Segundo Cartel…

O som do sim

 

O que mais aflige aos que se entregam é a espera doce do som do sim, da entrega, da verdade que poucos sabem e tentam lentamente procurar em outras bocas, embora elas se repitam em seus formatos e corpos, mas mesmo assim, como é doce ouvir, esperar, balbuciar sem perceber que sempre é possível ouvir, de novo, depois de tanto tropeçar, se magoar tanto que usamos subterfúgios para socorrer de uma realidade que sempre vem a porta, mas na verdade ela não vem, porque a solidão não visita, apenas não vem. É lembrada ao peito e lamentada em um dia a dia vazio quando nem sequer há alguém pra se lembrar, apenas esbarrar.

 

O remédio não é ter uma simples companhia ou amigos. O remédio não é apenas sair pra beber ou até mesmo encontrar uma sereia e por sorte encontra-la outras vezes perdida e solta em ombros cansados de abrigar outros braços, que tão cedo se esconde de uma vida que sempre nos tem algo a sorrir, que se esconde em uma vida que se foge lentamente à contagem de tempo a achar que sempre haverá amigos…

 

Impossível se fazer brotar interesse ou até mesmo provar que sou melhor do que alguém. Sou o pior e o melhor homem que conheci ao mesmo tempo – assim como todos são – Somos todos os piores e as melhores facetas que podemos encontrar. E então eu, que mal me conheço, me encontro em difícil tarefa de desvendar o teu sorriso, de saber qual é a tua vontade, de saber o que queres e de extrair o doce som que quero ouvir. Mas depois de tanto que vi e vivi, será que ainda há um colo velho para me apaixonar? Não sei. Não me dou ao luxo de me magoar de novo, mas seria tão bom ouvir de novo – o doce som do sim – Vindo de um jeito que me encantou, de uma outra mulher mistério que me conquista sempre que me perco a pensa-la, mas é mesmo medo, de me mostrar imaturo e idiota a uma mulher feita e com o coração já cauterizado por outras vidas, outras pessoas que se passaram e deixaram marcas. Mas como não se mostrar idiota estando apaixonado? Existe alguém que não seja idiota amando ou apaixonado? Como não se mostrar imaturo quando a paixão nos remete a ser criança de novo, a olhar uma mulher com brilho de fada e frescor juvenil?

 

Mas, o que já foi escrito, não é de todo novo. Muitos malabarismos já devem ter sido feitos e pela contagem, matemáticos preveram que esse tema já foi abordado pela enésima vez, mas para um coração duro, ou uma mente sempre tentando desmentir o peito, porque sempre o mesmo é o que mais nos surpreende?

 

Talvez esse título nem seja meu, e talvez seja prepotente achando que possa ser meu um pensamento teu, que queria que verbalizado fosse até que possa ser minha uma esperança e até mesmo a continuidade de alguma coisa que você tenha achado morto a dar sentido certos tremores que giram a motricidade em você…blá-blá-blá, enfim: A plenitude que é amar outra pessoa ou fazer planos quando receber um sorriso em um sinal ou quando uma mulher se permite a jogar os cabelos aos teus olhos para se entreolhar, esperando nada, ou até mesmo, com um pensamento mais sujo e menos romântico que o seu – o que seria a esperança de muitos e o inferno de poucos como eu, que não querem casos. Casos são como contos ou crônicas como estas, um homem por inteiro, prefere sim estórias, ainda sim, não descarto este escrito.

 

Porque não beijar? Se entregar a um estranho em uma falsa doente… Jurar amor a alguém que nem lhe confiaria um centavo, ter esperanças e correr por um vale ou lugar que não é tão florido assim e que certamente, poderá se machucar, sim, o nome disso é vicissitude, e a função de um poeta e um poema – que não são esses dois casos – e exaltá-los e alertá-los a todos que o coração sentir e a qualquer ouvido que não queira ouvir. Diga por dizer o doce som do sim, e se perca de si mesma, perdoando ate mesmo este que vos escreve por uma redundância tão ridícula, digna de um boçal. Mas ame algum dia, por favor.

Posso não ouvir o doce som do sim. Posso não ouvir ou querer uma ligação tua, mas espero que talvez outros possam ouvir.

 

 

 

Estranhos Afins

Você era estática loucura na qual me debrucei

Mas como debruçar não é cair, assim eu me levantei

Poderia eu te chamar de abismo, mas como o meu cinismo não se dá por vencido

Não te chamei e nem te chamo de nada

Apenas lhe recordo, quando vejo um anuncio ou escuto uma música

a cada segundo em que eu me determinei a não te procurar

Ninguém ira me derrotar a não ser , uma noite, uma bebida

Um carinho na memória, um mal olhado

Ou um beijo muito mal roubado

 

Se chorei por ti, não lembro

Se foram duas, nem sei…

Algumas vezes pra ser sincero

E pra ser idiota diria, toda vez, que não te vejo querendo te ver

Não perdi a conta, apenas esqueci

Chutei uma pedra, ela quicou, andou

Como você

Passou

 

Assim como foste em frente com todo o comboio sentimental anti-mim

E eles fizeram um bom trabalho

Pois até do meu aniversário, você esqueceu

Obrigado por não lembrar

Obrigado por me esquecer

Nem obrigado assim posso te dizer

Somos estranhos, sempre fomos

Estranhos rindo e vindo das mesmas coisas

Apenas estranhos afins

 

 

 

Se

 eu pudesse

 viver contigo

 em uma garrafa

Um furo nela: Água

Outro furo nela: Terra

Um pequeno espaço: Panela

Um circulo e um quadrado: Janela

Em um vidro fumê, sempre noite

Sempre quente, eu e você, derrepente

Ao desembalar, ver um mundo em cascata

Apocalíptico vento, assustamos

E do nada, um choro ao contrário,

Na verdade, uma louca risada

Sem pensar em soneto

Ou ousar em sonata

Sonho meu e teu

Dentro de uma

Garrafa.

 O inverno vem da platéia

 

 

 

Anúncios

~ por Água para Plantas em novembro 16, 2009.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: