Cartel da primeira “Noite na Taverna” que eu recitei

Manifesto Fudelista

Quem te disse que você é frágil em um mundo filho da puta?

Às vezes, você é um filho da puta em um mundo muito frágil…

Que pode se ruir com as suas maldades ou até mesmo com o seu pisar

Te cobram postura, tribo, lealdade, conduta, dinheiro, lisura…

Você pode andar, sair sem poesia, mas não há quando se esquece a camisinha

Ou talvez ela comece, a dizer o quanto você perdeu por esquecer a palavra

E literalmente, não colocar em prática toda a tática gramatical de se dizer não

E o cara mexicano na televisão diz: O correto em dizer é ácido e não água

Há uma pausa e daí vem uma enxurrada de palavras fritas e curtas me devendo alguma coisa

Mas ninguém nunca me pagou nada e também eu nunca disse: Eles vão me pagar

As palavras irão me pagar, essa será a moral disso aqui

Não quero dever nada a ninguém e nem me sentir o salvador da pátria

Um pária tem pátria? Isso sim rima, costuro aqui, mas me perco tentando falar

Essa é a função da palavra, tramar e travar línguas insensatas

Não quero rimar caralho, eu quero apenas falar…

É fácil criar palavras fáceis como essas

É só pegar uma frase subversiva e invertê-la depois

É fácil, disso falou a receita da Ana Maria Braga

Disso se escreveram no povo e se escreve de novo

E também se comentou no meia hora

E a palavra segue assim

Mas isso é no começo, pois depois ela se perde

Depois ela te fode, depois ela é

Toda palavra é perdida, pérfida, pútrida, poluível, fudida e toda a escrita é prostituível

E intencionada a querer dizer ou subsistir acima, sendo seu próprio interlocutor

Pois antes do mesmo, ela já estava por ai

A rodar pela noite, a se vender em um show tentando cobrar e conquistar o sexo

E quer, tomar espaço, criar objetos, a pegar  consoantes e vogais como refém

Na altiva atitude de matar o seu dono e não se pertencer

Até o homem que viu uma pedra no meio do caminho

Se arrependeu por assim dizer, pois não era a pedra e nem caminho

A mesma da qual falava o mesmo ou o novo a pedra era outra

Como merda é merda e prosopopéia é prosopopéia.

A palavra aborto é crime, não pode ser dita

 E depois vem outras palavras como contas, fraudas, cheques, laços, lições…

Difícil é, vivê-la da forma correta, assumindo a palavra sendo sentida, vivendo a palavra vida

Constituinte e antecessora de um ato, da qual não haveria aborto

A forma palavra ou a palavra correta?

A forma é a fôrma? Ou a porra é a fôrma

Quem nos molda é o molde ou nós somos, assim moldados por ele?

E  quem ira dedicá-la tempo, carinho, água e dedicação

Não, talvez não…

Água não é o correto em se colocar…

E o cara mexicano na televisão diz: O correto em dizer é ácido e não água

E volta o texto e o velho terço junkie

Água de bateria é o que?

Ácido.

Eu sou uma pilha ambulante

Afirmo assim o mexicano

O certo é: Ácido

E o cara mexicano na televisão diz: O correto em dizer é ácido e não água

A menina estúpida sem dentes ri, uma risada eletrônica no fundo

Todos riem de merda nenhuma

E morta mesmo ainda continua

A merda da palavra

Palavra puta, não é mais prostituta

É mãe de alguém, mãe do poeta que a vendeu

Como disse Noel Rosa,
Caralho  é o pai da puta que pariu

E do malabarista que na pedra tropeçou

E não elegeu doces palavras a mesma

A frase  agora é fácil, de efeito rápido e frágil

Daí você se pergunta como é simples

E vai literalmente cagar lendo isso aqui

Ou rir do idiota que assim a escreveu

 

O Fio

O fio da navalha espeta finalmente a carne

Por entre o pescoço, no meio das juntas. Pele

Pingo a pingo assim sem loção escorre. Arde

Percorre novos tons. Carmins do azulejo neve

Algo que diz ou falha a falta de rosto

Se der a outra face, ou pelo afiado gume?

Desfigurada carne, breve um feio esboço

Fio de veia ou navalha? Nem sequer assumem

E sabendo entrega o que um dia foi corte

Alardeada vem a dor, não se fez mais arte. Morte

Tomando todo o espectro, Do que era medo

Antes translúcido, agora, precipita espelho

Não sendo mais uma dor, a cor do sangue dissipa

A falta de medo além do corte esguicha

O que antes era vital, agora uma brutal constatação

O que era um ralo sangue verteu ,jorrou

Dando trabalho a quem limpar o banheiro

Dando outra palavra ao sanitário

Ou afirmando a higiene, descrente

Descontrolada veia, não é mais

É um cano, duto onde passa o sangue

Sujando o chão, manchando o teto

E pés, não mais, assim sento

Apoiado no vaso, olhando os cantos

Pedindo menos dor, entrando em transe

Perdendo sangue, mais um pouco

Falta mais. A pena

Não o sentimento, mas o objeto

Para se escrever entre os azulejos

Para não desperdiçar a preciosa função do vermelho

Primeira apresentação, eu nervosíssimo...

 

Passarela

Passa a todo paço forma

 A arrastar bigorna

No alto minha cabeça pende

Vindo um azul ingrato,

 a correr sobre o estrelato

De um laranja lei, agora teme

O exército gari, corre sobre a franja do céu

Comendo a lua, censurando o mal ou mel

A piasava arrasta dinheiro ou lata

Não me dei, já é farnel

Já passo do perigo, peço o túmulo

Periférico, canil, perimetral, tumulto

Fedendo a mula, olhando a nua era buceta

Dobrando a rua, escorrendo o real concreto

Quando acordo, de certo, era sarjeta

E sonhando em ter asa nas costas

E tola agora, coca semimorta

O intelectual berra Keruac

Distrai assim vazio, dou o vazio

Mas era crack

Lisérgica horta é aquarela

Veio uma rua, besta, toda hora,

Indo e vindo, quase sempre agora

Batendo em minha boca, me

 na meia calçada tola

Quando dei por mim é passarela

Correndo uma rubra etérea

Mulher nua na tua porta

Vagabundo, viço  e vicio

Assim traduzo é cabaré

Me perco entre olhares

Suaves bolhas nos lugares

Tomam de repente, farsa

Esfrego o olho, é prostituta

Assim se fez Lapa

Gente a falar

Mas fujo de todo o som

Lembra reich, ave Hitler Pai!

Corro até o inicio, sem freio a precipício

E em grande alívio

É o meu cadarço

Abaixo para amarrá-los

Levanto do meu sono

Por fim

Quarto

 

Memorando

Senhor:

A dona da hospedaria agora pede a conta

Porque ela está nervosa e com raiva

Pois até agora não levanta e o trabalho lhe rouba dinheiro

E ela está cansada de catar pelo chão os seus brinquedos

A diferença está na sua idade

Você não pode mais chorar e nem perceber que é frágil

Irão lhe chamar de pederasta senhor…

Ou de retardado. O senhor deveria fazer parte de uma elite vencedora

Pois foi para isso que o senhor condicionado foi

Pois já tinha um tempo que poderia perceber e dissimular alguma coisa

Antes de o velho despertador tocar na barriga do crocodilo

E não é por isso que o senhor deixará de existir

O sol não se levanta para quem dorme até tarde

E sabemos que o senhor não gosta de sol

E o senhor sabe disso muito bem, só se lamentam pelos velhos e pelas crianças

E o senhor está no meio do caminho, não lamentarão pelo senhor

Ninguém irá chorar

Ainda há muito o que sofrer

Mas o mal assim lhe afeta

Que mal senhor? Eu nunca disso sofri!

Quando se perde a fralda

Já está na hora de saber usar a faca

Se não sabe usar uma caneta

É melhor pegar uma enchada

E se não tem animo para uma pá

E nem esperteza para uma picareta

É melhor comprar uma gilete

Bem amolada

Pra roubar os outros ou cortar pescoços

As dores de ressaca não podem lhe afastar do seu emprego

Não existe atestado para quem se sente sozinho

Deprimido, ludibriado, vencido e principalmente

Carente

Não irão lhe encostar se o senhor tentou se matar

O senhor é adulto, o senhor tem que ser responsável pelo que vai fazer

Há um aluguel e uma casa pronta

Em seguida de:

Uma fome fofoqueira (Corcunda)

A sentir para:

Uma parentada tacanha (Suja)

A pensar com:

Uma mentalidade suja (fofoqueira

A falar de:

Uma senhora (corcunda) (Tacanha)

Que de sustenta sem:

Um velho a comer de graça em algum lugar

E que não lembra de:

Um senhor de menor ou um velho adolescente?

E acredite senhor, eles escolherão o pior pejorativo

Iram enviar palitos para enfiarem nos seus curativos

Pagarão a conta do hospital para te matar melhor

Para ver os seus trapos, as suas feridas,  e os seu costumes

Dos seus seriados, certames e brinquedos

Todos tentam saber o que das suas fraquezas

E é sabido que a sua gestão é uma das piores desta família

Em tempo e espaços de renovar estimas de préstimos e grande admiração

Assinado: A quem quiser usar.

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~ por Água para Plantas em novembro 16, 2009.

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