Crônica – A gravidade da Palavra

Sobre o que escrevo ou escrevi

 

Bom, antes de começar este texto, devo diferenciar algumas coisas, escrita também é igual a palavra, mas daqui para baixo, será um pouco diferente, e palavra será a dita rápida, expressão dos impulsos, e não da verdade. Sabendo que, as duas são a mesm coisa, embora uma feita com a boca e a outra feita com a mão, mas não é apenas isso e é isso que eu vou colocar abaixo, poderia me referir à fala, mas infelizmente, hoje em dia, a mídia que faz mais a cabeça de todos é a áudio visual, e a “palavra” está se transformando cada vez mais em “fala”

 

A escrita não redime ninguém de nada. Ela sempre deve ser precisa, colocada de forma repensada, pois na escrita existe desculpa. O existe agora materializou-se há algumas palavras atrás junto com a escrita e agora faz parte de um tratado, para os que consideram a escrita sagrada, já não é mais um mero texto, e sim uma expressão verdadeira do que se quer “deixar sair”. Mas o deixar sair da escrita, e diferente da dita “Fala” – ou como atribui acima, a dita palavra – A escritas deve ser pensada da forma correta, uma virgula pode dizer tudo, pode significar o fim do mundo e na palavra não, ela sai arredia, querendo dizer muitas coisas, um não pode querer dizer “continua”, mas na escrita, o não se torna mais objetivo, e na maioria das vezes quer dizer o que foi feito a se atribuir: Pare, chega, fim…

Não há como fugir da escrita. Ali mostrou o pastor. Está escrito. Se o livro se segue e ali está escrito, objetivamente está errado ou certo, por isso Jesus não escreveu, pois suas palavras, as que saiam de dentro de si, já eram por si só claras, objetivas, e perfeitas, mas como eram para todos, não havia a necessidade de se cercear a verdade a um campo de objetividade de interpretação tamanha a tão ponto que tudo que seria um não, flexível e completamente arbitrário, se tornaria na escrita cruel, que diz um não severo, a ser cobrada por advogados de terno e gravata, dentro de congregações e outras expressões físicas do que é se cobrar aquilo que foge o que deve sempre fugir, a palavra se torna precisa na escrita, mas na objetividade se torna real, mas é criada da subjetividade individual, ou seja, o não é não, mas é mais não quando escrito, mas mesmo escrito, o mesmo não, não é tão não quanto o meu não e será um outro não quando ler, e maior a força do não daquele que não lê, achando que não é não, mesmo quando a palavra diz para ele não ser, ou a escrita firma a forma do não assim não ser.

A escrita expressa porque assim a sua natureza se toca, se compõe e torna a palavra mais densa do que no campo oral. Meu amor o vento levou com as palavras, e com as minhas emoções de minutos e segundo. Minha raiva a maré levou com um banho de água de mar, que me libertou de várias impurezas, mas nada vai destruir aqui a escrita. O que escrevi está escrito, assim como os dez mandamentos, assim como o código de Hamurabi ou o o lendário tratado hermético escrito na tábua de esmeraldas. “Não matarás” É imperativo e sem outras interpretações porque a escrita o confinou a uma negação, porque não houve um sinal, que na palavra – oral – pode escapar por uma má respiração ou gagueira –a escrita deixa marcas e registros que se tornam marcas de quem a escreveu e característicos e por natureza objetiva as palavras, mas também as endurece. Não a cena nisso. Não houve um ponto de Deus no meio disso tudo, e se houvesse “Não. Matarás” fudeu. Era eu, você, e todo mundo fudido no meio disso tudo. Mas as coisas acontecem um pouco assim, mesmo sendo imperativo, tudo é questionável e interpretável. Não me posso atar as palavras e me atirar no mar, quando sossego é a palavra que pede a minha alma, mas posso escrever, isso me acalma mais, isso sou mais eu, sou mais a palavra, e por escravo escrevo e me torno ela, enquanto a mesma sai de mim, sou eu assim, me tornando byte, e uns pixels a mais.

Mas disso tudo ainda é zero a zero. O que eu queria dizer? Um não é não mais forte aqui, mais ainda sim, não é o não que eu queria dizer, é o princípio do não que eu tenho a te falar, a verbalizar a minha vontade, não só no que escrevo, mas que por mais expressão a palavra vai saltar, daqui, a correr da minha veia, se dizer verdade e sufocar durantes segundos no meio do meu peito e sair, correndo, batendo no teu rosto que irá dizer sempre que é uma mentira, pois uma vez dita, oralizada, ela se torna mais facilmente e com mais morfalidade – por assim dizer – do que aqui. Mas mesmo assim, aqui eu não posso me desdizer. Só me explicar pelo que já foi escrito. Pois o que se escreve, sempre foi e sempre será uma coisa diferente ao mundo, mais de mim precisa, estranha ao mundo sempre será, mas velha conhecida minha, aqui testamentada e fatalmente dita em escrita.

 

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~ por Água para Plantas em novembro 25, 2009.

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