura é uma voz que lhe caminha a onde o escritor a quer, mas a escrita é você caminhando por entre os seus pensamentos, temores e fases. O verdadeiro escritor não pensa (tecnicamente falando) quando ele escreve, ele apenas flui por um rio seu que não se retém, com mãos, palavras, parágrafos, palavras, gramáticas, normas ortográficas… O rio flui com o seu sentimento. O rio flui com a emoção e o escritor tenta com suas palavras, por não haver outro meio ou escolha, tentar colocar ali o que foi fortemente sentido. O exemplo disso é um belo trecho bíblico ( A bíblia, tirando todos os seus dogmas, preceitos e preconceitos, tem os textos mais apaixonados já escritos, de tamanha sensibilidade que nunca achei em lugar algum) Um exemplo específico é o trecho inicial que abre para o sermão da montanha, que é o trecho mais importante do Novo Testamento, por se tratar do único texto em que Jesus fala em primeira pessoa – logicamente transcrito por Matheus.

(…)“E abrindo a sua boca os ensinava dizendo”(..)

Porque um versículo foi destinado a um ato de milésimos de segundo?

E ainda mais antes de começar o texto mais importante de Bíblia?

Porque o momento era esperado há séculos e é o evento mais importante de todo o texto bíblico. O poeta e escritor – pois há carga refinada em metáforas e outras figuras de linguagem – com contemplação a figura do interlocutor, passando fascinação quando narra a prévia do único trecho em primeira pessoa de Jesus. Dedicaram-se linhas, palavras a essa fascinação que deve ter durado menos do que um piscar de olhos e acrescentou-a no discurso. Ali ele fluiu com os milésimos de segundo, pode ver lentamente o palato de Jesus se deslocando da boca e a garganta, sugando uma lufada de ar para pronunciar a todo o povo. Ele pode observar todo o mundo parando, todas as outras coisas se movendo lentamente, um povo sedento de justiça e de apoio ao seu redor, e todos, todos que cercavam o interlocutor estavam preocupados pois não tinham comida a toda aquela gente que se aglomerava ao redor dele, ao redor de um homem feio, sujo e cansado de tanto correr do império romano. Um analfabeto que não tinha nada a não ser a própria vida e por isso, o escritor temera também, que se não fosse realmente importante o que ele havia a dizer eles poderiam – não só o palestrante mas todos os seus seguidores – serem severamente linchados por uma lei judia que não permitia heresias e livres interpretações da própria religião. Interpretações que poderiam ser flexíveis, poderiam e podem ser flexíveis. O escritor temia pela própria vida, pois sabia que se a multidão não gostasse do que ouvira, eles, o bando maltrapilhado,  poderia acabar em instantes…. Mas não. Ele também esperava ser saciado e esse momento, um dos raros em que o palestrante tão polêmico naquelas eras falaria em público, e por não ser um ensinamento em que ficaria velado apenas aos seus seguidores, sabia que iria ouvir uma coisa estrondosa, por isso …”os ensinava dizendo”… Ele esperava também aprender e ser saciado, mas era ainda um misto de muitas sensações. Resumo: Ele fluiu com esse sentimento e se rendeu. Não houve reflexão porque o que houve foi maior do que isso, havendo então, apenas a escrita. Ele não era ninguém na escrita ele era uma sensação e ao mesmo tempo, só ele “se cabia” ali na escrita, porque ele “descreveu” não apenas um ato, mas uma sensação. Por inflexão você também pode ser achar nessa “sensação descrita” porque antes de tudo, linguagem é comunicação – com emissor e receptor – o velho blá-blá-blá…

Mas voltando ao quarto…

Com o peito mais aliviado e desinflamado, me concentro em escrever novamente. Acordo e quando dei por mim já tinha fluido com várias outras palavras atrás que tinham me traduzido e quando acordo sou o lápis e a borracha. Relembro0 como é chato usar a borracha e como é desnecessário usar o papel. Papel deveria deixar de existir, mas não tem como, odiaria enxugar a minha boca com um pedaço de plástico em um restaurante.

Iria escrever e me debulhar em palavras para quebrantar o meu sofrimento, mas uma figura no caderno de Luiza me fez retroceder. Foi como uma colherada de espinafre na boca de um Popeye  quase sendo vencido pelo Brutus:

“Vai pra cima com essa força extra!” É um adesivo que vinha no caderno em que ela insistentemente me aporrinhou para comprar naquele dia no mercado. Adesivo de incentivo a seleção brasileira do tipo “pra frente Brasil”, coisa do tipo, mas eu não acredito em acaso, mas não foi o adesivo que me animou, foram as conexões das coisas que me deu uma empurrada pra frente.

Luiza é minha força extra. Luiza me faz subir de estágios e degraus quando estou muito lá embaixo, estágios na qual ninguém consegue me tirar. Ver essa mensagem acima do princípio de sua aprendizagem, no período em que ela começa a andar e a correr pela escrita, desenhando objetos e dando nome a eles me disse uma coisa muito séria e profunda: Sua evolução depende da minha força , isso me fez levantar e me curar naquele momento. Um suspiro de alívio eu dei depois  que eu entendi essa mensagem que Deus havia me dado, isso me fez me levantar e me curar. Me fez afastar momentaneamente – pois a luta com a mente é constante e eterna –  da cabeça todos os pensamentos negativos. Pensamentos auto-destrutivos que sempre me rondam quando eu estou assim, me fazendo ver que a vida continua e que ela é necessária e é necessário força para que ele continue a caminhar e evoluir, me fazendo ver que a sua “evolução” era a minha “força extra”.

Nada é por acaso. Por mais despretensiosas que  seja a mensagem, ela tem sempre alguma coisa a dizer e nada, nada é por acaso.

Por tanto estejamos alerta para as mensagens que podem salvar nos momentos mais difíceis…

Com isso, eu estou há sete meses sem tomar anti-depressivos e, lentamente, vou vencendo a batalha contra mim.

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~ por Água para Plantas em junho 7, 2010.

2 Respostas to “Vinde e renovai toda a terra…”

  1. Quanto ao “Descanso nº2”, Não foram críticas. Apenas sugestões para você ficar atualizado… procure melhor, tem sim um “pára” e um “tranqüilo”, não está errado, só está vintage…

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  2. Parabéns! Mais uma vez você foi você mesmo, mas com poética e romantismo! Talvez você seja poético e romantico até nas situações mais corriqueiras, mesmo que esconda isso um pouco atrás da figura de um cara comum, tipo um Clark Kent. Talvez para as pessoas não te ferirem… No que se segurar quando a vida é tão móvel? Na própria vida, em sua beleza… Você está acostumado com a sensação da morte e a acha bela, mas agora você vê a beleza da vida e isso o faz se agarrar a ela, Lulu é a mais próxima e pura representação da vida e tudo isso faz você novamente ser capaz de amar e ser grato pela vida… Que bom.
    Enquanto ao carrasco, ACREDITE, ele nunca vem! As paredes dos hospitais ou de minha casa nunca me esmagaram, como eu pensava que iam fazê-lo.

    Salut!

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