Achado!!!

No meio de zilhões de blogs que eu criei e abandonei, encontrei um com um conto  que eu tinha perdido em um outro HD – “quem já não se fudeu por causa de um HD?” – Um dos poucos que eu coloco uma veiazinha cômica, é semi-biográfico, mas por incrivel que pareça, a parte mais óbvia não aconteceu…rsrsrs

Eu postei esse conto, mais ou menos em 2003 e quase sete anos depois eu fui reencontrá-lo!

p.s: Por favor, isso é antigo pra cacete! Foi antes de muita, mas muuuuuittaaa coisa…

Lapsos Momentâneos de Solteirices – i

                                    Lapsos Momentâneos de Solteirices – I 

“Trip to heave and ho, up down, to and fro’ /you have no word /trip, trip to a dream dragon…”

Sabe quando a sua cabeça fica igual a uma lâmpada de estrobo?

Pois é… Era mais um domingo de ressaca. Tinha que ir trabalhar na segunda às seis horas, no centro do Rio. Ir pro ponto com o dia amanhecendo, levantar antes, tomar banho gelado – pela enésima vez a resistência do chuveiro quebra – colocar a marmita na pasta, pegar ônibus – lotação em pé até as barcas, com direito a engarrafamento na alameda, e no meio disso tudo ainda me presto a filosofar: “Todo pobre acorda de pé indo trabalhar” Pobre é igual a chuva, cai em pé e corre deitado.

Tudo bem… Tudo bem… Prendo-me novamente ao domingo. Voltei pra casa às sete da manhã. Trêbado. Tudo bem com você meu filho? Shhiiimmm. Shó quieruu drumiupquinho…. vô disscanssá. Deito fedendo a cachaça – deitei ou fui deitado? Ah… Foda-se.

Durmo, quer dizer, desmaio pesadamente durante umas dez horas, ressuscitando depois com o corpo colado a uma pasta seca e amarelada que juntou o meu copo ao lençol de solteiro velho e amarelado de bronha – Ave Buttman! A pasta, infelizmente, eu descobri o que poderia ser: Eu abaixei a minha cabeça e vomitei debaixo do edredon. Estava frio, na verdade, transição calor / frio, então achei confortável o vômito com o peito escorrendo quente entre as pernas, me lembrou e me deixou exitado, por isso que eu achei depois um fiapinho de cebola debaixo do meu, digamos assim, prepúcio… Mas depois era como se eu estivesse dentro de uma figurinha auto-colante…. Me lembrei duma figurinha do Biro-Biro do album de oitenta e pouco… Meu cabelo tava naquela transição também, meio grande meio curto, então por causa do que eu fiz, já viu o cabelo né, se não viu, então, dê graças a Deus também…

Raspo meu braço e percebo que a pasta seca e amarelada continha restos de salsichão e milho. Seu filho da puta, não sabe beber, bebe mijo caralho! Acordo ou eu lembro desse flash e uma sequencia de tapas – parecendo o bululuiluluíu do Liu Kang, lembra, Mortal Kombat? Sim, isso mesmo, eu sou nerd – Fui no culto com a sua tia – voltou a voz do combo – quando voltar quero a coberta limpa na corda. O bilhete confirmava a origem da pasta.É… eu lí imaginando a voz cacete!

Tomo banho.

Tiro a roupa de cama – Travesseiro, lençol, fronha, edredom e outro lençol – Difícil executar tais coisas, mas estava preparado para ouvir mais da minha mãe à noite.

Cinco horas? Tenho que aproveitar o tempo.

Enquanto a máquina gira a minha cabeça roda.

Roda a Roda! Dizia o outro com o microfone ridiculo de lapela na TV e eu a mil. Eu depois que refleti sobre essa atitude eu quase me matei… “Esqueçi o nome do Sylvio Santos caralho! O cara era o meu idolo desde criança”. É porque Chacrinha é o caralho!!! O maior comunicador da televisão brasileira de todos os tempos pra mim é o Sylvio Santos! 

     E eu meio tonto, ainda fui pra padaria pra compra alguma coisa pra acompanhar o almoço, que não era almoço, era uma canja, não sei o que canja tem a ver com ressaca, minha mãe sempre faz quando eu chego nesse estágio aqui em casa… E eu andando, no meio da rua, meio barro, meio tijolo eu fui…

– Me dá aquele refrigerante preto

 – Qual refrigerante preto? – Ele perguntou

  – Aquele caralho! Que tem um rótulo vermelho na frente e tem gás pra caralho…

 – Qual – perguntou com cara de coisa estranha…

 – Aquele ô burro! Que tem comercial pra caralho, tem os minicraques e tudo – eu tinha o do Romário, mas a minha cachorra comeu a cabeça… Mas burro mesmo era eu, que esqueçi o nome…

Ele queria me dar uma garrafa de Dhreer, sei lá como se escreve o nome desse conhaque, mas eu de tão puto, quase pulei pra dentro do balcão e peguei a parada pra ele ver o que era, mas eu achei uma quente em cima da mesa e meti o pé, deixei o dinheiro no balcão e fui embora…

Tão sequelado que esqueçi até como se chamava coca-cola” falei pro cara da padaria perto da minha casa que nunca mais me olhou com os mesmos olhos depois que eu falei isso… Falei não, perguntei!

 Como a canja, tomo o refrigerante preto – coca caralho –  mais tarde a canja no vaso e a cabeça girando.

E girando

Roda a Roda…

Dizia o filho da puta que eu tinha esqueçido o nome de novo…

A máquina para.

Mas tava rodando – Roda, Roda!!! – Dizia o filho da puta! E eu puto com isso já…

 Tiro lençol, edredom, lençol e fronha.

Travesseiro impraticável. Lavo amanhã.

Estendo tudo pensando em ontem na praia e volto para apagar as pistas.

Olho as coisas de ontem: Calça (telefone da Patrícia), meia, cueca, sapato cagado de merda de mendigo, que, aliás, é a merda que mais fede, camisa suada de cana e o mais importante, a carteira e o vestido, o precioso pedaço do vestido… Sobraram uns trocados e essencialmente um resto do Derby de ontem. Que bom, pensei alto. Ela não mexeu nas minhas coisas – Na época, minha mãe não sabia que eu fumava.

Lavo a louça, arrumo o quarto, tranco a porta, ligo o ventilador na exaustão e acendo um incenso, aliás, dois, um de absinto e outro de sândalo. Coloco Cream, mas depois mudo para Syd Barret. Esse sim combina mais, Pensei em ler Herman Hesse, mas eu estava mais pra Bukowski do que qualquer outra coisa, mas fiquei só com o som pra acompanhar e um cigarrinho pra acompanhar.

 Sorri de alegria com uma garrafa de Iogurte de pêssego na mão, que era a única coisa que  fica no meu estômago depois dessas trips. Fiquei no quarto fumando e pensando. Pensando e tragando, escutando o iogurte, fumando Syd Barret e tragando os meus pensamentos…

Enquanto eu segurava um pedaço do vestido com uma estampa Hippie eu fiquei pensando no encontro de ontem. Nós nos conhecemos há um mês e ontem foi nossa primeira transa… Talvez a última… 

Um clima agradável

Praia de Itacoatiara

Um clima formidável, um friozinho que dava pra ficar agarradinhos, juntinhos eu e ela, olhando as estrelas, ouvindo o mar e ignorando uma tropa de mendigos sujos que estavam na beira da praia, fazendo não sei o quê – Acho que não eram mendigos, eram um bando de esfarrapados que vendem brinquinhos de durepox no centro da Praça Arariboia… É, acho que dá no mesmo…

Mas a gente não tave nem ai, como uns loucos, nos “amamos” na beira da praia – lembrei bebado depois daquele pagode que dizia “vou nadar e morrer, na beira da praia”, vai dizer que vc não tem um pagode demônio que volta e meia te azucrina e fica aquela música na cabeça te atentando a porra do juizo, pois é, essa estrofe depois ficou na minha cabeça…

Consigo abstrair e relaxar

E Syd Barret canta…

“Really love you and I mean you / the star above you, crystal blue / well, oh baby, my hairs all end about you…”

 

 

“E aí, o que você achou de mim?”

“Você é legal.”

“Só isso?”

“É…Só.”

“Não é possível”

“Você quer que eu seja sincera?”

“Claro” – Tomo uma talagada do conhaque barato que estava segurando, o tal que o cara queria me empurrar em vez da coca.

“Você é um cara legal, interessante, sabe conversar e enredar uma mulher.”

“E?”

“Bom de cama… Faz direitinho… Gostoso até…”

“E o pau? O meu pau é grande?”

“É… Mais ou menos…É um médio pra grande…Quase um grande. O que é bom dele é que ele é grosso, só é ruim pra chupar, porque não cabe direito na boca… Mas ele é um gê sim… Você só tem um problema…”

“Fala”

“Tu é gordo e não me passa tesão nenhum. Olha, você fode bem, sabe conversar e é inteligente, mas não me passa tesão nenhum, com o tempo isso cansa e sei que vai ser foda a gente continuar assim…Você não pensa em malhar e tomar alguns produtos não?

 

Até agora eu não sei como é que aquela filha da puta voltou de Itacoatiara. Com uma puxada de mão rápida e forte lasquei aquele vestido hiponga chinfrim dela e corri o mais rápido que pude com ele. Tentou correr nua, mas tropeçou e eu ganhei uma boa reta pro asfalto, deixando ela bem longe de mim. Lembro de ter contemplado depois, bem de longe,  uma cabecinha correndo de outras cinco cabeçinhas na areia beirando a água. Parecia uma animaçãozinha engraçada de Legos. A mendigada deve ter feito a festa… Dei uma topada quase arranquei o tampo da cabeça do dedão mas eu consegui dar uma canseira na filha da puta…

Dei uma escarrada forte naquele paninho de bunda rasgado e fedido que eu segurava… Ah… toma no cu, filha da puta!

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~ por Água para Plantas em março 4, 2010.

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