Trinta anos…

Maravilhoso aniversário, com pessoas que eu amo!

Trinta anos…

                É…não parecia mas chegou… Todos sabem agora que eu não sou mais uma criança e não fico a me lamentar por aquilo que eu fiz, fui o que pude ser na hora em que não seria outro a não ser uma opção menos dolorosa na vertente em que meu braço se estendeu a ser indiana…

                Fui a festa de encerramento de Ana Luiza, e dei graças a Deus. Não era mais um bebê a chorar no meu colo, e não era mais eu em uma casa alugada aos trancos e barrancos em uma vida apertada para sobreviver… Não era mais um ser que se chorasse eu não saberia o que fazer e quantas vezes eu levei, essa pequena criaturinha em meu colo para um hospital público lotado, eu e a mãe, sem saber que dor a acometia, sem saber o que fazer, no meio de nada, no meio de marambaia, que matava os seus moradores a noite, que estuprava as mulheres… Em uma terra até hoje esquecida, numa terra em que o trafico de drogas quer morar… Levávamos Luiza a noite, com febre, enrolada em uma mantinha amarela, com febre e chorando… Mas quando ela sabia que estávamos andando em um lugar diferente com ela, acho que ela sabia que era um hospital, e rapidamente parava de chorar, acho que prestava atenção a tudo, via o horizonte deitado dela mudar, a curiosidade a fazia distrair da dor… Apesar de tudo, alguns acham que não houve nada disso, que eu apenas ligava para a minha mãe e ela aparecia como uma divindade… Esses são os meus trinta anos…

                Mas com toda sinceridade, não agüentaria viver três vezes mais como os meus avós viveram, acho que nem duas vezes mais… Acho que talvez quarenta, ou até mesmo trinta e nove seriam suficientes… Não tenho muitas coisas a resumir, acho que esse blog serve um pouco de uma autobiografia, mas sem uma ordem cronológica, prefiro lembrar das coisas e contá-las como todo mundo conta, na medida em que se lembram e tem um mote para contá-las, então, acho que devo contar tudo por aqui, em forma de prosa, ora em forma poética ora em forma hermética… E escrevo acima apenas: Crônicas. Cabe a quem me conhece dar o nome aos bois, cortá-los e pegá-los pelo chifre…

                Se Deus um dia me desse o direito de ir para o céu, a primeira coisa que pediria chegando por lá seria para eu ter meus dez anos de novo e ser transportado de volta a festa em que eu vestia uma camisetinha regata amarela e segurava um copo de guaraná na mão… Foi a época ou fase que eu mais me sentia bem em toda a minha vida… Até hoje, quando eu me encontro em lugares ótimos, eu lembro de segurar o copo de guaraná na mão, até mesmo eu faço com as mãos o gesto de se segurar um copo de plástico – RS – é verdade, mas não tenho muito do que chorar por aqui… Apesar de minha mãe não ser muito calorosa com os meus trinta anos – atestado de incompetência? – eu estou relativamente bem comigo, passei um dia gostoso com meus dois amores, fui a praia e dormi um pouco na areia, em uma tranqüilidade e paz que eu não tinha há um bom tempo. Só de não pensar em coisas ruins e manter a minha mente um pouco quieta, já me faz bem. Não tomo mais os remédios que deveria tomar para depressão tem mais ou menos um mês, mas não sinto tanta falta… Não sei quem precisa de remédios aqui. Parece mais um conto do Baytes Hotel,  em que Norman pedia a sua mãe para parar de maltratar as suas noivas, mas o próprio Norman já não sabia o quanto estava perturbado… Minha namorada lê isso agora, deve estar assutando-a…rs…Mas acho que ela me ama o suficiente para entender essa situação… Preparo para escrever algo sobre isso, mas mais figurativo, pensando na história de dois presos, condenados a prisão perpétua que descobrem que estão trancados sozinhos dentro de uma cadeia isolada… Talvez faça uma peça com isso. Preciso ver com o pessoal do teatro, talvez eu faça isso… Mas com certeza irei escrever … Somos dois presos dentro de um espaço, dois presos que querem sair da cadeia, mas ao tentar sair, um diz ao outro que não deve sair, pois fez tantas coisas ruins que se saísse não viveria uma vida normal e vice e versa… Mas isso apenas acontece quando os dois descobrem que podem sair da cadeia, mas apenas juntos podem sair de lá, mais um preconiza tanto o outro e considera tanto o outro um monstro, que acabam por viver um debate, uma disputa e um questionamento do que é certo ou errado, e o que se pode ou não punir entre outras coisas. Mas o que seria realmente, é uma síntese do relacionamento de mãe e filho, que eu protagonizei durante esses meus trinta anos… Mas não é o reflexo e nem sequer a cópia do que eu passei… Relacionamentos são marcados por coisas boas e por coisas ruins, geralmente acontece essas coisas ruins quando algum limite é ultrapassado e vice e versa…

                Mas antes, agradeço aos que Lêem isso aqui – crii-criii (onomatopéia de grilo) – e aos amigos que possam ler isso depois, boas festas. Agradeço aqueles que não se lembraram, agradeço aqueles que se lembraram mas não deram o braço a torcer a dizer um feliz aniversário, a dizer que estão com saudades… Agradeço a Deus por me dar encontros e desencontros na minha vida. Agradeço por me renovar, por me permitir ser esse ser no ápice de seu livre arbítrio que anda para onde quer e ainda a onde anda vê a sua face em todas as coisas, até mesmo na morte, até mesmo na desgraça e no sofrimento, Deus, que não é mal e nem ruim, Deus que é a minha concepção diferente daquilo de tudo que é criado, de tudo que é misterioso e não condenável… Deus que me dirige e me permite dirigir, Deus que abençoou a minha filha e minha mãe, Deus que me fez conhecer o torpe, me fez vagar em uma praia, me fez chorar por várias mulheres e me fazer ver que tinha me colocado no caminho de uma que seria para sempre.

                E ao mal, não dito Diabo, mas a força que rege as conseqüências negativas, que me tem por simpatia, que me faz driblar os homens que vivem possuídos por outras coisas que não vibram nem bem e nem mal. Agradeço ao poder do mal por me alertar de sua existência. Por dizer que eu deveria realmente é temer a hipocrisia, pois aqueles que mais mataram e fizeram atrocidades sempre estiveram atrás de uma cruz e de um pretexto de cunho falso religioso. Esses sempre quiseram, como outros, me torcer em uma amarrada de pano de trapo e me jogar pelo chão, como se não fosse nada, como se não pudesse ser mais alguém. Agradeço a voz que veio do abismo a dizer sobre a sua natureza, a me assustar e não fazer assim conhecê-la , mas me tornar próximo, como um espetro refletido nas sombras. Agradeço ao bem e ao mal por tudo que eu passei. E ainda peço a ajuda, em forma de um macabro equilíbrio, para que meu pendulo continue da forma simples, forma que eu alcance o seu movimento, mas mesmo assim, não pare de se mover…

                E o que falar dos meus trinta anos? Não sei. Talvez fale mais pra frente. Talvez não seja preciso. Pois, para não dizer feliz, tenho me distraído e muito, e não tenho pensado em coisas ruins… Graças a Deus a minha mente se esvaziou de tudo aquilo que estava me incomodando. Voltei para a minha namorada, que será minha esposa e minha mulher para o resto da minha vida.

                “E as coisas boas”?  Me pergunta ao ler este post. Deixe, meu amor, que as coisas sejam provadas pelo fogo, pois as verdadeiras coisas boas são puras, assim como um bom metal, que não se desfacela  com facilidade, e para se  provar que realmente são boas, elas devem ter um caráter de eternidade e pureza

                “Admite que foi feliz hoje”?  Sim, mas ainda não sei o quanto é distração nisso tudo – RS – Brincadeira, claro…Mas ainda não discorri a certeza da felicidade, ainda acho que felicidade é tempo de distração, mas hoje foi um dia muito bom, e feliz, sim, feliz.

                O que importa é que eu te amo e vice e versa.

                Em homenagem a ela, vou fazer uma lista das piores coisas que me aconteceram em dois mil e nove e as piores coisas de dois mil e nove…

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~ por Água para Plantas em dezembro 23, 2009.

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