Princípio

            Bebi mais uma noite com pessoas inteligentes

            De vidas fracassadas

            De rostos cansados

            de sentimentos breves

            Pela idade que começou e chega

            Já tão cedo amor

            Não sinto vontade de ir embora

            Ainda não me deram beijos

            Mas à noite perigosos são os beijos

 

 

            Abre assim e acaba um começo ou término de uma poesia. Recitei ao vento mais uma vez, joguei palavra com uma raquete invisível, intangível, sem rede ou alguma coisa que eu pudesse segurar, tomei conta das minhas rédeas, mas como sempre, eu as solto em um corte frenético, irregular, intransigente por mim, eu ainda ando sozinho, mas se acompanhado estivesse, que falta faria a presença ou a ausência no que se diz respeito a não se encontrar, a ter uma pessoa estranha ao seu lado, a dividir o seu prato, a censurar os seus costumes e a não dizer, especialmente a que veio na sua vida.

            E tudo se torna um pouco perigoso, um ser humano não nasceu para ter cerceada a liberdade, perdemos tempo, e tempo é precioso demais.

            Pessoas escoam. Ou empoçam. Pessoas se agregam ou lhe ofendem de uma forma agressivamente direta ou não. E você tenta ser você e isso sempre viola alguma coisa, alguma norma a corromper e passar as rédeas e do nada, está feita a ridícula máquina de se fazer idiotas. Mas não tem como mentir, não tem como se negar e não ser mais um pouco as pessoas e exceder o “eu”. As grafias, as palavras os jogos, eles se abrem ridiculamente sobre um leque social, sobre uma força que não ata outras pessoas e de repente acordo, peço palmas, peço atenção… A poesia não merece atenção. Fere o jovem professor. Cria interrogações na cabeça de um homem sem limites. A andar com amigos e buscar falsas intimidades. Passa noite, ressaca, ódio e no dia seguinte mais uma leva se escoe, sem dar adeus ou até logo vão assim embora os amigos, que amigos? Quem é amigo?

            Não sei se isso é moderno, não sei mesmo se isso é moderno, mas vi a minha solidão nos olhos de um gay ontem. Quando a vi, tive vontade de abraçá-la e correr com ela como um alienígena que acha outro em uma colônia de férias tediante na terra, mas ninguém sabe o que é solidão, ninguém sabe o que é se sentir sozinho, apenas quando se sente ou se estoca um pouco de carência no peito e na memória, daí você resume que é mal amado ou não amado. O que é amor?

            Ninguém vai entender. O homem água pede e também cigarros, passa a noite, acorda, toma dorflex e engov, a boa receita para o término do céu e depois, tudo são suvenires, tudo são floreios e acredite: Sempre vão pensar alguma merda, porque aos olhos céticos, tudo é mal interpretado.

 

 

 

 

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~ por Água para Plantas em novembro 16, 2009.

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