A passagem das águas

A passagem das águas.

Não se mata uma força ou sequer se tenta retê-la com a mão ou com um discurso. Isso está lá e sempre esteve lá, e foi usada há muito tempo atrás para manter o equilíbrio daquilo que não pode parar de girar, assim como o coração não pode parar de bater… O universo é um grande organismo vivo, orquestrado e planejado por alguém, que não é um mero alguém, é poderoso, e poderoso pra cacete…

Não se pode impedir a passagem das águas. O seu intenso fluxo destrói as pedras, acaba com aquilo que é sólido. Não se impede o seu fluxo. E assim foi enquanto eu tentei impedir o que eu tenho que ser, o que é preciso ser… E no final das contas, o que eu faço é apenas me livrar de coisas que me atrapalhavam a andar para o meu eixo, pra onde eu deveria sempre estar, que é de frente para mim, olhando para mim, com tudo ao meu redor conspirando para isso  – Ave Crowley!

Espero passar toda a água a se misturar com todo o lixo que tenho dentro de mim, as coisas que envolvem e revolvem dentro de mim, a sair a água grossa, tomada como se fosse um chorume  a sair de dentro de mim, como se não limpasse, apenas tirasse o excesso daquilo que não dava mais para suportar ou comportar. Apenas para eu caminhar a um destino certo, como um sonho que eu não vou deixar de ter… A vida vai destruir ou um destino certo vai se incumbir que eu intuía esse sonho e vá além dele, mas não tenho do que reclamar, o meu final de semana foi ótimo, driblei uma platéia de circo que sempre querem ver o malabarista se foder no picadeiro , pessoas que sempre dizem “cai” em um coro repetitivo ao malabarista das cordas, que sempre está inseguro, torpe, e demente, no meio das cordas que sempre. A platéia quer sangue no picadeiro com comentários de Arnaldo César Coelho…

Esperaram me ter como um palhaço ou um Judas de pano para malhar, preso em uma árvore e indefeso. Esperam me esmagar como uma barata e até mesmo os olhos de pessoas que “gostavam” e não gostam de mim brilharam, tremeluziram, se entregaram e coisas e sonhos que eu não pude entender ou até mesmo buscar. Pessoas que passam por sinais, atravessam ruas ao meu lado, pessoas que cruzam nos corredores do meu trabalho que nunca se deram tempo de virar os olhos para mim, me olharam com gosto e sabor, a esperar a guilhotina, a esperar o esquartejamento em praça pública … Mas sabia que a busca – para entender esses sentimentos de outros –  me traria a morte. Querem me moldar como torcem uma tira de pano velho sem valor, achando que estou derrotado, à morte, sem vida para poder voltar e me reanimar de alguma posse que tomaram minha vida. Mas ainda, não conseguiram, tentaram por ódio a minha mãe, nos isolar de tudo, se auto-proclamando donos de coisas e pertences que pelas suas atitudes mesquinhas nunca teriam, mas se cercam, fazem fofocas e intrigas para que os “verdadeiros donos”, se cerquem de pretensas precauções contra nós,  para me ter longe, me adjetivando a vícios e a modos marginais, esquecendo que pouco me importo com isso, com eles e com tudo, apenas com a minha mãe.

Na verdade, descobriram finalmente a forma de atingir a minha mãe, já que tentaram de tudo e não conseguiram. Descobriram o seu ponto fraco. A minha incapacidade de andar e viver é o ponto fraco de minha mãe, então, me isolando, me pisando e espezinhando, acharam a forma certa de atingi-la, que mesmo ferida não caiu, mas por dois anos,  passamos sozinhos, lambendo as nossas feridas sem sequer outras pessoas ligarem para dar um “Feliz Natal” ou até mesmo saber se estávamos bem, e no meio disso tudo,  tivemos roubo de carro e etc… Ponto que, é alvo de uma de nossas discussões corriqueiras de que podemos viver sem intrigas, de que podemos viver da forma que quisermos sem sermos acusados de nada, que eu posso viver e pagar honestamente todas as necessidades que a minha filha ter, sem ter que ouvir que foi “ a minha mãe que sustenta a minha filha”… Podemos viver sem isso. Podemos ser livres de toda essa desconfiança e andar com “as pessoas que escolhemos andar”, aquelas que realmente nos amam e vão entender ou tentar ajudar nas nossas escolhas… Mas ela acha que isso faz parte de uma “provação” e que devemos aturar todas as pessoas… Pois eu sei que eu sou uma boa pessoa e pude sentir isso através dos meus amigos, em um gostoso final de semana em Cachoeira de Macacu!  Pude ter certeza, ali, que não era nada daquilo que preconizam de mim, que não deveria aceitar nada de negativo que falam ao meu respeito e tentar ser sincero com as pessoas… Pude ver nos olhos das pessoas que eu “escolhi” a estar perto de mim, que elas realmente achavam que eu era uma boa companhia a se estar ao lado, contrario daqueles que eu nunca tive escolha, vendo que estão ao meu lado pela mesma filosofia barata que a minha mãe tenta que eu engula… Elas me suportam há muito tempo.  Sem mesmo procurar entender o que eu sempre passei. Sem ao menos ter a curiosidade de desmembrar a minha natureza, assim como eu tenho quando conheço as pessoas… Elas não tiveram a sensibilidade de tentar procurar saber o que “eu” sentia, ou até mesmo o que “eu” fazia pra tentar reverter coisas que eu nunca tive controle… Sim, elas apenas me empurraram, me julgaram e ainda dizem coisas da qual eu nunca fiz sem antes me perguntar, sem antes saber a minha vida, sem antes ter a certeza daquilo que estão falando, sem conhecer sobre o que estavam falando. Mas o objetivo principal era a minha mãe, mas aprenderam que somos duas Fênix, sempre nos reinventamos e assim sempre será.

                Mas ainda rolamos os dados, eu e minha mãe. E contrariando a mentalidade mesquinha e ridícula de todos, sobrevivemos a isso. Ainda vou ter que aturar o que acham, que jogo a minha filha para a minha mãe cuidar sem entender que isso só acontece por que eu não quero estar perto de pessoas que vão tecer comentários negativos de um passo meu, então, eu que cansei de viver em um ambiente de fofoca, decidi que minha filha deveria usufruir de uma posição que muitos daqueles que hoje me crucificam, deveria usufruir, assim como a minha filha usou a casa deles, eles também usaram a minha casa e eles sim, levaram pessoas com vícios, pessoas que procuravam acabar com as festas e até mesmo com a nossa casa… O que a minha filha a minha mãe aproveitaram é pouco por tudo que fizeram… Mas não posso expor isso ou fazer entender a minha mãe esses pontos de vista, pois um desses motivos, foi derrocada para o casamento dos meus pais – mas o principal de ter acabado foi do meu próprio progenitor…

Mas as águas passaram e me limparam um pouco. Não tive medo de me entregar a antigas águas, algumas delas refrescantes, que passaram pela minha vida e me deram um pouco mais de chance no meio do número do espetáculo… Descobri uma cidade linda no meio de Magé, no caminho para Papucaia… Cachoeira de Macacu é um lugar lindo, cercado por rios e cachoeiras, e eu, que nunca tinha tomado banho de rio, me refiz, após sentir a doce energia da manifestação Elemental das águas doces, da rainha do ouro e de rever velhos e bons amigos. Mhayná voltou a fazer parte da minha vida, e dessa vez, será para sempre!

E como foi gostoso! Um aluno da Elaine nos fez um desconto fantasma, e comemos bem e bebemos bem, não de se embriagar, mas de se sentir bem entre amigos,  e foi bom. Tomamos banho de rio, conheci um lugar que não conhecia e me senti bem. Diferente de outros posts, desta vez em muito tempo eu me senti bem em um lugar, com pessoas. Depois de muito tempo, eu não pensei em coisas ruins e estava me sentindo bem. Me senti amado, desejado  – não sensualmente, mas por amigos que queriam que eu estivesse por perto, porque gostavam da minha presença – E não pensei em coisas ruins.  Como uma água fresca que se passa sobre uma testa bem quente esse foi o meu alívio de não pensar em coisas ruins. Mas a água fresca não foi só na testa, foi dentro da cabeça, na alma, no meu espírito cansado de pensar em coisas derrotantes… E foi bom pensar em coisas boas… Foi bom pensar em vida, viver vida, tomar e ter experiências que eu nunca tive, desocupar a minha alma de tanta negatividade… Mas apesar disso, não acho que seja negativo tudo aquilo que escrevi  em outros posts… Creio que seja necessário, creio que ainda seja vida, creio que ainda seja passagem, transposição de águas… Surfo uma outra onda de outras águas e agora, com o brilho do sol, me mostro como um lagarto em uma outra faca, em uma outra miríade… E vou andando como sou, nesse instante, nesse vertente e reflexo da qual o sol se mostra sobre a minha pele. Ainda sou eu, ainda estou no meio de uma rua tentando atravessar a jogar coisas que não prestam e que lotavam o meu corpo para os lados… Mas isso faz parte de uma passagem, faz parte de uma mudança que eternamente terei que enfrentar. As águas serão trocadas e repostas. As feridas serão trocadas e também resposta. Mas sempre algumas coisas eu poderei entender, outras, não.

  Talvez escreva sobre os meus “recentes trinta anos”, mas tarde , agora o que fica a impressão é de coisas boas!

E o que fica, são as pessoas abaixo. Amigos, cachoeira e um dia agradável com pessoas que me cativaram e cativam…

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~ por Água para Plantas em dezembro 23, 2009.

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