Música – Resenha sobre Descanso Nº 2

O que faço são esboços. Fico no fudido dilema de comentar como são as minhas coisas, “coisas” de  minhas músicas, minhas manipulações de imagens, minhas escritas… Porque vem o velho dilema do artista que não dá o devido valor a sua obra – “Ele gosta ou não gosta de sua obra?”  “Se ele não gosta, é porque ele não acredita, se ele não acredita é porque ele não tem valor como artista” – ou seja, de como o seu material é tratado pelo seu autor – “Se você é um artista, como pode achar as suas coisas ruins”? – O John Lennon, maior artista da história da música contemporânea dizia que sempre odiava o final da produção de suas músicas, até mesmo quando começou na carreira solo. Acho que a vaidade de Lennon não permitia que ele afirmasse que não gostava de suas músicas, porque ainda falta algo ou alguma coisa… Ou, porque simplesmente precisava vender?

Eu não quero vender nada.

Me escutem se quiser…

Leia quem quiser.

Difícil dizer qualquer coisa sobre John Lennon, sobre como se comparar a ele, acho que isso não existe, e nem mesmo criar esse medíocre universo sobre a minha música, da qual não gosto – pois ainda não a ouço e nem a toco como na minha cabeça ela primordialmente está – tudo que faço tem um pouco de “faltou alguma coisa” ou não consegui fazer porque não sabia, ignorância técnica mesmo…

Mas gosto da idéia de lançar garrafas com mensagens no oceano, mas não quero socorro nem reconhecimento, eu gostaria de receber uma outra garrafa de volta, algo que me responda a pergunta que sempre faço em tudo que produzo, em som, imagem e palavra… Se alguém conseguisse abrir uma das garrafas leria uma simples pergunta de quatro palavras         “ SERÁ QUE ESTOU SOZINHO?” Queria encontrar pelo menos uma pessoa com o mesmo nível de percepção que eu…

Meu sonho seria que uma garrafa voltasse com uma resposta curta… Com uma resposta rápida, com um sim ou um não…

Acho que essa foi uma resenha do meu trabalho, mas sobre a música…

Certa vez indo trabalhar, eu tive um sonho. Minha condução é bem distante do centro do Rio, eu demoro uma hora e meia para chegar ao meu trabalho, que dá tempo suficiente para sonhar e viajar um pouco. Mas isso foi há uns dois anos atrás…

Sonhei com a porta de uma casa, a porta da minha casa, mas o quintal completamente vazio. A minha mente vagou adentro aos quartos e todos os cômodos da casa estavam completamente arrumados, bagunçada apenas com uma sujeira de séculos, como se ninguém tivesse tirado nada de lá… Como se alguém saísse, sem preocupação de voltar, já que tudo estava perfeitamente em ordem, bagunçado apenas pelo tempo.

Na maçaneta apenas havia um recado. “Saí de Férias” e só.

E a trilha da viagem que a minha mente fez foi exatamente essa. A trilha de se vagar como uma câmera que vai sorrateiramente flutuando como um pássaro até chegar ao real estágio do sono ou sonho. Inicialmente não havia letra, mas quando mostra a imagem do recado o refrão interrompe “Sei que preciso n’outro dia acordar / Sei que preciso n’outro dia voar”… E assim foi…

Mas o instrumental já estava todo lá desde o inicio

Acordei contente. Aliviado por tal sensação interromper com os meus sentidos e acalmar, mas falou um pouco mais fundo sobre a drástica precisão do sono. Que termina sem dar adeus, simplesmente acaba e nada volta no lugar.

Penso nas pessoas que moram sozinhas, penso nas pessoas que não tem ninguém, que precisam de programas de televisão, que precisam que as coisas aconteçam em freqüências de rotinas e essas rotinas precisam se repetir, pois quando alguma coisa falha, é pior…

Se, as pessoas vivem sozinhas, pára que um aviso de férias? Para que um aviso? Na verdade seria para que não a procurem, seria um aviso para que as outras pessoas não a chateiem de verdade

Pensei em solidão, pensei em fracasso, e em um sentimento de fuga que  a morte não solucionaria. É a necessidade de transcender a todos os sentidos e não voltar jamais.

Durante o sonho, eu ouvia muitas palavras como se entidades oníricas tentassem recitar uma poesia para mim enquanto dormia, então, decidi musicar um poema que tinha feito um tempo atrás chamado “Depois do outro”, juntei as duas coisas e continuei com “Descanso”.

E entre outras coisas que foram comuns a esse nome e a essa criação foram várias, tipo, uma vez eu sofri um “descompasso” no peito, com dores no peito fui atendido na emergência do tribunal de justiça. A enfermeira disse apenas que era uma estafa e me deu um rivotril de um e meio para poder dormir. Quando deito no leito, vi uma coisa que me deixou muito assustado. Uma etiqueta embaixo do apoiador de ampola de soro dizia literalmente o nome “Descanso Nº2”. Não é uma coincidências enorme, pois quando não é descanso o nome que se dão aos leitos que são atendidos se dá o nome de “repouso”. Mas eu tinha pensado nesse nome o dia inteiro por causa desse insight.

Essa prévia que eu dei foi suficiente para aquele que leu entender que eu quis dizer tudo menos sono ou descanso. Ele completa com A nº1, que seria como se fosse uma abertura para a dois.

Espero que gostem. Se gostarem é porque entenderam e se entenderam obrigado!

Descanso Nº2

Só tem meio tempo para sonhar

Tento dormir, mas tenho insônia

O corpo queda querendo quedar

 Ao antigo estágio, como que em coma

Sei que preciso, noutro dia acordar

(2x)

Nessas horas somos o exato peso do nosso sono

A forma do corpo toma a cama

Que caminha pele inconsciência

Tranqüilizada de horas insanas

Preciosas horas, contas de um terço

Que é colocado no pescoço de quem dorme

Ai é o verdadeiro descanso, não o derradeiro

Mas preciosas horas de paraíso, como uma pausa

Um tempo, iscas do verdadeiro deleite

E

Quando a realidade fracassa, quando acordar é incomodo

É verdade, assim como eu, você ainda quer, dormir,

 mas sabe que é preciso,

Infelizmente noutro dia acordar

Só tem meio tempo para sonhar

Tento dormir, mas tenho insônia

O corpo queda querendo quedar

 Ao antigo estágio, como que em coma

Sei que preciso, noutro dia acordar

(2x)

 Descanso N°2 – http://www.myspace.com/rodrigovieiraserra

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~ por Água para Plantas em maio 30, 2010.

2 Respostas to “Música – Resenha sobre Descanso Nº 2”

  1. O que você busca musicalmente? Na verdade, essa sensação de ter em mãos uma obra incompleta não é falta de auto-estima, mas uma vaidade imensa de achar ou saber que pode fazer melhor. “Queria fazer melhor pois sei fazer melhor! No final das contas não ficou como eu queria, queria fazer algo que ninguém nunca tenha feito…” Mas fazer melhor para que? Por que? Você não é pioneiro no que faz? Que arte é melhor que a outra? Duchamp mostrou que qualquer coisa pode ser arte, dependendo dos olhos de quem a vê. E viva Marcel Duchamp, pois se arte fosse só o que os artistas eruditos acham bonito, a capacidade humana de se expressar seria bem restrita! Arte é igual boceta, tem de vários tamanhos, de várias larguras, de vários tipos e cores mas em uma você vai gozar mais. Eu já gozei com muitas coisas suas (artisticamente).
    Atualmente, para mobilizar uma geração, deve-se ter paciência pois é muito difícil impressionar pessoas sem apelar para temas recorrentes. Uma idéia nova pode passar despercebida. Mas você não está só: Muitos como você escrevem coisas para alguns lerem e poucos compreenderem. É por um pouco de medo que muitos se superficializam e não buscam pensar nem em sua própria existência.
    Pergunta: Acha que o nada é mais confortável do que tudo que você tem? Ou tudo o que você tem é nada?

    Obs.: Preste atenção nas modificações da norma ortográfica: Os dois “paras” agora são sem acento, não existe mais a trema na língua portuguesa.

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