Insônia

Insônia Bocejo um pouco. Tenho medo de não dormir. Mas já está na hora de ir trabalhar. Rotina estranha e ingrata para quem tem insônia como eu. Passou a noite e eu me perdi de novo em uma mente vazia que não me dá trégua de noite. Como um monstro ou um zumbi, eu vou andando e vou sofrendo com isso. Os meus passos não são como os de pessoas normais. Quase tropeço…Quase ando. Chego no trabalho com uma dor de cabeça insuportável que não me deixa pensar, não me deixa fazer e nem me deixa com saco suficiente para aturar os puxa sacos escrotos… Penso como são ridículos, vivendo em seu mundo de repartição. Voltam para casa, estão na rua, no bar ou em qualquer lugar e não mandam em nada…Nada…Não sabem divagar sobre seus sentimentos, eles apenas andam, seguem os seus instintos mais sórdidos, confabulam planos e tentam tirar, em vão, o meu sossego, sossego que uma reputação construída com trabalho árduo, eu e minha mãe, pelos corredores do fórum, carregando bolsas de roupa, para vender àqueles que não sabem fazer absolutamente nada com o seu próprio dinheiro. A verdadeira pessoa ignorante é aquela que usa uma bomba ou um revolver para matar uma barata. Com o curto salário que tenho, vejo pessoas ainda descontando na folha de ponto um horário e um dia miserável, que me rende pouco, só me rende aborrecimento e dores de cabeça, de tantas e tantas, que às vezes seria bem melhor que o salário não chegasse, e que apenas, assim como fazem, me dessem uma ajuda de custo ao meu trabalho… Mas não…As pessoas medíocres querem matar insetos minúsculos a dentadas… As pessoas medíocres querem prestações de contas de centavos, sem perceber, que não perdem apenas os centavos, elas perdem o caráter. A dignidade e a hombridade que cai com uma atitude ridícula de mesquinhez, coando gravetos mas deixando passar camelos assim se faz a justiça dentro do TJRJ. Só eu sei o que minha mãe e eu passamos por aqueles corredores. Passamos por muitas humilhações dentro daquele prédio, que ao mesmo tempo é maldito é também santo. Com ele tiramos o nosso sustento, pago a pensão da minha filha. Com ele eu fui praticamente formado homem… Em vários aspectos, eu fui formado homem dentro daquele prédio. Me tornei uma pessoa mais humana e diferente outras pessoas. Ví várias vezes minha mãe chorando por causa de mulheres que se faziam da mesma mesquinhez para dar calotes na minha mãe. Se faziam da situação de onde estavam para não poder pagar, e por várias vezes a minha mãe perdeu dinheiro. Dinheiro que não foi pouco, foi muito… A custo de suor, de subida e descida de Petrópolis, dentro de um ônibus lotado, carregávamos em pé a sacola e descíamos a serra velha de Petrópolis, eu apenas fechava os olhos e pedia a Deus para que o ônibus andasse mais rápido – mesmo quase me arrancando os braços a cada curva na descida da serra – para que eu pudesse sentar, mesmo que fosse por alguns minutos, até o ponto final em Piabetá. O grande mal da minha mãe foi sempre ser como o Bellini em “A vida é bela” – pra não dizer hiena – Sempre dizia a todos que “estamos bem, levei Rodrigo pra passear um pouco em Petrópolis”, quando tinha vergonha de admitir que me botava para trabalhar, tanto ao comprar as roupas como em vendê-las no tribunal. Isso de forma alguma é vergonhoso para mim ou reclamo de “ter que carregar as sacolas de minha mãe” ou qualquer outra forma de pensar nessa atitude como uma humilhação, na verdade a revolta, foi a forma a qual ela passou a todos que eu vivia “muito bem”. Em termos financeiros, realmente, tivemos altos e baixos, mais baixos do que altos, e vivemos bem e também não tenho que reclamar de nada disso, o que eu falo é a forma que ela sempre arrumou de tampar o sol com a peneira, com coisas que não seriam nem um pouco vergonhosas, como dizer que eu estava ajudando ela no trabalho – ela queria que todos pensassem sempre que eu era um “reizinho”, enquanto, a mentira falaria mais tarde, pelos problemas psicológicos que tive, por causa do psicopata do meu pai – A vida com o meu pai foi um inferno e depois com a minha mãe foi outro por causa de sua depressão que me deixava distante e incomunicável com ela. Minha mãe voltava do trabalho chorando e dormia chorando, porque? Vários motivos…. Vários… E quando isso aconteceu, eu simplesmente repeti de ano, e por “castigo” estudei dois anos em uma escola pública na qual estudavam as minhas duas primas – o tal castigo, me fez estar em uma das melhores épocas de escola pra mim, mas pra ela, eu estudei apenas “um” ano, coisa que é de fácil confirmação, porque eu e minha prima estudamos o primeiro ano e depois ela foi para um outro colégio, acho que o Castelo Branco? Quando minha mãe sempre disse que estava bem é que as coisas realmente não estavam… A juba leonina deve sempre estar brilhando como a luz do sol, e isso às vezes é bom pra mim. A motivação quase que infinita de minha mãe sempre me motivaram a fazer várias coisas, embora, às vezes superestimasse coisas que eu nunca poderia fazer. Mas se não fosse por ela, eu não teria sido nada Mas isso é sobre um outro assunto, que talvez eu nem conte por aqui…

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~ por Água para Plantas em fevereiro 13, 2010.

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