Vitalidade…

           

            A escola anda como um passeio… Mal deu o sinal do recreio acabou. O tempo é uma areia a se escoar pelos olhos, olhando e andando de ombros a toda novidade perdida de alguém que não queria se perder mas assim aconteceu… O tempo corre e não reflete sobre nada, isso é apenas conosco.

             Criou o novo. Deu nome a vida e de ombros andou, como um pequeno distúrbio de gente metida a nada… A poesia foge da zona sul, anda a passos largos querendo corpo, violência… Bom dia! Acabamos de entrar nos círculos das vaidades, onde meros javalis dão de ombros a toda atividade periférica que pode correr… A ignorância dá ombros a tudo. Cospe um grosso catarro e dele, uma pessoa cheia de traumas do que é real, faz uma sopa. E dessa sopa, vira um poema, brota uma flor, caminha sem refletir o medíocre, dorme e fala durante recitada…Bibelôs no colo de uma idosa morta, assim é a poesia aos ouvidos de quem realmente não mergulha nas palavras. Começo com ela porque é a coisa mais viva que o homem inventou. A única coisa que não se desgasta com o tempo. Molha o livro, mas enxuta ainda estará a poesia. Queima-se o livro, mas como uma Fênix ela brota de novo, renascendo ainda mais viva. A poesia é a expressão mais viva que o homem criou dentro do universo da palavra. Uma vez um professor apaixonado me disse que a poesia é “a verdadeira voz cantada da palavra e o som sem melodia daqueles que nunca realmente poderão cantar”…

            Tenho amigos que andam comigo quando querem atravessar algo que tem medo. Algo que dentro de um banco causa tumulto, loucura e suadouro… Tenho amigos que só aparecem quando querem lutar contra alguma coisa… O tempo escoe como um grão, mesmo grão é encontrado em nossos olhos, quando acordamos de uma noite bem dormida de sono quando a noite atinge o ápice do envolvimento do corpo. Alguns vivem em círculos, na segurança de voltar do trabalho, na certeza de que tudo está normal, sem saber o que realmente é viver… Enferrujamos enquanto tentamos dormir no vidro de uma condução lotada, com gente obstruída de problemas. Acordo amanhã. Outro dia, trabalho. Outra hora ônibus, lotado. Gente. Pessoas. Compras. Horas.Datas. Esquecemos  de toda a miríade de que se faz a vida. Canso. Agradeço por Luiza agora ter uma família. A sua mãe formalmente – por uma exigência estúpida de uma nova sociedade que prega uma espécie de “neo-arianismo”, embora a nova escola de antropólogos e sociólogos acreditem que não existe o termo “neo” quando se fala em organização humana –  Estou feliz. Embora já achasse que já estavam casados há muito tempo… Contradizendo o sorriso de um velho conhecido, de agora, uma congregação pagã, eu estou feliz, não só por isso, mas ao mesmo tempo surpreso, ao perceber dentro do ônibus que a pessoa se lembrava de mim supondo o meu sofrimento. Isso é uma atitude cristã? Só ser solidário a uma pessoa quando ela supostamente está caída? Assim algumas pessoas vivem, cheias de problemas, criando-os aos montes para se ter sempre um colo, para se ter sempre a razão… Simulando a vida… Que vida?

“Todo o domingo, temos uma amostra repetitiva do que é se viver…Falamos sobre o fim que está próximo, sobre pessoas que não são como nós, porque vivem  diferente de nós, tem uma outra visão do que seja supremo…Nós vivemos o que ‘o supremo’ determina, então isso é viver dignamente”  É um circulo confortável que justifica a razão do que seja viver, resposta a um subjetivo que vive reprimido, como um touro querendo atacar, encurralado em uma jaula de rodeio, esperando apenas a porteira se abrir… Mas a porteira não se abre. Ela é trancada por um pastor que está em cima do boi, controlando-o por todas as suas reações. “Não deixe que o sol se ponha sobre sua ira”, esqueceram de dizer ao pastor que  “o deus” que ele segue não proibiu as pessoas de se expressarem.. Mas o touro acaba atacando outras pessoas que não tem nada a ver com o seu sofrimento, como os outros homens que estão na arena apenas para lhe tirar a forquilha que lhe amarra os culhões, e não sabe que a razão maior do seu sofrimento vem do homem que está  montado em cima do mesmo… A raiva se tem do que se está em volta. Amaldiçoando aos que não vivem dentro de seus currais e banalizando aqueles que não sabem viver conforme as suas conveniências…  Alguns assim são, outros não, disso eu sei, mas há aqueles que agradecem e ainda existem aqueles que agradecem por não serem o que não compreendem, o que nem tentaram compreender, assim, apenas julgaram ser. E Deus, continua sendo Deus, a observar a movimentação dos homens, tento ganho todo o jogo mesmo ele ainda nem tendo começado. Desde o fim, não havendo ordem por começar, observa o início como final…

            Pra mim, não é suicídio alguém tentar furar uma onda gigantesca, ou se aventurar na água de uma forma tão voraz a ponto de quase morrer afogado. Se a vida gira em torno das esferas empíricas, o que é o mar? O que é selvagem? O que é perigoso? Se não, tudo é mera especulação, confetes e enfeites… Quem foi capaz de saber do porvir? Quem buscou o devir ou chamou a sorte e a fortuna como quem chama o cachorro? Ninguém. Ninguém na história foi capaz de fazer isso… E sondas uma perturbação, um medo inconseqüente que nunca deixaria experimentar com medo da morte, mas a vida não é experimentação? O que é se aprumar e andar de noite? O que é atravessar uma rua deserta? Um morro ocupado? O que é mais perigoso: Dar aula em uma escola pública ou passear à noite em uma floresta?

            A opressão mora de dia. Veste calças de marca, se traveste de uma boa imagem para lhe vender um entorpecente, para te vender um plano de saúde, sendo que, és jovem, e nada de mal pode lhe afetar ou ocorrer a sua vitalidade. Vida. Ó temida instância! O que é pior, lhe romper como um arame a rasgar a pele ou andar trancado dentro de si? Com o medo de si mesma a esperar o corpo apodrecer, sem mesmo provar-lhe o que é viver, sem mesmo provar-lhe do que fora feito toda a estrutura de seu corpo vida, de seus olhos, de suas verdades que o medo esconde?

            A vida se chama temor. Arriscar a vida é viver? O que é arriscar a vida? Testá-la, vive-la, é um risco? Se não for testada, então dê-me a morte, porque não adiantaria a mesma se não for para percorrê-la com todos os riscos e miríades de possibilidades que assim posso tê-la. Pois só uma existe, e existe todo um grande cenário, enorme e cheio de possibilidades lá fora para eu poder vivê-la, e se não o fiz, se não interagi, se não me arrisquei, se não me comprometi com o erro, então pra que viver? Se errar é humano, o que é não ser humano? O que é a perfeição?

            A escravidão senta em mesas de escritório. Conta dinheiro e despede pessoas. O que é felicidade então? Onde está a felicidade nisso tudo? Andar um pouco mais. Ver a rua. Observar a chuva, e mesmo que já a tenha visto, tantas e tantas vezes, e a tenha sentido – Muitas pessoas não tomam banho de chuva, abrem seus guarda chuvas, entram em marquises e esperam passar, então, onde está a vida nisso? – Quando menino, não me deixavam sair na chuva, não me deixavam senti-la. Tentar em vão cheirar a água, para descobrir o mistério do cheiro de terra molhada. Muitas coisas não me deixaram fazer, me podaram como uma erva daninha, mas sempre fui a evolução da minha cura. O meu organismo sempre tentou me curar, assim como o organismo de várias pessoas, mas eu sempre fui podado a não relutar uma vontade que vinha de dentro, mas sempre fugia ao que era convencional, sempre era manipulado por falsos céus e deuses que não queriam que eu desse lugar a um sentimento que até mesmo um cachorro tem.  O sentimento pela busca da felicidade.

            E descobri, após anos de opressão, que a felicidade é pura e simples. Compartilhar é o verdadeiro estado de felicidade, pois nós seres humanos – que não provamos a vida realmente – só somos felizes se compartilharmos, seja a coisa mais cara ou a coisa mais barata, que é uma conversa, uma vivência ou até mesmo uma mentira a alguém. Médicos que estudam a psique sabem que a comunicação é essencial para o equilíbrio da mente e só podemos nos comunicar com outros seres “humanos”, então, pra quê voltar pra casa no mesmo horário? Pra quê ir pelo mesmo caminho?  A tal dita “vicissitude” anda cada vez mais medíocre e desacompanhada.  A tal, já está velha e sem tomar caixote na praia, nunca sentiu a força de uma onda lhe puxando no mar e nem mesmo a desafiou. A tal velha vive em casa,  com medo da milícia, indo apenas ao supermercado, andando de um lado, gemendo de outro… Não se vive com medo do que se vai falar. Não se sentem com medo do que vão sentir e por parasitismo, acaba-se vivendo como os outros querem que você viva. Quem é mais forte? Saberia dizer realmente isso se conhecesse o que é a força? Antes da luta se tem medo do golpe… Onde está a caminhada sem as pedras?

            Se o que passo são como os meus passos, então pra que justificá-los? Quem chorou comigo sozinho? Eu. Foram dos meu olhos que águas rolaram e do meu suor provei toda a vida e a força que eu podia sorver, então, esse sou eu. Nunca mais deixarei de amar por causa de ninguém! Nunca mais deixarei de me apaixonar por causa de ninguém! Nunca mais vou me deixar por causa de qualquer coisa! Até que ponto, o que você leu sou eu ou é você até aqui? Até que ponto, você viverá em um pedestal de orgulho que faz com que os outros decidam pela sua vida, deixando o que realmente importa – a sua compreensão do que é ser feliz – ir embora como uma água suja que lava uma birosca?

            Quando tentaram me colocar em um buraco escuro, e quando tentaram  me enterrar vivo, antes de gritar por entre as frestas da madeira vagabunda de um caixão eu me levantei. Eu sempre me levantei e sempre me levanto no final… Nunca conseguiram me enterrar por completo, por mais que eu quisesse. Porque esqueceram que eu mudo de vida em um virar de rua. Esqueceram que eu posso, em segundos, arrumar um outro porto seguro e por lá atracar, continuando sendo o mesmo, mesmo não sendo a mesma vida. Sou muitos, assim como todos são, mas quem me conhece, sabe quem eu sou, sabe a minha verdadeira essência. Que eu é esse que se molde aos outros? Que tende a ser falso? Por isso não sou uma fórmula. Sou uma dízima periódica que compõe um número inteiro, mas em parte muitas variantes… Dalí se sobrepõe o que é caos e até que o ponto o que você já leu faz também uma parte tua.        

            Sou uma pessoa completamente passional. Não cheguei a vida apenas a passeio. Sou uma inconstante a interagir com tudo, a plantar amizades e às vezes colher algumas tempestades, mas eu sempre me levantei, eu sempre me pus de pé, quando todos pensavam que a noite me tragaria, quando a bruxa jogou todos os seus feitiços, eu apenas surfei por entre maus olhados fiz a minha pantomima e levantei. Hei de me prostrar algum dia? Não sei se é mais um pico de seratonina, mas de novo, como do dia seguinte de uma ressaca infernal, eu volto… Recomeço e levanto a minha cabeça de novo. Componho mais um pouco  me desperto.

            Voltei realmente para as coisas que me alegravam e vi o que era que “queria” me puxar para trás. Matei a serpente que me azucrinava e consegui realmente voltar, e vi que só era realmente feliz quando eu interagia com alguém. Quando eu conversava, compartilhava idéias, pensamentos… Quando eu me enternecia e emocionada ao ouvir uma mulher dentro da van sobre a história de seu filho preso, enquanto me falava de Deus e as lagrimas corriam… Ela vivia? Ou cumpria parte de uma escolha em não fazer mais ninguém sofrer? E mesmo que a minha passionalidade me faça esquecer disso tudo, eu aceito, desde já, essa natureza que me coloca como se fosse um balanço na beira de um penhasco, mas , aprendi a respeitar as minhas marés e ser a junção, não tão equilibrada, de melancolia e alegria.

            Mas ainda, a se esgueirar pelos cantos, vem ela: A depressão como cobra anda bem lentamente, querendo sugar alguém… Procurando migalhas de alegrias e frestas entre um frenesi e outro. Peço a Deus a habilidade de não julgar, mas a certeza minha de não escolher os caminhos errados, que no meio do meu desespero, assim como Daví, me coloque a ir para junto de águas tranqüilas, abençoando os meus caminhos tão nublados, da qual apenas vislumbro coisas que passam na velocidade rente a um farol que hora falha. Conto com a ajuda de alguns amigos para me ajudar, eles sabem de mim, sabem que eu não sei fingir, mas como odeio médicos, eu apenas endireito os meus ombros e não volto mais. Rasgo a receita. Dou as costas ao farmacêutico pensando eu estar são. Mas voltará? Penso em como ser um bom pai, mas sempre deixo de lado a função quando se trata de mim, mas onde haverá toda a raiz desse equilíbrio de vivenciar até o final o que eu tinha me esquecido de como era ser, não tendo? Pai. Palavra primeira. Infelizmente ainda ligada a palavra mãe…

            Ave Vicissitude!

            Que se abram as portas da vida

            Ela agora gira sem parar

            Inconsciente da estrada, assim anda

            Mas

            Que ela se curve e faça ponte

            Atravessando o penhasco tempo

            Por entre espinhos e galhos secos andando

            Como homens livres ou presos

            Mediocremente, andas

            Sem entender a mecânica

            Sem ter a separação celeste de ver as eras

            Como plantas a correr por entre uma parede velha

            Chamada de realidade. Repousa

            Como uma garrafa chamada tempo

            Não temos mais o mesmo para averiguá-lo

            Pois quando olhei, passou

            Desde o início do p

            Anunciando o final o

            Depois, o u

            Sobre noite

            Sobre tudo

            Tempo

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~ por Água para Plantas em fevereiro 9, 2010.

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